Onde está o meu heavy user?

Heavyuser_850
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Se você tem um gato, já teve certamente de se baixar para tirá-lo de baixo do sofá, do fogão, da máquina de lavar roupa, do forno ou da gaveta das meias.

Da próxima vez, não se levante. Recomendo que fique agachado e olhe em redor. Talvez o compreenda muito melhor.

 

No dia 11 de março de 2011, teve lugar o desastre nuclear de Fukushima, no seguimento de um terramoto e de um tsunami que causaram a morte de 15000 pessoas. Uma semana depois, a ONU aprovou a intervenção na Líbia, em plena Primavera Árabe.

Nesses dias, houve um aumento do consumo de informação online, a um ritmo muito idêntico ao dos downloads do plugin Adblock Plus para Firefox e Chrome, um complemento que elimina a publicidade das páginas de Internet.

 

O Adblock Plus contabiliza já 150 milhões de downloads e apresenta uma média de 14 milhões de usuários por dia.

O pico de downloads em 2011 ocorreu entre o dia 22 e o dia 23 de março, em pleno turbilhão informativo. E poderíamos dizer que é possível – e digo apenas que é possível – que alguns leitores se tenham fartado da publicidade. De ver a mesma publicidade uma e outra vez, de clicar sem querer num interstitial, de perder a inocência por causa da promessa de um BMW.

Instale o plugin e experimente-o durante uma hora. Verá como a Internet se torna, de repente, num lugar lindíssimo.

Depois, desative-o e volte a navegar. É uma experiência única, como uma lufada de ar fresco.

É evidente que há uma relação entre o consumo de informação e os downloads do AdBlock Plus. E, independentemente da relevância de uma conclusão tão básica como a de que a publicidade é incomodativa, o aspeto mais interessante do processo de trendhunting é ver as coisas como os elementos do público-alvo veem. Se não perspetivar o quotidiano através dos olhos do seu público, jamais conseguirá compreendê-lo. Se você não souber onde está, o que faz e o que come, jamais conseguirá dirigir-se a ele. E muito menos tirá-lo de baixo do sofá.

Mas acrescentemos a isto outro indicador fundamental: a Mozilla lançou o Firefox 4 no dia 22 de março, duplicando os downloads do Internet Explorer 9 em 24 horas (que tinha sido lançado uma semana antes), o que poderia explicar tudo.

É evidente que há uma relação entre o consumo de informação, os downloads do Adblock Plus e o lançamento do Firefox. Contudo, quando a Mozilla apresentou a versão anterior, a 3.6, em janeiro de 2010, o plugin não teve um crescimento fora do normal, como se vê no gráfico anterior. Por isso, creio que o timing do lançamento do Mozilla foi calculado com uma precisão cirúrgica, aproveitando a previsível vaga de plugins que melhoram o consumo de informação, como o ImTranslator, um sistema de tradução que apresentou um crescimento muito parecido nas mesmas datas.

Apenas como curiosidade, fique a saber que o projeto Firefox 4 tinha como nome de código Tumucumaque, um Parque Nacional brasileiro onde habitam espécies únicas no mundo, como o jaguar.

Adiante. Um heavy user (usuário intensivo) da Internet encontra as coisas com facilidade e essa virtude permite-lhe ser o centro de qualquer conversa e ser encarado com respeito pelos adultos. Por isso, o vídeo de instalação (desnecessário para qualquer usuário habitual do Firefox) conta com 713 000 visualizações, e uma faixa etária que, não me diga que não, é enternecedora.

 

(Legenda: Audiências. Este vídeo é mais popular entre: Sexo – Masculino, Idade. Data e local da gravação. Este vídeo é mais popular em: Mais / Menos.)

Imagine um russo de 60 anos a ver este vídeo em inglês.

Gostaria de saber quantas campanhas de publicidade e lançamentos de produtos que pretendiam atingir usuários intensivos falharam, até agora, por causa deste plugin.

Talvez equivalha ao número de usuários que descarregam o programa diariamente.

Vamos ao fundo da questão. Um usuário consome informação que custa dinheiro a produzir e portanto, em compensação, estabelece-se um consumo de publicidade que a financie.

