12 especialistas em impressão 3D nos explicam como esta tecnologia mudará as nossas vidas

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Desde a reprodução de órgãos vitais até à construção de refúgios no espaço. O futuro da impressão 3D será revolucionário. Com esta perspectiva, não é estranho que muitos garantam que esta forma de materializar objetos, também chamada de fabricação aditiva, mudará a nossa vida a níveis inesperados.

Atualmente, esta tecnologia já é muito habitual nos mais variados setores, sobretudo para a criação de maquetas, protótipos e pequenos mecanismos. Mas existem outros usos muito atuais da impressão 3D, como a criação de próteses dentárias, a construção de casa ou a confecção de comida.

Para saber mais sobre o assunto, o Toyoutome blog lançou a mesma pergunta a 12 especialistas nesta tecnologia: Quais são as principais aplicações da impressão 3D e qual será a aplicação mais revolucionária no futuro? Estas são as suas respostas:

Luciano Betodi: Ainda que a maior parte das impressoras 3D atuais não possam produzir peças suficientemente resistentes, econômicas ou até úteis ao ponto de substituir os métodos de produção tradicionais, têm uma aplicação muito relevante hoje em dia, que é educar toda uma geração para o uso dessa tecnologia. Em relação ao futuro, creio que a verdadeira revolução da impressão não será um uso ou aplicação específica, mas surpreenderá antes a rapidez com que esta tecnologia, que hoje parece quase magia, se transformará em algo usual e até essencial no nosso quotidiano”.

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Luciano Betodi é o FabLab Manager do Fab Lab Barcelonaum centro situado no Instituto de Arquitetura Avançada da Catalunha (IAAC), que faz parte de um programa de investigação liderado pelo Centro de Bits e Átomos (CBA) do MIT.

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José Ángel Castaño: As principais aplicações são, essencialmente, a reprodução de digitalizações 3D e a impressão de objetos desenhados com programas de modelagem tridimensional, o que permite a prototipagem rápida de novos produtos ou até o seu lançamento no mercado. As implicações disso são infinitas, já que deixará de ser necessário esperar meses para contar com os primeiros modelos para lançar no mercado um produto, já que o modelo tridimensional pode ser enviado para centenas ou milhares de quilômetros de distância para que seja convertido num objeto. Assim, muita da produção industrial será feita por encomenda e viajará pela Rede, para além de que cada pessoa poderá dispor do que chamamos “peças impossíveis”, que são as que já não se fabricam ou que nunca foram pensadas, adequadas às suas necessidades ou personalizadas, os objetos que nunca chegariam ao mercado através da produção massiva.

“Mas a aplicação mais importante no futuro talvez seja na medicina reconstrutiva ou na ortopedia, já que com bioimpressoras tridimensionais, os cirurgiões terão à sua disposição implantes e até órgãos humanos personalizados. Na realidade, com biopolímeros, poderemos imprimir as estruturas até de corações que, irrigados com células estaminais e com técnicas genéticas, evitariam algumas das rejeições dos transplantes atuais. Surgirão ainda soluções dedicadas à traumatologia, neurocirurgia, cirurgia maxilofacial e ortondontia,que permitirão aos cirurgiões dispor em poucos dias de ferramentas tanto para planejar as operações como para resolver os problemas de casa pessoa de forma especializada. Uma das grandes satisfações de quem trabalha na impressão 3D tem sido ver como há pessoas que criaram sozinhas próteses para substituir mãos graças a esta tecnologia”.

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@jakolete é CEO da LEON3D, uma empresa dedicada ao desenvolvimento e distribuição de tecnologia de impressão 3D.

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Tomás Díez:Hoje em dia, a impressão 3D se aplica em quase todos os âmbitos da nossa vida e é habitual sabermos pelas redes sociais quando aparece a primeira perna impressa em 3D, o primeiro carro, a primeira casa, o primeiro satélite, o primeiro dente postiço, a primeira batata frita… Já chegou até à indústria do sexo, ainda que isso fosse de esperar. Estamos falando de um novo processo de fabrico, onde se acrescenta material sem necessidade de usar um molde ou de esculpir uma peça base. As necessidades são as mesmas, e a forma como lhes damos resposta está mudando um pouco.

“Mas a maioria destes exemplos ainda estão um pouco distantes de serem produtos finais reproduzíveis remotamente por outra impressora; estamos na transição para lá chegar, e falta cada vez menos. Para mim, uma das chaves está nos materiais locais e na escalabilidade dos modelos de negócio e do volume de produção, não a partir de um ponto centralizado, mas sim através da criação de infraestruturas de fabricação aditiva distribuídas, ou seja: Toyota não lhe envia um carro produzido num país onde a mão de obra seja barata, mas sim o arquivo para que o fabrique localmente. O mesmo se aplica à Sony, Nike, etc. As pessoas não compram produtos, mas sim a experiência de fabrico e a informação sobre eles. Há coisas prometedoras: imprimir refúgios humanos no espaço (A NASA e a ESA estão trabalhando nisso) e o projeto AMAZE, da ESA, que ajudará a avançar para a impressão de metais”.

