Aitor Grandes: Não se lê menos, mas sim de forma diferente

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Aitor Grandes co-fundador da 24Symbols, um serviço para ler livros digitais na Internet baseado num modelo de subscrição, nos conta como é o seu projeto de transportar uma biblioteca completa para todo o lado nesta grande aposta para unir cultura, entretenimento e mobilidade.

As 10 respostas de:

Aitor Grandes – CEO da 24Symbols

 

Equipo de 24Symbols (de izq. a der.) David Sánchez, Ángel Luengo, Justo Hidalgo y Aitor Grandes

 

P – A 24Symbols é referida em vários meios como o “Spotify dos livros”. É fascinante a idéia de ter uma biblioteca virtual inteira no bolso, tal como todo um catálogo discográfico. Que diferenças e semelhanças há entre as duas plataformas? Como surge a vossa idéia? Quais as dificuldades associadas ao conteúdo em streaming? A “nuvem” é tão simples e acessível como parece?

Bem, o conceito é semelhante e nos ajudou a trasladar a idéia de negócio de forma simples. Mas a execução, claro, tem diferenças.

A idéia nasce da observação do que estava acontecendo no mercado da música e cinema, junto com a aparição de novos dispositivos para consumir livros em formato digital. Vendo as dificuldades que estava tendo a indústria da música e do cinema, pensamos num modelo que pudesse competir com a pirataria e que tornasse as coisas mais fáceis para o usuário, sendo simultaneamente rentável para todas as partes.

Oferecer livros na nuvem é relativamente fácil. O formato dos livros digitais pesa muito pouco e é mais fácil de gerir do que um arquivo de música ou um filme. O fato de o conteúdo estar na nuvem permite que o acesso seja multiplataforma e que o usuário possa desfrutar da leitura em qualquer dispositivo.

P – Numa sociedade em que parece que se lê cada vez menos, porquê oferecer um produto em dispositivos digitais onde se compete diretamente com aplicações audiovisuais que chamam permanentemente a atenção do potencial usuário? Qual é o perfil do vosso usuário-tipo?

Primeiro devo esclarecer que não é certo que se leia cada vez menos, mas se lê de forma diferente. Os mais jovens, por exemplo, lêem mais do que antes, mas noutros suportes. A mim, particularmente, me surpreende o tráfego que temos a partir de smartphones.

P – No videoclube online espanhol Youzee acabam de abandonar o modelo de subscrição e se dedicam apenas a alugar as séries e películas que oferecem. É muito complicado encontrar a fórmula de monetizar os conteúdos online? Qual seria o cenário ideal para este tipo de negócios?

A curto prazo é difícil monetizar os modelos de subscrição, porque é preciso ter uma grande quantidade de conteúdos e escala internacional. O cenário ideal é uma hub de conteúdos em que participem os principais autores.

P – O fator social e as recomendações são uma peça importante no 24Symbols. Como participa o usuário e o que é feito para que mantenha a atividade?

A capa social da plataforma é muito relevante para o projeto porque permite que um usuário recomende os seus livros favoritos nas diferentes redes sociais, partilhe citações, etc. Tentamos reproduzir na plataforma a forma habitual que tem qualquer leitor na rua de chegar a um livro, mediante a recomendação do seu círculo mais próximo.

Por outro lado, acabamos de lançar um sistema de recomendação do estilo do FAB ou Dropbox, através do qual, se trouxer dez amigos, lhe oferecemos um mês premium gratuito, se trouxer 20 amigos lhe oferecemos 3 meses, e se trouxer 30 amigos, um ano. O objetivo é viralizar o produto e baixar o custo de aquisição por usuário.

P – Há um par de anos, quem não estava nas redes sociais estava morto, e hoje se pode extrapolar afirmando que quem não tenha uma app, não existe. No vosso caso, é quase imprescindível. Que vantagens tem a vossa app para o usuário? Como se luta contra a baixa fidelização dos usuários das apps?

Os nossos dispositivos naturais são tablets e smartphones. Portanto, no projeto, damos a máxima relevância ao desenvolvimento de apps para os diferentes dispositivos. Dispomos de uma versão para iPad com a qual estamos muito satisfeitos. Esse mês lançaremos a versão para iPhone e posteriormente a versão Android.

P – Já passou um ano e meio desde o vosso lançamento. Que balanço faz da 24Symbols? Qual é o seu prognóstico para o ano que vem, há novos projetos que possa divulgar?

Bem, foi um ano e meio muito intenso, com o qual estamos muito satisfeitos e durante o qual aprendemos muito.

O balanço do projeto é muito positivo:

  • Contamos com 75.000 usuários e esperamos ter cerca de 100.000 até ao final do ano.
  • Temos a confiança de mais de 70 editoras, e em breve anunciaremos a incorporação de grandes nomes.
  • Duplicamos mensalmente o número de páginas lidas e usuários registrados por mês.
  • Apresentamos o projeto há uns dias em Buenos Aires e esperamos ter uma grande repercussão na América Latina. Neste momento temos muito tráfego de países como o México, Colômbia, Argentina, Chile, etc.

P – As editoras com trabalham são maioritariamente de caráter independente e com títulos de tipo”royalty free”. Os direitos de autor são uma guerra interminável no meio digital? É assim tão complicado atrair a atenção das grandes editoras? O “streaming” é uma arma melhor do que os DRMs para lutar contra a pirataria editorial?

As editoras estão fazendo um grande esforço para se adaptarem ao meio digital. A subscrição na nuvem se consolidará como mais um canal. O ideal para uma editora é ter os seus conteúdos em todos os escaparates possíveis.

P – Gostaríamos agora que nos contasse os seus segredos digitais. Qual foi a sua última compra online? E o seu último capricho digital? E-book e/ou livro impresso?

Ultimamente me tenho interessado por biografias. À de Steve Jobs, obrigatória, acabo de juntar a de Nikola Tesla, que me agradou muito. Leio em digital e em papel de forma indistinta, se não encontro um livro em formato digital, compro em papel. O último que li em papel foi “Viagem ao Oriente”, de Hermann Hesse.

P – Qual é a aplicação que mais utiliza no seu smartphone? Nos recomenda alguma?

Utilizo muito o Tweetdeck, Evernote, WhatsApp. Creio que não sou muito original nas apps, imagino que sejam as de todo o mundo.

P – Tem quase 25.000 seguidores da 24Symbols no Facebook, e mais de 1.600 seguidores no Twitter. Qual dos dois prefere? O que pensa das redes sociais? Imagina um dia sem entrar nelas? Nos segue?

Também temos cerca de 5.000 da 24Symbols no Twitter :-)

As redes sociais nos ajudaram muito. O projeto de popularizou graças a elas. Sou mais do Twitter do que do Facebook.

Agora já vos sigo :-)

 

Miguel Ángel Corcobado
PRISA Digital

 

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