É assim que os jornalistas do The New York Times devem usar as redes sociais

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Dean Baquet, diretor do The New York Times (NYT), conhece bem a influência que exercem tanto o seu jornal como os seus jornalistas nas redes sociais. A reputação online das parangonas dos jornais está ligada à reputação dos seus jornalistas, dado ambos terem um papel importante nestes canais sociais digitais, com dezenas de milhões de seguidores que leem e partilham as opiniões dos profissionais destes meios. Isto é algo que preocupava muito Baquet, uma vez que a voz dos jornalistas do NYT é também a voz do próprio jornal e, na sua opinião, era necessário estabelecer um código básico de comportamento na Internet.

As recomendações, que foram elaboradas em conjunto por Cliff Levy, Phil Corbett e Cynthia Collins, têm como base as próprias experiências destes e de outros jornalistas do NYT e, com elas, pretende-se assegurar que a participação nas redes sociais seja responsável e de acordo com os valores que a redação tem mantido ao longo dos anos e que faz do jornal um dos meios de comunicação social mais importantes, não só dos EUA mas também do mundo.

O jornalista e consultor especializado em meios digitais, Ismael Nafría, traduziu de forma fiel e publicou na íntegra no seu blogue as recomendações do diretor do NYT aos seus funcionários, assim como a carta de apresentação das mesas. Destas recomendações, salientamos os seguintes pontos chave a que Baquet dá especial importância.

  • Nas publicações nas redes sociais, os nossos jornalistas não devem expressar opiniões partidaristas, promover opiniões políticas, apoiar candidatos, fazer comentários ofensivos ou qualquer outra coisa que prejudique a reputação jornalística do Times.
  • Os nossos jornalistas devem ter o cuidado de não aparentar tomar partidos em assuntos que o Times esteja a cobrir de forma objetiva.
  • Estas pautas aplicam-se a todos os profissionais em todos os departamentos da redação, incluindo os que não participam na cobertura do governo e da política.
  • Nessa linha, desaconselhamos veementemente os nossos jornalistas a fazerem queixas de apoio ao cliente nas redes sociais. Mesmo que considere ter uma queixa legítima, o mais provável é que receba um tratamento especial devido à sua posição de jornalista ou editor do Times.
  • Evite juntar-se a grupos privados e “secretos” no Facebook e outras plataformas que possam ter uma orientação partidarista. Deve também abster-se de se registar em eventos partidaristas nas redes sociais. Caso se junte a estes grupos para informar, tenha cuidado com o que publica.
  • Trate sempre os outros com respeito nas redes sociais. Se um leitor questionar ou criticar o seu trabalho ou a sua publicação nas redes sociais e tiver vontade de lhe responder, seja ponderado. Não parta do princípio que a pessoa não leu o seu trabalho com atenção.

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  • Se a crítica for particularmente agressiva ou indelicada, talvez seja melhor abster-se de responder. Também apoiamos o direitos dos nossos jornalistas de silenciar ou bloquear as pessoas que se comportam de forma ameaçadora ou ofensiva nas redes sociais. (Mas, por favor, evite silenciar ou bloquear pessoas apenas por criticarem a sua pessoa ou o seu trabalho jornalístico).
  • Caso se sinta ameaçado por alguém nas redes sociais, informe imediatamente os seus supervisores. O Times tem políticas estabelecidas para garantir a segurança dos seus jornalistas.
  • Acreditamos no valor de usar as redes sociais para fazer coberturas ao vivo e oferecer atualizações em direto. Mas pode haver ocasiões em que preferimos que os nossos jornalistas concentrem os seus primeiros esforços nas nossas próprias plataformas digitais.
  • De modo geral, queremos publicar exclusivos nas nossas próprias plataformas primeiro, e não nas redes sociais, mas poderá haver casos em que faça sentido publicar primeiro nas redes sociais. Consulte os seus superiores para obter orientação.
  • Seja transparente. Se publicou um erro ou algo impróprio no Twitter e pretenda eliminar o tweet, certifique-se de que admite rapidamente a eliminação numa publicação posterior. Consulte a nossa política de correção nas redes sociais para obter ajuda.
  • Se incluir ligações para outras fontes, tente apresentar um leque diversificado de pontos de vista. Partilhar uma variedade de notícias, opiniões ou sátiras de outros costuma ser um comportamento adequado. Porém, vincular constantemente apenas um lado de uma questão pode dar a impressão de que também está a tomar partido.
  • Tenha cuidado ao partilhar notícias inéditas ou histórias provocadoras de outros meios que o Times ainda não tenha confirmado. Em alguns casos, um tweet da história de outro meio de comunicação publicado por um jornalistas do Times foi interpretado como uma confirmação da história por parte do jornal, quando não foi esse o caso.
  • Queremos que os nossos jornalistas sintam que podem utilizar as redes sociais para fazer experiências com estilos de voz, enquadramento e jornalismo, especialmente quando essas experiências levam a novas formas de contar histórias nas plataformas do Times.
  • Obviamente, vale a pena enfatizar novamente que, lá porque os nossos jornalistas podem experimentar coisas novas nas redes sociais, isso não significa que tenham carta-branca para enveredar por editoriais ou artigos de opinião.

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