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@tomasdiez é o diretor do  Fab Lab Barcelona.

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Impresión 3D desarrollada por el Fab Lab Barcelona para el Festival de cine fantástico de Sitges 2014.

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Antonio Flores: A impressão 3D é uma realidade desde o final dos anos 80 do século passado. O êxito da explosão atual de vendas reside na queda de preço e produção massiva de impressoras 3D e resinas de baixo custo. Hoje, as principais aplicações da impressão 3D se encontram no campo da indústria, como o fabrico de pelas de substituição in situ para garantir tempos de resposta no apoio técnico sem necessidade de stock; e também no setor da saúde, onde se destaca a produção de próteses dentárias. No entanto, a maior revolução está por vir, pois estão sendo testados tecidos orgânicos para podermos fabricar órgãos ou próteses humanas que encaixem perfeitamente no paciente, assim como para desenvolver interfaces que liguem dispositivos eletrônicos a tecidos vivos. Neste campo, o setor da saúde volta a liderar o investimento na matéria”.

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@antoniolflores é analista do IDC España.

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Saúl García: A impressão 3D é plenamente madura em setores como a indústria aeronáutica, aeroespacial, engenharia, arquitetura, defesa, indústria automóvel ou medicina protésica, onde algumas das aplicações mais comuns são a modelagem de conceitos; o desenho ergonômico dos produtos; a construção de protótipos para serem utilizados em ações comerciais e de marketing, assim como para detectar e corrigir possíveis erros e obter as peças finais. Mas no futuro, a fabricação aditiva não deixará nenhum setor indiferente, porque será uma nova revolução industrial e tecnológica, semelhante a quando a Internet apareceu nas nossas vidas, o que mudou o nosso mundo de maneira global. 

“Na minha opinião, algo de muito revolucionário será a impressão 3D associada à ciência, medicina e saúde, onde já existe investigação com materiais biocompatíveis que darão a possibilidade de fabricar órgãos aceites pelos humanos. Para além disso, a incorporação da impressão 3D nas aulas colocará ao alcance dos alunos as mesmas tecnologias de vanguarda que encontrarão ao longo da sua carreira profissional, e nas novas gerações se transformarão nos desenhadores e engenheiros que solucionarão os problemas do futuro. Assim, a impressão 3D mudará por completo a ideia de consumir produtos agora disponíveis ao público em geral, porque cada um de nós terá a capacidade de personalizar os nossos próprios produtos de consumo e entretenimento com uma grande vantagem, a exclusividade de cada artigo”.

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@saulgdiazé fundador e CEO da Imdimo3D, empresa que oferece serviços de impressão 3D que foi uma das vencedoras do Programa LAB do PRISA INN

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Juan González:A impressão 3D pode ser aplicada nos campos onde se necessite de ‘objetos’, ou seja, potencialmente todos. É uma tecnologia que nos permite materializar objetos rapidamente, em qualquer parte do mundo, a um custo muito baixo. Atualmente, está sendo empregada na educação, robótica, arte, medicina, indústria, jogos, decoração, moda, arquitetura, prototipagem rápida, maquetas… É difícil prever o seu futuro. É uma tecnologia tão potente que ainda não assimilamos as profundas alterações que trará, mas as principais serão que deixaremos de ser consumidores para passarmos a ser criadores, e vamos poder materializar objetos em qualquer parte do mundo em tempo recorde”.

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@Obijuan_cube é responsável pela impressão 3D da bq, fabricante de dispositivos multimídia e impressoras 3D.

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Prótesis impresa en 3D.

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Javier Ledesma: “Na minha opinião, a revolução 3D não está ligada a uma aplicação concreta, mas sim à mudança da relação entre desenhadores e clientes, pois é possível criar protótipos ou produtos simples sem necessidade de grandes fábricas. No entanto, à medida que as tecnologias capazes de depositar vários materiais se solidifiquem, veremos um surgimento crescente de partes funcionais que explorem plenamente as capacidades da fabricação aditiva. Não é difícil imaginar produtos com sensores incorporados que informem o usuário do seu estado de funcionamento, aparatos eletrônicos com geometrias complexas ou pequenas antenas incorporadas em qualquer produto que permitam a proliferação de outras correntes tecnológicas como a Internet das coisas e a realidade aumentada”.

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Javier Ledesma é estudante de doutoramento em 3D Printing and Additive Manufacturing Group (Universidad de Nottingham).  

