15 especialistas nos falam do futuro da rádio

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Em plena época de transformação dos meios de comunicação social, a Rádio tem sabido se adaptar com perícia ao ambiente digital que envolve os seus ouvintes, agora também usuários. Mas qual é o seu futuro?

Para conseguirmos fazer um prognóstico sobre o tema, reunimos 15 especialistas profissionais de Rádio de Espanha e da América Latina para que nos respondessem a esta pergunta: Como acha que deveria ser a rádio ideal em 2020? Estas são as suas respostas:

Roberto Sánchez: “Se as crises são oportunidades, a rádio sofreu duas ao longo destes anos. A primeira é a econômica e a segunda é a ‘ameaça digital’. Esta última foi temida de forma desmesurada, sem advertir em qualquer momento acerca do componente de bolha que o fenômeno possa ter ou de como, em outros tempos, também se profetizou a sua morte face o surgimento da televisão. Se não perdermos a perspetiva e as empresas preservarem o patrimônio que têm nesse meio – são, solvente e credível –, continuará sendo uma referência. As redes sociais e a Internet são uma ferramenta útil. Em 2020, a rádio terá ficado fortalecida depois de mostrar o seu poder”.

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@_Roberto Sánchez é jornalista radiofônico e apresentador do programa “La Ventana” na Cadena SER, Espanha.

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Gorka Zumeta: “2020 está ao virar da esquina e nem os carros vão voar nem a FM desaparecerá. Com todas as suas imperfeições e o seu modelo de medição obsoleto, as tendências do EGM determinam linhas de atuação. Cada vez haverá menos ouvintes de rádio analógica, sobretudo nos ‘targets’ mais jovens, devido à sua emigração para o meio online. E a rede oferecerá um escaparate de novas ofertas radiofônicas muito mais ricas e, acima de tudo, inovadoras. Se escutará rádio online nos carros e muito mais nos ‘smartphones’, os rádios portáteis do século XXI. Mas a rádio será multibanda: analógica e digital. Mas talvez seja outra história em 2030…”.

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@gzumeta é um veterano especialista em rádio e comunicação e blogger. Desenvolveu grande parte da sua carreira na Cadena SER e, atualmente, busca a integração da rádio no mundo digital através do streaming e do podcast.

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Tata Solarte: Para 2020, os profissionais da rádio terão aprendido a escutar ouvintes que já não serão apenas receptores da informação / música, mas também criadores de conteúdos, histórias, gostos, preferências e construtores de tendências. A rádio terá mudado por completo o seu canal de distribuição. O canal físico será apenas mais um canal, mas o caminho rumo ao digital já estará concluído e aceder ao meio deixará de apresentar barreiras geográficas ou culturais”.

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@tatasolarte é a diretora do Tropishow na Tropicana Bogotá 102.9fm, da Caracol Radio, Colômbia.

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Juanma Ortega:  “2020. Alguém liga o seu novo celular ‘wearable’. O sistema sabe que música a pessoa precisa porque é manhã cedo e oferece-lhe as canções mais animadas dos seus artistas favoritos. Uma delas não lhe agrada. A pessoa afirma-o em voz alta. Já não voltará a passar e salta para a seguinte. Logo a seguir, uma partida telefônica. A pessoa gosta. Afirma-o. A partir daí, ouvirá uma todas as manhãs. Após outras canções ao seu gosto, fica a ouvir um interessante debate de advogados de direito familiar. O sistema sabe, pelas suas mensagens, que a pessoa se separou.”.

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@JuanmaPuntoCom foi apresentador de vários programas radiofônicos de Los 40 Principales e da Cadena SER, como “Anda Ya”, “Hoy por Hoy” e “Carrusel Deportivo”. Atualmente, empresta a voz às promos da cadeia e é o diretor da produtora de branded content Estudios Quinto Nivel.

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Jordi Finazzi:  A rádio é um camaleão que se disfarça e adapta em função do ambiente circundante. O que a tornou tão fundamental é, entre outras coisas, a sua cobertura geográfica, o seu caráter imediato, a facilidade de ser consumida enquanto se fazem outras coisas e, claro, o fato de estar aberta à participação dos seus ouvintes. A rádio dá rostos às vozes, cores às notícias e ambiente musical ao seu estado de espírito. O futuro passa por permitir ao ouvinte construir a sua própria cronologia de audição, misturando programação ao vivo e gravada previamente, para essa hora e período de tempo determinados que o ouvinte defina. Nos próximos anos, a rádio já terá mudado o seu modelo de distribuição e o suporte através do qual se escuta. A sua capacidade de segmentação vai impulsionar uma nova relação com os seus ouvintes, oferecendo-lhes conteúdos precisos a cada um deles e um nível de interatividade que vai potenciar o consumo em tempo real, com uma mistura de conteúdos dirigidos, impulso e oportunidade”.

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@jfinazzip tem uma longa trajetória na gestão de meios de comunicação social. Atualmente, dirige os meios musicais online e offline das operações da PRISA Rádio na América. Anteriormente, foi o impulsionador e responsável da plataforma de streaming YesFM, a empresa de crowdfunding My Major Company e a página de letras Buluba.

