Avatares de uma imigrante digital #13

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.Sexta-feira 13

– Olá, Richard – disse Ana com o único intuito de cumprimentá-lo.

– Se você me quer matar do coração, força, sem medos.

– Minha nossa, como isto está. Posso saber o que se passa com você?

– Hoje é sexta-feira 13, Anita.

– Já entendi! Que foi, continua tendo pesadelos com o Jason?

– Engraçadinha. Não é bonito rir das fobias dos amigos. Juro, se o meu cérebro fosse um disco duro, apagaria todos os filmes de terror que vi na minha juventude com a mania de me fazer do machão que nunca fui. Mas esse não é o problema.

– Pronto, então qual é?

– Um vírus.

– Suponho que esteja falando de um vírus informático, porque você está fresco como uma alface.

– É óbvio, tive uma experiência traumatizante com um vírus chamado Sexta-Feira 13. Parece que foi inventado por um judeu para celebrar a criação do Estado de Israel, veja só.

– Caramba, esse homem tinha uma ideia muito sui generis do que é uma festa.

– Sim, um engraçadinho. Como estava dizendo, quando estudava no colégio, o meu pai, que foi um pioneiro em questões informáticas, me obrigava a escrever os meus trabalhos no computador, ainda daqueles com caracteres verdes florescentes. Dizia que aquilo era o futuro, e tinha toda a razão! Um dia, uma sexta-feira 13, claro, tinha de fazer um trabalho extenso e implorei ao meu pai que me deixasse usar a máquina de escrever elétrica, mas ele era espertalhão e tinha-a escondido no canto mais recôndito e alto do armário.

– Ouça, aqui quem escreve contos sou eu…

– Calada, que estou quase a terminar. O que aconteceu é que tive de fazer o maldito trabalho no computador. Trabalhei com todo o afinco, salvei-o com muito cuidado e, de repente, aquela máquina infernal começou apagando coisas a torto e a direito, e naquele tumulto todo, perdi o meu trabalho. Na segunda-feira, entreguei uma porcaria qualquer e a professora, que não acreditou nem um pouco na minha desgraça, me suspendeu sem hesitar um momento. Uma nódoa no meu currículo brilhante.

– Parece que hoje invertemos os papéis, mas gostei de ouvir você chamar «máquina infernal» a um computador.

– É para você ver, Anita, no melhor pano cai a nódoa. Desde então, para mim, o antivírus é o melhor amigo do homem.

– Ora aí está. Já agora, Richard, você já se deu conta de que este é o capítulo 13?

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Já todos nos perdemos alguma vez neste novo e mutável mundo digital tão repleto de tecnologia. Descubra através da Ana como todos estes avatares vão afetando uma personagem totalmente analógica que, de repente, se vê envolvida em todo este mundo cibernético.

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