Educar com qualidade através do xadrez

Y

Sou um privilegiado porque todas as minhas atividades profissionais me apaixonam: jornalista, conferencista, apresentador, comentador… Mas o mais estimulante é dirigir os oradores da Fundação Kasparov Ibero-América que, após dar formação em xadrez educativo a mais de 12.000 docentes no México e no Panamá, pretende fazer algo semelhante em Espanha, onde este fim de semana iniciamos uma digressão que passará por quinze cidades. Isto porque vejo que, modestamente, estamos a contribuir para a educação de qualidade de milhões de crianças. O jornal EL PAÍS e a Santillana patrocinam a iniciativa, juntamente com La Caixa e a Renfe.

O nosso grande ponto de referência nesta jornada é uma multiplicação: a do número de docentes e monitores de xadrez formados pelo número de alunos que vão ter nos próximos anos. E somos impulsionados por três motores de grande potência: a paixão por aquilo que fazemos, o apoio de estudos científicos e experiências internacionais que comprovam a eficácia do xadrez como ferramenta pedagógica e o altíssimo índice de satisfação de quem assiste aos nossos seminários de oito horas e ao curso que tem lugar posteriormente, na Internet, e que oferece até 230 horas adicionais. Para variar, e esperemos que sirva de precedente, os nossos políticos merecem um aplauso. No dia 11 de fevereiro de 2015, foi operado um milagre no Congresso dos Deputados: todos os partidos políticos espanhóis votaram a favor de promover o xadrez educativo, seguindo a recomendação do Parlamento Europeu de 2012, com o aval de 415 eurodeputados.

O mais difícil é acabar com os falsos preconceitos: “O xadrez é muito complicado, é só para pessoas muito inteligentes e, por isso, não é para mim.” Ou então: “Não vejo sentido em ter os meus alunos a dedicar uma aula em horário letivo a jogar.” Na realidade, para utilizar o xadrez como ferramenta pedagógica, basta conhecer as regras básicas do jogo e algumas noções elementares de tática e estratégia, que estão ao alcance de qualquer pessoa. O que ensinamos nessas 230 horas não é a técnica do xadrez, mas as suas aplicações educativas, sociais e terapêuticas. E não se trata, de modo algum, de ter os alunos a jogar na sala de aula, mas a fazer com que o professor utilize o xadrez de forma transversal (por exemplo, em Educação Emocional) ou interdisciplinar, como um apoio nas aulas de Matemática (geometria, aritmética, álgebra…), Língua Espanhola, Inglês ou História, sem necessidade de roubar uma hora a uma disciplina.

Quando os docentes e os monitores (de atividades extracurriculares) estão sentados perante nós, tudo corre sobre rodas. Por exemplo, o meu colega argentino Juan Luis Jaureguiberry costuma dizer: “Quase todos nós, quando pensamos num retângulo, imaginamo-lo direito. Mas, se dermos um bispo e um tabuleiro vazio a uma criança, ela vai desenhar um retângulo torcido (inclinado) com quatro diagonais unidas. E essa criança terá então aprendido três coisas importantes: 1) Os retângulos podem ser tortos; 2) Consequentemente, todas as figuras geométricas podem estar tortas; 3) Eu não sou o centro do mundo e as coisas não têm de se adaptar a mim, eu é que devo adaptar-me às coisas tal como elas são na realidade, nem que para isso tenha de inclinar a cabeça e perceber que aquilo também é um retângulo.” Nesse momento, todos os professores de Matemática que estiverem presentes na sala ficam convencidos de que o xadrez pode ser uma ferramenta profissional muito útil para eles.

Este fim de semana, iniciamos a digressão espanhola, com o seguinte itinerário: Leão (dias 12 e 13) e Santiago de Compostela (13-14), Múrcia (18-19), Madrid (19-20) e Bilbau (20-21). Depois de um dia de descanso, passaremos por Oviedo (23-24). E, depois, a última vaga: workshops em Tarragona e Girona (27) e seminários em Valência (27-28), Sevilha (29-30), Málaga (30-31), Pamplona (31-1 de junho), Calviá (1-2), Barcelona (2-3) e Saragoça (3-4). Os pormenores podem ser encontrados no portal da fundação: kasparovfundacionajedrez.com

______________________________________________________________________________

Leontxo_GarciaLeontxo García

Jornalista especializado no xadrez e autor do blog La bitácora de Leontxo

Deixe uma resposta

MENU
Leer entrada anterior
Headphones and Microphone
(Español) Ante las nuevas tendencias lo importante es seguir haciendo buena radio

Desculpe-nos, mas este texto esta apenas disponível em Español.

Cerrar