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Sonia Got: “Com indivíduos e lares conectados, já só falta conquistar os automóveis para que o consumo de rádio online se torne maioritário. Mas isto vai acontecer quando escutar rádio pela Internet for tão fácil como premir um botão. Apesar do crescente consumo de ‘podcasts’, a rádio em direto, cada vez mais interativa, vai continuar sendo ouvida. Sem a necessidade das grandes redes de emissoras, as rádios vão apostar tudo nos conteúdos que têm de usar para convencer um público pouco fiel a uma única marca. Não se pode dirigir nem correr vendo vídeos do YouTube; devemos aproveitar essa vantagem para captar jovens ouvintes. E adeus ao exame trimestral do EGM: o controle será diário e em tempo real.“.

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@soniagot é Coordenadora de redes sociais e rádio online da Mediaset, onde se produzem programas de rádio online como o MorninGlory.

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Chusé Fernández: “Deverá ser hiperespecializada, passível de ser partilhada, interativa, multiplataforma e complementar a outros conteúdos transmídia. Na TEA FM, já estamos fazendo experiências em novos formatos como os ‘Híbridos Sonoros’ ou as ‘webseries transmídia’. É vital oferecer conteúdos especializados e ‘à la carte’, com gêneros interligados que, por exemplo, recuperem a ficção sonora adaptada a conteúdos informativos e de divulgação; documentários radiofônicos interativos e escaláveis com a ajuda de ouvintes-produtores; mais rádio em direto do local da notícia, com a ajuda das novas tecnologias móveis… Em suma, uma rádio viva e ao serviço da audiência que virá a fazer parte ativa dos conteúdos do meio. E não nos esqueçamos das crianças e dos jovens, as novas gerações de ouvintes”.

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@i_like_radio é coordenador da Escola de Rádio TEA FM de Saragoça (www.teafm.net), Prêmio Ondas 2012, MEDEA Awards 2013 e Prêmio AERO 2014 para a inovação em rádio online. Formador e criativo sonoro, colabora com universidades espanholas e da América Latina em projetos de rádio criativa e ficção sonora. O seu trabalho se centra no contexto formativo com cursos de rádio, seminários e palestras sobre produção e criação radiofônica, experimentação sonora, arte radiofônica e podcast.

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Gustavo Gómez: “Tem de ser uma rádio que resista à tentação de perder a sua credibilidade na concorrência diária que vive com as redes sociais. Uma rádio que acompanhe, entretenha e informe sem que se esbata o seu maior atributo: a confiança que as pessoas têm nela. E, claro, com os olhos postos nos desenvolvimentos tecnológicos. O aparelho desaparece, mas o meio não. Ainda haverá rádio quando os rádios já não existirem”.

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@gusgomez1701 é periodista radiofônico e diretor do programa “La Luciérnaga” na Caracol Radio, Colômbia.

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Vicente Moros: Nos meus 22 anos de experiência, vi a rádio se transformar, do tradicional aparelho a pilhas até às aplicações que existem; e do acetato e fitas de gravação para as USB e os gravadores digitais. Por essa ordem de ideias, creio que a rádio ideal para 2020 ou até antes reunirá as seguintes características: menos rádios físicas e mais virtuais; interação com a música (‘eu programo o que eu quero’); conteúdos multimídia (a rádio será para ver e escutar e poderemos ser mais populares do que a televisão, já que não temos tantos protocolos de produção); os jornalistas e locutores serão completos (voz, manejamento de redes e editores de áudio e vídeo para as suas respetivas reportagens ou intervenções)”.

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@VicenteMoros é diretor de Tropicana, Sistema Oxígeno e Bésame, emissoras da Caracol Radio Colômbia, e ‘voice over’ da Caracol Radio, Colômbia.

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José María García-Lastra: “A rádio será um meio de comunicação forte. O que melhor se adaptou à transição digital. O meio do imediato, como sempre, mas personalizado a cada situação. Um meio cativante e mágico com conteúdos ‘buscáveis’ e reconhecíveis na Internet. O áudio será um meio prestigioso em termos comerciais e conseguirá importantes receitas de publicidade. Vai estar ligada à wearable technology. Será difundida por dezenas de canais e nenhum deles será dominante. A rádio de atualidades será feita mais do que nunca a partir do local da notícia e a musical se adaptará automaticamente não só aos nossos gostos como também às nossas situações. Na rádio, o áudio vai finalmente deixar para trás a sua absurda competição com o vídeo”.

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@jmglastra foi jornalista e comunicador em distintos meios nos últimos 15 anos. Além disso, é especialista em processos produtivos, novas interfaces digitais e modelos de rentabilidade digital em meios audiovisuais. Atualmente, é diretor de desenvolvimento de negócios na Cristaliza.com e vice-presidente da AERO (Associação Espanhola de Rádio Online).

