“Ambas as edições da Orsai eram necessárias para manter uma comunidade de amigos”

Karina-Salguero

Hernán Casciari publicou a primeira entrada do seu blogue Orsai no dia 27 de fevereiro de 2004. Esse diário de bordo pessoal foi acumulando colaboradores e uma grande comunidade de seguidores até que, em janeiro de 2011, se transformou numa revista literária impressa e sem publicidade. A publicação chegou a ser oferecida por 221 distribuidores em 187 cidades do mundo, até que fechou em dezembro de 2013.

Karina Salguero-Moya, uma das editoras da Orsai, faz o balanço desse projeto.

A Orsai nasceu como um blogue e depois se transformou numa revista impressa, precisamente quando todo o mundo falava da crise do papel. Em que pilares assentou esta transformação? Como foi possível?

A Orsai nasceu de uma conversa entre Chiri Basilis e Hernán Casciari. O plano foi fazer a revista que sempre quiseram ler, tocar, cheirar… Essa publicação que existia já na nossa mente e onde se entrecruzavam as coisas que coisas que cada elemento do staff sugeria. Todas essas ideias tinham de ser impressas porque pertencem a um género em que a forma e o conteúdo são uma coisa só. Não podia ser algo digital porque era preciso haver uma concretização, algo que se pudesse tocar.

Tudo isso tinha de ser colocado num papel bonito com essas ideias, histórias, imagens, autores… Era isso: fazer as coisas bem. Explicar que o que é impresso tem de ser de qualidade e que tudo o mais é desflorestação. Não se pensou noutra coisa. Nem se chegou a esse ponto de uma forma lateral.

Que outros projetos nasceram a partir desse blogue?

A editorial Orsai. Publicamos mais de 10 títulos de colaboradores da revista. Somos grandes admiradores da gráfica mundial, dos grandes ilustradores e tentámos publicar a maior quantidade de livros possível de todas as nossas referências.

A revista em papel deixou de ser editada em dezembro de 2013. Qual é o balanço desta experiência?

Longínquo, cada vez mais nostálgico, mas foi melhor do que a aventura que imaginámos. Tínhamos de fazer a Orsai e fizemos.

Que motivos levaram a que deixassem de editar a Orsai em papel?

Há um grande editorial que Casciari escreveu sobre o último exemplar. A Orsai deu origem a outro projeto que recuperava o entusiasmo. É como ter a mente ocupada a todos os momentos, propondo perspetivas diferentes sobre as mesmas coisas e nunca se enfastiando com a rotina; obviamente, o staff só se permite empanturrar de ansiedade.

Que sinergias devem ser estabelecidas entre a edição digital de uma publicação e a sua versão impressa?

São diferentes e complementares. A Orsai é uma revista impressa que tem um referente digital. Esse referente interage e conserva as particularidades do formato multimídia que o alberga. Conviveram bem e ambas eram necessárias para manter uma comunidade de amigos.

Que características devem ter os conteúdos mais adequados para cada uma das edições?

Não vamos começar teorizando sobre isso. Para nós, só há uma forma de produzir conteúdos que agradem: fazê-lo da melhor maneira possível. Algo que nos agrade ou que abale as nossas opiniões. Se o conteúdo é bom, então é adequado. Pensar em registos diferentes para públicos diferentes às vezes exclui novas audiências. Por isso, continuamos pensando em fazer revistas sem target.

José Ángel Plaza
Equipe de Transformação da PRISA

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