O tablet de salvação?

ipad

Phot credit: Brendan Lynch/Flickr

A chegada do iPad revolucionou o mundo editorial. Os meios de comunicação social estão se agarrando a esta nova tábua de salvação, mas ainda há um longo caminho a percorrer. Qual é a melhor forma de chegar aos leitores? Que produtos podemos oferecer e pelos quais eles estejam dispostos a pagar… alguma coisa?

Há mais de meio milhão de aplicações disponíveis nas lojas da Apple (no iPad) e da Google (nos dispositivos Android). Os usuários já baixaram mais de 30.000 milhões de aplicações: só a primeira versão de ‘Angry Birds’ foi baixada 700 milhões de vezes em 24 meses.

As aplicações nativas (desenvolvidas especificamente para cada sistema operativo) nascem como cogumelos. São mesmo capazes de reagir perante a atualidade: poucos dias depois de Ramos ter chutado aquele penálti — ainda estão procurando a bola —, aparecia na App Store ‘Angry Ramos’, uma aplicação em que a bola chutada para as nuvens pelo feroz defesa madrileno atravessava os céus evitando obstáculos.

Mas os usuários não usam os seus tablets apenas para jogar. Pelo contrário, aceder a informação, navegar na Internet ou consultar o e-mail são as atividades mais frequentes, de acordo com um estudo recente da Online Publishers Association (OPA).

Aplicação vs. Página web

Neste rio de águas revoltas dos tablets, os editores lançam as suas redes para pescar os leitores que fogem do papel. Os ‘gurus’ da comunicação social não conseguem chegar a acordo: alguns desconfiam das aplicações nativas e apostam na Internet móvel, enquanto outros são da opinião que o futuro está nas aplicações.

Contra as aplicações nativas temos o argumento do mundo livre, aberto, imenso e interligado da Internet; a favor delas, temos o argumento da experiência de leitura e a adaptação perfeita a todas as capacidades do dispositivo.

Em termos de negócio, os editores encontram um argumento inabalável contra o mundo das aplicações: o imposto revolucionário (30%) que a Apple cobra a quem vende através da sua ‘banquinha’. Assim, o Financial Times mandou a App Store à fava e decidiu criar e comercializar a sua própria aplicação em HTML5, e não se saiu nada mal.

“As aplicações são fantásticas para… a Apple” – afirma o diretor de FT.com, Rob Grimshaw –, “mas não resultam para os editores de jornais”. A aposta no HTML5 para criar uma aplicação controlada pelo meio, válida para todas as plataformas e que emula a experiência das aplicações nativas, começa a ter muito sucesso entre os editores.

Mas qual é a opinião dos usuários? No inquérito da OPA (em PDF), 41% dos proprietários de tablets – 74 milhões nos Estados Unidos, 31% da população internauta – preferem a página do jornal às aplicações nativas (31%).

No entanto, basta manipular um pouco os números para que acabem por dizer o que nós queremos. O partidário das aplicações poderia juntar as edições dos jornais diários no ‘Newsstand’ e outros quiosques digitais ou grandes inventos como o Flipboard e argumentar: “Mais de metade dos usuários de tablets prefere usar as aplicações para ler o jornal”. Ou então, procurar estudos que demonstram que se navega muito mal num tablet.

Isto porque entre utilizar uma aplicação nativa e o navegador do tablet para aceder à página há uma grande escala de cinzentos: páginas de Internet móveis (adaptadas aos dispositivos) e aplicações web em HTML5 que esbatem as diferenças.

A questão é que a guerra acaba de começar. E a primeira batalha está sendo travada pela Apple (iOS) contra a Google (Android) e o HTML5 contra todos. O usuário só pode sair ganhado, porque essa guerra é para ver quem oferece mais, melhor e mais barato. Na página de Internet, o usuário continuará encontrando o mar, de infinitos conteúdos interligados e, na aplicação, ele se refugiará numa experiência diferente, mais controlada e controlável, longe da ‘anarquia’ da Internet.

E para a penalizada indústria editorial, pode não ser um tablet de salvação, mas antes uma estupenda oportunidade: 74% dos usuários utiliza o dispositivo diariamente, na sua maioria para aceder a conteúdos de todo o género, e até 61% dos usuários se mostram dispostos a pagar por esses conteúdos.

Outros dados interessantes do inquérito da OPA:

  • Os usuários passam, em média, 14 horas por semana usando os seus tablets.
  • 92% dos vídeos vistos nos tablets são notícias ou entretenimento (programas informativos, esporte, tempo…) e 64% se refere a conteúdo criado pelos usuários (YouTube).
  • 23% das aplicações descarregadas no ano passado eram pagas.
  • O mercado das aplicações vai duplicar este ano: de 1.400 milhões de dólares em 2011 para 2.600 milhões de dólares em 2012.
  • 85% dos inquiridos interagem com duas telas e dois terços chegam a usar três telas.
  • Os tipos de conteúdo pelos quais o usuário paga de bom grado são revistas, entretenimento, esporte e informação meteorológica.
  • Os usuários preferem uma aplicação gratuita com publicidade (54%) a pagar um pouco mais e não ver anúncios (19%).
  • 38% dos usuários de tablets compraram produtos depois de terem visto a publicidade no seu tablet: no ano passado, eles gastaram uma média de 359 dólares em produtos a partir dos seus tablets.

Para saber mais:

Nacho Ibáñez Rojo
Digital Projects Director
PRISA Noticias

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