De que se fala quando falamos de usabilidade?

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Normalmente, temos ideia de que a Usabilidade se refere mais ao desenho visual ou de interação, mas a usabilidade é um atributo de qualidade que mede a facilidade com que se usa uma interface de rede, móvel, etc. (Nielsen 2003) e que engloba todos os elementos da interface, da parte visual à interação, aos conteúdos e ao sistema.

Há cinco componentes genéricos que determinam a usabilidade de uma interface (Nielsen, 2003).

  • Facilidade de aprendizado: É fácil para os usuários completar tarefas da primeira vez que utilizam uma interface?
  • Eficiência: Depois do usuário ter aprendido a usar a interface, como que rapidez completa as suas tarefas?
  • Memorização: Quando o usuário regressa à interface após um período sem a usar, é fácil para ele voltar a utilizá-la?
  • Erros: Quantos erros comete o usuário? É fácil para ele recuperar e continuar a navegar?
  • Satisfação: O uso desta interface é agradável?

 

Estes elementos podem ser demasiado genéricos quando pedimos ou consideramos um produto usável. Aqui no Departamento de Design da Prisa Digital compilámos alguns princípios formais que nos servem de guia na hora de analisar ou criar interfaces usáveis.

Infográfico: Como afetam os cores da interface em vendas

Devemos lembrar que a usabilidade de uma interface por si só não é um elemento que garanta a utilização dos produtos. Por exemplo, se uma página da Internet oferece descontos de 90% mas não tem uma boa usabilidade, o usuário não se importará de dedicar mais tempo à interface, porque a recompensa vai valer o esforço.

Sendo assim, pode-se considerar uma mais-valia do produto, o que é indispensável.

Criar produtos usáveis

Ao falarmos em usabilidade, referimo-nos também a uma série de metodologias de design que seguimos para criar e avaliar produtos “usáveis”. Estas metodologias estão focadas em dar resposta às necessidades de um determinado usuário em determinados contextos de utilização. A isto se chama Engenharia de usabilidade.

Quem vai usar a interface? É um nativo digital ou uma pessoa de idade avançada com dificuldades de visão e cognitivas?

Onde vai ser usado o produto? O usuário vai estar em casa, sentado tranquilamente em frente ao computador, no trabalho, acedendo esporadicamente à interface, ou à espera do transporte quando estão -5º C?

Conhecer as necessidades do usuário alvo e o contexto de utilização dá-nos uma informação valiosa para compreender o comportamento dos usuários e assim conceber uma interface adequada.

Aqui ficam algumas metodologias para conseguir isso:

  • “Pessoas”: Criam-se exemplos de potenciais usuários da futura interface.
  • Teste de Cooper: Analisa as necessidades de utilização das “Pessoas” e oferece informações para adaptar a interface e dar resposta a essas necessidades por ordem de prioridade.
  • Card sorting: Usuários reais agrupam conceitos para organizar e estruturar a informação segundo o seu modelo mental.

 

Infográfico: Como saber se sua usabilidade funciona

Medição da usabilidade

A usabilidade é um conceito empírico, o que significa que pode ser medida e avaliada. (Yusuff 2010). Este enfoque empírico reforça a parte mais funcional do objeto de design, eliminando o fator subjetivo do mesmo.

Existem vários métodos para analisar uma interface e medir a sua usabilidade.

  • Teste de usuários: Analisa-se presencialmente como os usuários completam tarefas concretas.
  • Análise de métricas: Analisam-se os dados recolhidos com recurso a ferramentas de medição (Teste A/B, Clickmap, etc.).
  • Avaliação heurística: Teste que segue uma lista de princípios formais de usabilidade.
  • Questionários: Recolha de informação quantitativa feita de uma forma indireta.
  • Eye-Tracking: Mede a forma como o usuário apreende visualmente a interface.

Benefícios

Apesar de os benefícios do uso de técnicas da engenharia de usabilidade aplicadas a produtos virtuais serem conhecidos, a sua aplicação não é tão prioritária como devia ser. Portanto, convém recordar alguns.

  • Desenvolvimento do Produto

- Redução de gastos na criação e desenvolvimento.

- Definição de prioridades da funcionalidade do produto.

  • Marketing e vendas

- Aumento da vantagem competitiva

- Aumento da taxa de conversão.

- Aumento da satisfação do consumidor.

- Melhoria da imagem do produto.

  • Apoio ao cliente

- Redução dos custos de apoio do produto.

- Menor necessidade de formação do usuário.

  • Usuários finais

- Aumento da produtividade.

- Aumento da satisfação do usuário.

- Menor necessidade de assistência e ajuda.

- Diminuição do volume de erros cometidos pelo usuário.

Factos

  • Nos projetos em que se investe 10% do seu orçamento em usabilidade e os aplica a um novo design, a página de Internet apresenta um aumento de 135% em média nos valores desejados. (Nielsen, 2003)
  • A usabilidade implica reduções no ciclo de desenvolvimento dos produtos na ordem dos 33-50%. (Bosert 1991)
  • A percentagem de código que é dedicada ao desenvolvimento da interface com os usuários tem vindo a aumentar ao longo dos anos, chegando a uma média de 47-60% do conjunto da aplicação. (MacIntyre et al. 1990)
  • 80% das tarefas de manutenção devem-se a requerimentos imprevistos de usuários, e as restantes devem-se a falhas e a erros. (Martin e McClure 1993; Pressman 1992)
  • As páginas de comércio eletrónico perdem quase metade das suas vendas potenciais devido ao facto de haver usuários que não conseguem usar o sítio. Por outras palavras, havendo uma melhor usabilidade, a média de vendas da página poderia aumentar 79%. (Nielsen, 2001).

 

Referências

 

Alberto de la Puente
Diseñador de interacción/interfaz
PRISA Digital

7 Comentarios

  • avatar Tita Ibarburo 17 fevereiro, 2012

    eye tracking es una buena herramienta. Debemos siempre testear el sitio web antes de lanzarlo pues así sabremos qué tan sencillo resulta navegar por él de acuerdo al objetivo de la misma. Buen Tweet!!!

  • avatar marthaonline 14 fevereiro, 2012

    Me encantó el artículo, mucho contenido de valor. Lo analizaré y luego compartiré con ustedes mis apreciaciones.
    Muchas gracias!

  • avatar Eduardo Gómez 14 fevereiro, 2012

    Muy bueno y sobre todo entendible. No soy informático, soy del área comercial institucional, y me pareció súper pedagógico. Gracias, desde Paraguay.

  • avatar Alberto 14 fevereiro, 2012

    Hola! Miller, si te refieres a una aplicación que te hace una revisión completa de la usabilidad de un sitio web, no la hay ;) Lo que sí hay son herramientas de testing con usuarios en remoto para analizar ciertos aspectos de la web y que afectan a la usabilidad. Por ejemplo estos:
    - http://www.usabilla.com/
    - http://fivesecondtest.com/

    Aquí encontrarás más:
    - http://spyrestudios.com/usability-conversion-analysis-tools/

    Lo que nosotros recomendamos es contar con profesionales que hagan un estudio u otro dependiendo de las necesidades que se tengan.

    Saludos!

  • avatar Mariana Martinez Guzman 14 fevereiro, 2012

    Alberto excelente nota, con terminos sencillos y de facil comprension.

    Muchas gracias.

    Un abrazo compañero desde Colombia.

  • avatar Miller Suárez 14 fevereiro, 2012

    Alberto, ¿qué herramientas web recomiendas para hacer análisis de usabilidad?

  • avatar Elena Sánchez 14 fevereiro, 2012

    Gracias por compartir, Alberto.

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