Pode escrever uma dedicatória no seu ‘e-book’?

concept of ebook

O livro digital continua dando passos que conquistam adeptos e que diminuem os detratores. Desta vez, um pequeno widget acaba de deitar por terra um dos argumentos dos inimigos dos e-books que, durante anos, têm afirmado que um livro eletrónico, ao contrário de um exemplar em papel, nunca poderia contar com uma dedicatória ou assinatura manuscrita do seu autor.

Isto já é possível graças a aplicações como a Ibooks Author, uma proposta da Apple que permite gerar e-books para o iPad. Concretamente, esta ferramenta oferece a possibilidade de integrar dentro de um livro eletrónico um widget que, ao ser ativado, converte a tela do iPad num pequeno quadro digital no qual se pode escrever com o dedo ou então utilizando as opções de um painel de controlo: pincel, lápis, caneta de tinta permanente, marcador… Tudo com a possibilidade de mudar a cor e a grossura do traço, de tal modo que o resultado final é extremamente parecido com a escrita em papel.

O widget já está integrado no livro que o leitor compra, portanto, basta entregar o iPad ao autor para conseguir uma dedicatória. Isto pôde ser comprovado no passado fim de semana na Feira do Livro de Madrid por todos os que conseguiram que Alma Obregón autografasse as versões digitais de alguns dos títulos desta autora. Além disso, a assinatura mantém-se no e-book mesmo que o usuário descarregue novas atualizações do livro.

Esta nova interação entre autores e leitores junta-se a outras iniciativas facilitadas pelo universo digital. Por exemplo, e continuando com o caso de Alma Obregón, o livro eletrónico permite incluir conteúdos criados pelos próprios leitores. Assim, a nova edição de Objetivo: Cupcake Perfecto inclui uma colagem de vídeo com uma seleção de receitas dos próprios leitores. E a próxima edição digital do mais recente livro desta autora, Objetivo: Tarta Perfecta, incluirá a receita de bolo que se sagre a vencedora de um concurso. Os participantes só têm de escolher uma receita do livro, dar-lhe um toque especial e carregar a sua proposta, juntamente com a descrição passo a passo e uma ou várias fotos do seu bolo, numa aplicação do Facebook. O concurso está aberto até ao próximo dia 16 de junho.

E por falar em redes sociais, a verdade é que estas fortaleceram a componente social da leitura: podemos escrever uma crítica num blogue ou partilhar os nossos gostos literários através do nosso perfil do Twitter ou do Facebook, ou em redes como entrelectores.com, quelibroleo.com ou Goodreads, ferramentas pensadas para descobrir, recomendar e falar de livros. A Amazon, a maior livraria da Internet, acaba de adquirir uma delas, a Goodreads, uma plataforma com 16 milhões de usuários registados e mais de 30.000 grupos de leitura.

Estas plataformas e outras de distribuição de livros eletrónicos como a Kobo, a Copia ou a Edusfera enriquecem a nossa experiência de leitura graças à possibilidade não só de escrever notas no próprio livro ou sublinhar os nossos trechos favoritos, mas também de fazer sugestões a outros leitores da comunidade em função dos seus gostos e interesses ou descobrir novos títulos que, se calhar, não conhecíamos.

A expansão das redes sociais também aumentou as possibilidades de interação entre autores e leitores. Antigamente, os leitores não tinham outra hipótese se não mandar uma carta quando queriam tirar uma dúvida ou comentar um determinado aspeto de uma obra. No entanto, agora, autores como Arturo Pérez-Reverte respondem aos seus leitores de forma direta e em 140 carateres, através da sua conta no Twitter, que é seguida por cerca de 700.000 usuários.

María Carmona

Gerente de Produto Digital da PRISA Edições / Santillana Negócios Digitais

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