Avatares de uma imigrante digital #3

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3.  Ser viral não é uma coisa má?

Woman wearing a face mask

«Ana, você é fantástica e a personagem da Ana Lógica é perfeita, vamos transformar o seu blogue num fenômeno viral».

Ela tinha lido a frase nessa manhã num e-mail que a chefe lhe tinha enviado. Ana se sentia confusa, mas não ia permitir que Richard risse dela, como era costume. Para uma filóloga, viral vinha de «vírus», mas a mensagem parecia elogiosa. Pesquisou a palavra viral na Wikipédia, como Richard costumava recomendar; sempre tinha sido uma boa aluna. Efetivamente, a etimologia continuava se aplicando, mas, neste caso, o vírus infetava os organismos de uma forma positiva.

– Parabéns, querida, é uma notícia estupenda – disse Richard, visivelmente emocionado, quando ela lhe contou.

– Me chame pedante, Richard, não me importo, mas podiam ter escolhido melhor o nome. Tenho de ficar feliz porque as minhas palavras se inoculam em mentes alheias? Tenho de celebrar o fato de me tratarem como um vírus qualquer?

– Você é pedante, Ana… Estava pedindo a ofensa. Sacuda as teias de aranha de uma vez, a linguagem é uma coisa viva, ela se adapta aos tempos. Sei que você preferia um lugar na Real Academia da Língua, mas não há nada a fazer, você vai se tornar famosa nas redes sociais. Hoje em dia, isso tem muito mais impacto, acredite. E já agora, alguns vírus são tudo menos vulgares, fique sabendo.

Ana virou as costas como se estivesse ofendida, mas um leve sorriso assomou aos seus lábios. Lá no fundo, estava felicíssima.

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Já todos nos perdemos alguma vez neste novo e mutável mundo digital tão repleto de tecnologia. Descubra através da Ana como todos estes avatares vão afetando uma personagem totalmente analógica que, de repente, se vê envolvida em todo este mundo cibernético.

Se se identifica com Ana, basta enviar-nos a sua confissão escrevendo o seu comentário no final da página.

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