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Jesús López:Hoy por hoy la impresión 3D se usa para hacer prototipos, series cortas de producción e incluso gadgets creados por los propios usuarios; aunque algunas de estas aplicaciones están limitadas por las tecnologías disponibles. Aquí es donde entra HP y su recién anunciada tecnología HP Multijet Fusion, que revolucionará el mundo 3D aportando mejoras sustanciales en la velocidad, la calidad y los costes de producción. Nuestra visión es tener una impresora capaz de fabricar cualquier producto que se necesite adaptando sus características a las necesidades particulares de cada persona… ¡Que la imaginación sea el límite!

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Jesús López é o responsável de I+D do negócio de impressão 3D da  HP España

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Raúl Nieves: Creio que existe o risco real de, entre outras, duas grandes aplicações que podem agravar o estado do ecossistema. Estou me centrando nelas porque ao fim de cinco anos no projeto RepRap, que dá origem a 90% das impressoras fabricadas atualmente, vejo muito pouca reflexão neste sentido: a aplicação no consumo de impressoras per se (por exemplo: uma broca é utilizada, em média, cinco horas ao longo da sua vida) e a aplicação de gerar uma experiência – a diversão de imprimir peças – com os efeitos colaterais de desperdício de material e energia que isso implica. A aplicação mais revolucionária, creio que será sempre a original do RepRap: a replicação da própria impressora, que curiosamente, é a mais distante da lógica capitalista.

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Raúl Nieves é consumidor e programador RepRap na @faboratoryuma plataforma de desenvolvimento de tecnologias que impulsiona processos de fabrico através da digitalização.

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Los modelos impresos en 3D son de gran utilidad en investigación y educación.

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Ernest Quingles: A chegada do 3D ao consumo vai criar uma revolução e o impacto será semelhante ao do lançamento dos tablets e smartphones. O verdadeiro potencial da impressão 3D tem o desafio de corresponder à expectativa da indústria, agilizando processos e gerenciando volumes médios e altos de produção. Um automatismo que necessitará da máxima precisão proporcionada pela Epson graças à nossa revolucionária tecnologia PrecisionCore. Trabalhamos para responder à verdadeira expectativa da indústria com um objetivo: imprimir tudo”.

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Ernest Quingles é presidente e managing director da Epson Ibérica.

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José Manuel Sánchez: As várias tecnologias de fabricação aditiva são empregadas atualmente nos setores industriais para a criação de protótipos, moldes de fundição, pré-séries e séries curtas de fabrico, assim como em setores profissionais como a odontologia, joalharia, arquitetura, médico-cirúrgico, bioquímica ou marketing para a criação de modelos personalizados ou apresentação de um novo produto. A muito curto prazo, a fabricação aditiva estará enraizada entre os particulares, com utensílios domésticos, de decoração, presentes ou recordações, assim como elementos necessários para a reparação de eletrodomésticos ou restauro de outros aparelhos”.

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José Manuel Sánchez é assessor em tecnologia 3D na @Sicnova3D, uma consultora de Tecnologia 3D que também comercializa os equipamentos de impressão da 3D Systems.  

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Emilio Sepúlveda:A impressão 3D permite o fabrico de modelos e protótipos funcionais com uma redução de tempo e custo de desenvolvimento. No nosso caos, é uma tecnologia que nos permite criar pratos (de  comida) a partir dos ingredientes, de forma a que possamos voltar a cozinhar em casa sem necessidade de saber preparar a comida ou de perder tempo.  No futuro, isso terá um impacto importante em ambientes extremos, como a exploração espacial ou zonas com problemas logísticos graves, e em aplicações médicas”.

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Emilio Sepúlveda é cofundador e CEO da Natural Machines, fabricante de la impresora de comida Foodini. 

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4 Comentarios

  • avatar Gafas virtual 28 dezembro, 2016

    El 3d no es el futuro, es el presente…Como afectará a la tecnología, es aun un misterio.

  • avatar Sandra 12 setembro, 2016

    Que pasará con los ingenieros industriales después de que las impresoras 3D ocupen su lugar en las áreas de producción de todas las empresas?

  • avatar David 6 junho, 2016

    Sinceramente yo considero que es el presente, no el futuro, yo cuento con mi impresora 3D desde hace tiempo ( http://www.zeus. life ) y con ella imprimo TODO en casa, menos comida… creo que saco todo impreso en 3D

  • avatar Carla 29 fevereiro, 2016

    A mi me alucina lo de las impresoras 3D, a la hora de hacer objetos en 3D es genial. Yo creo que el futuro está en esas máquinas. Ya que las personas van a ser más independientes a la hora de hacerse sus propias cosas en casa.

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