Vivemos tempos tão difíceis de compreender que chegou o momento de responder a perguntas básicas: O que leva alguém a pagar por algo? E de reduzir esta expressão ao mínimo: Por que paga alguém? E de sermos profundos: por que alguém.

Por que não.

Atualmente, a empatia ganha partidas e, na Internet ganham aqueles que, apesar de não conseguirem controlá-la, jogam bem no campo da incerteza. Obviamente, com a ajuda de medições e aplicando um enfoque adequando, sempre conscientes da certeza de que há sempre uma margem de erro.

Aproveito esta ocasião para partilhar consigo um gráfico que me deixa obcecado:

 

É verdade, as pessoas procuram mais amor do que sexo.

Adoraria ler a sua opinião a este respeito. Mas permita-me deixar aqui uma das minhas: creio que tem a ver com o facto de o Facebook não nos permitir dizer “não gosto”.

Tenha um excelente dia.

Alberto Fernández
Diretor criativo do Grupo Barrabés.
Sócio gerente de Annie Bonnie.
Twitter: @CapnFernandez

4 Comentarios

  • avatar HUMBERTO MORENO 8 fevereiro, 2012

    Que puedo decir de este artículo, hay varias cosas, por un lado la medición milimétrica que se puede hacer de la demanda o uso de un recursos en internet al momento, por otra parte tenemos los componentes de mercadotecnia muy necesarios para que funcione este consumo, ¿qué se necesitab el 11 de marzo?, mucha información sin cmerciales, sin pop up molestos, entonces llegó como caíad del cielo un app que te quitaba esa molestia, es decir un satisfactor nacido de una necesidad de estar informado, pero es un satisfactor para una necesdad secundaria, ya que aún así podíamos accesar a las noticias.

    No cabe duda que Internet y todo lo que conllebaa ha cambiado la forma en que consultamos y usamos información, el proceso de inteligencia de negocios se ha hecho más complejo, hay tantaas variables y datos que hay que saber discriminar para tomar buenas decisiones.

    Por cierto, ¿sabían que la tendencia de las búsquedas ed “Editorial Santillana” y “Editorial SM” son muy similares?.

    Algo más para analizar http://www.google.com/trends/?q=editorial+Santillana,+editorial+SM&ctab=0&geo=all&date=all&sort=0

    • avatar Research Staff 8 fevereiro, 2012

      Interesante opinión Humberto, si te apatece profundizar más este análisis ya sabes que tienes este blog a tu disposición para publicar. Un saludo

  • avatar marthaonline 6 fevereiro, 2012

    Para quienes llevamos cuentas corporativas en Twitter toda esa info es importante. Herramientas específicas como SocialBro nos permiten tener una base de datos de nuestros seguidores, momentos del día en que la mayoría de ellos y ellas están conectados, temas (tags) que predominan en sus interacciones y un interesante etcétera.

  • avatar Jorge Camacho 6 fevereiro, 2012

    Bueno, honestamente, creo que la gente si se ha saturado de malas noticias y crónica roja, ya no las queremos, sin embargo, los medios se han convencido de que son un gran gancho.
    Por otro lado también estamos cansados de la publicidad, en particular de la mala y de la muy persistente.
    Pero la gente sigue siendo gente y con las nuevas tecnologías sigue comunicándose esencialmente de la misma forma y lo que se vuelve popular lo hace gracias a la comunicación de boca en boca, que hoy se esconde en SMSs, blogs, tweets, mails, etc.
    Hay muchos productos que son lo que son, únicamente gracias a la publicidad, pero también hay muchos otros que se volvieron populares gracias a los buenos comentarios que han pasado de una persona a otra (típico de los productos digitales)
    Seguimos imitando, seguimos comprando porque alguien mas compró, la pregunta es cómo provocar correctamente esa cadena de eventos.
    Internet es un territorio en el que pasan cosas insólitas, pero eso es gracias al grado de libertad que tiene el usuario y es justamente lo que no debe cambiar, una muestra es que si se cambia el idioma de la búsqueda para el gráfico amor/sexo, al inglés los resultados son muy diferentes.
    Creo que hoy por hoy, una persona entra más fácilmente en “modo de compra” cuando aquellos de su círculo le dan los motivos.
    Felicidades.

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