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Vicent Argudo: O meio radiofônico se encontra prestes a viver uma nova juventude. A oportunidade é uma questão já do presente. O smartphone é o rádio portátil do século XXI. É incômodo, para dizer pouco, imaginar um mundo em que ninguém levanta o olhar de uma pequena tela enquanto caminha. A missão pendente é conseguir com que os jovens, os futuros ouvintes, encontrem conteúdos que estejam em sintonia com as suas inquietudes e visão do mundo. Vamos assistir ao surgimento de novos formatos e ao renascimento de outros como as radionovelas reinventadas em seriados radiofônicos. Mas também veremos que, para sermos bem-sucedidos neste novo meio, será muito importante o fator transmídia. No fim, poderemos dizer que a rádio começou a tocar e que, finalmente, ergueu o olhar”.

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@vicent se apaixonou pela rádio quando era adolescente, na emissora do seu instituto. Anos depois, juntamente com dois amigos, colocou em marcha a rádio musical pela Internet scannerfm.com, que recebeu um Prêmio Ondas para a melhor cobertura informativa. Atualmente, é CDO das emissoras musicais da PRISA Rádio: Los 40 Principales, Cadena Dial, m80radio, Máxima FM e Radiolé.

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Fran Sánchez: “A rádio digital do futuro será interativa: todos os ouvintes poderão colaborar de maneira imediata nos programas com os seus votos e com as suas vozes. Será mensurável, já que poderemos ficar sabendo, através das ligações fixas e móveis, quantos ouvintes estão escutando um programa e qual é a sua localização. Graças a essa localização, será possível personalizar os conteúdos de forma local ou por idioma. Também será móvel, ao ser possível os ouvintes se conectarem em qualquer lugar e dispositivo como, por exemplo, o celular ou os carros que terão ligação de dados para escutar as emissoras online de todo o mundo sem interferências. Por último, haverá rádios digitais de ‘nicho’, que darão resposta às preferências dos ouvintes como, por exemplo, escutar música de um determinado estilo, como é o caso do nosso projeto de rádio online Galp Music (www.galp.fm), ou para os amantes do esporte, como a nossa emissora Radio Gym (www.radiogym.com). O futuro da rádio digital é móvel, mensurável, personalizável e interativo”.

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@fransanchezdiaz é jornalista, professor e sócio fundador da plataforma digital Stream Radio.

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Daniel Aragón: “A rádio ideal em 2020 deve conviver com um ADN baseado nos 3 P: posicionamento, prescrição e publicidade. Posicionamento, porque deverá estar completamente adaptada aos sistemas de consumo (smartphones, smartwatches, car play, smart tv, etc.). Prescrição, porque será o principal valor diferencial em relação aos novos suportes de consumo de música digital. E publicidade, porque se trabalhará mais com modelos de publicidade integrada e experiencial, que não interrompam o ouvinte (branded content, e-mail marketing, ações especiais segmentadas, etc.). Trabalhar com dados será essencial neste processo”.

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@DaniEmprende é subdiretor de Los 40 Principales e da Máxima FM em Espanha. Além disso, no seu blog Musicalizza, difunde ideias para sobreviver à nova indústria musical

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Carlos Relloso: “Parece uma constatação óbvia mas, em 2020, a rádio, sobretudo e acima de tudo, será ouvida. No entanto, o consumo ‘em diferido’ irá ganhando peso, permitindo uma maior personalização. Memorize bem esta palavra, porque a escutaremos muito: ‘podcast’. Eu me atreveria mesmo a dizer ‘podcast enriquecido’. Mas a rádio também será lida e será muito mais vista. As barreiras que, historicamente, diferenciaram os meios no mundo analógico se desmoronam no meio digital. O conteúdo continuará sendo rei. Também haverá mais transistores do que nunca. As projeções falam de 5,1 dispositivos conectados por habitante já em 2016. O smartphone, o consumo em mobilidade e os agregadores (novos associados) são o ecossistema a conquistar. E tudo isto se apoiará em elementos diferenciadores como o local, a marca, os talentos… com o enorme desafio de desenvolver também novos modelos de negócio. Olhar apenas 5 anos no futuro é vertiginoso, mas não é também apaixonante?”.

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@osoller é Chief Digital Officer da PRISA Rádio e da PRISA Notícias.

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Nacho Montero:Uma das principais transformações do meio radiofônico propiciadas pela irrupção da tecnologia digital é a possibilidade de criar canais especializados e concebidos à medida como, por exemplo, as ‘Rádios Corporativas’, que permitem às empresas e instituições dispor de uma plataforma única de difusão de conteúdos exclusivos. Graças à implementação dos sistemas digitais, a rádio do futuro terá cobertura mundial, uma altíssima qualidade de som, será personalizada, interativa, multi-dispositivo e multi-idioma, e permitirá medir as audiências em tempo real com a máxima precisão. Além disso, combinada com sistemas como a geolocalização ou as tecnologias de proximidade tipo NFC, a rádio digital do futuro poderá oferecer conteúdos ‘à la carte’ em função da localização geográfica e das preferências dos ouvintes”.

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@monteronacho é jornalista, tecnólogo, escritor e diretor-geral da Stream Radio.
 
 
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