Cantos de sereia no Facebook

SirenasFB

… Chegará primeiro às sereias, que encantam os homens que vão ao seu encontro.

Homero. A Odisséia, canto XII, século VIII a.C.

Após a aventura da entrada em bolsa, em que não consegue retomar o vôo, apesar dos prognósticos prévios, o Facebook não pode permitir que saia da sua rede um só usuário. Um recente inquérito da Reuters/Ipsos, afirma que 34% dos usuários estão perdendo interesse na rede social. A fim de parar isso, o Facebook busca formas para que os usuários permaneçam todo o tempo possível dentro de seus muros e que realizem aí a maioria das coisas que costumam fazer na Internet: comunicar, procurar informação, partilhar, jogar, ver cinema, ou até comprar um presente. A rede social implementa recursos cujos atrativos “prendem” o usuário, como o coro de sereias prende os marinheiros que escutam o seu canto.

Cantos de sereia nos motores de busca

Se o Google (um motor de motor de busca), ou a Microsoft (uma produtora de software), podem criar a sua própria rede social ou adquirir outras (Google+, So.cl e respectivamente) todas feitas à imagem e semelhança do deus das redes sociais, porque não poderia o Facebook entrar noutros negócios alheios ao seu próprio campo?

Corre há meses o rumor de que o Facebook está desenvolvendo o seu próprio motor de busca na Internet, que seria integrado diretamente na rede social e que daria prioridade nas suas buscas à grande quantidade de conteúdos gerados diariamente pelos seus milhões de usuários. Tendo em conta que o Google não pode pesquisar dentro do Facebook, não é de estranhar que o rei dos motores de busca se sinta mais seriamente ameaçado pelo possível lançamento do Facebook do que pelos seus concorrentes atuais, que apenas conseguem arranhar umas migalhas das suas buscas.

Dizem os rumores que o Facebook poderia adquirir o motor de busca Bing, da Microsoft, cujo motor já utiliza para as suas buscas internas, para desenvolver esse novo modelo de negócio. Segundo o Bloomberg Businessweek, o mercado das buscas movimenta 15.000 milhões de dólares (11.317 milhões de euros) por ano em publicidade, pelo que não é de estranhar o interesse do Facebook nesta porção do mercado.

A empresa de Mark Zuckerberg tem em risco aquela que tem sido até agora a sua base mais sólida: o Facebook como novo espaço de relacionamento entre as marcas e os seus usuários. Alguns especialistas negam que o Facebook tenha esse papel, e o mais grave é que algumas grandes marcas já decidiram abandonar o investimento em marketing social no líder das redes sociais. O Facebook vê que o seu grande argumento de venda pode ruir num mar excessivo de dados. As recomendações de compra de produtos entre mais de 125.000 milhões de relações de amizade que produzem mais de 3.200 milhões de “gostos” não são, necessariamente conversíveis em dinheiro.

Enquanto trabalha para despertar o interesse do usuário de forma contínua e responder à todas as suas necessidades digitais, foi tomada uma decisão muito debatida nas suas fileiras: vai rejuvenescer o seu público. O Facebook, perfeitamente conhecedor do êxito do Tuenti na Espanha, decidiu permitir o acceso à rede a menores de 13 anos, até agora restrito. Quer gostem do Justin Bieber ou não, a adolescência é a idade mais desejada pelas marcas. A Coca-Cola explica sempre que se dirige aos jovens porque é nesses anos que decidem se gostam de Coca-Cola ou não. E normalmente, é uma decisão para toda a vida. E incorporar os jovens significa ainda uma grande oportunidade parar os jogos que a Zynga tem alojados na rede. Mas também é claro que o Facebook não pode abrir novos mercados danificando o seu prestígio social, nem criando dúvidas sobre o nível de segurança ou privacidade dos usuários deste tipo. Portanto, os menores devem se inscrever diretamente nos perfis dos seus pais.

Cantos de sereia nos celulares

A busca de novos horizontes leva a empresa de Mark Zuckerberg a se introduzir noutro negócio de futuro, o dos smartphones.

Já em 2011, através de um acordo com a empresa sul-coreana HTC, lançou dois modelos com nomes muito alegres, o Chachachá e o Salsa. Ambos incorporavam um botão que permitia publicar diretamente no mural do Facebook qualquer coisa que se estivesse vendo com o dispositivo, uma foto, uma ligação web, etc. Há que acrescentar que no último Congresso Mundial de Celulares de Barcelona, o Facebook anunciou a criação da Core Mobile Web Platform, um consórcio formado por empresas tanto de fabricantes como de operadores móveis, como o Firefox e a Telefónica, cujo objetivo é comercializar dispositivos inteligentes de baixo custo.

Nesta nova aposta na mobilidade o Facebook incorporou dois engenheiros da Apple que participaram na criação do iPhone e do iPad, o que pode colocar em alerta a marca da maçã. Entre as incorporações anunciadas para o novo dispositivo, foi anunciado que terá o sistema operativo Android e aplicações baseadas no HTML5. O projeto tem o nome de código, “Buffy”, inspirado na heroína caçadora de vampiros de uma das séries de televisão mais adoradas pelos jovens nos Estados Unidos.

É uma nova aproximação à estratégia da rede social espanhola Tuenti, que já há alguns meses se lançou na aventura dos celulares, comercializando tarifas para celulares bastante competitivas. No entanto, a Tuenti não planeia fabricar o seu próprio dispositivo.

Quem que se atreveu a comercializar o seu próprio celular, já em 2009, foi a Google, que lançou para o mercado o Nexus One, um estrondoso fracasso comercial de que se espera ressarcir com o novo Nexus S, fruto de um acordo com a Samsung, cujos celulares batem recordes de venda, o que assegura uma melhor saída comercial para este dispositivo.

E mais cantos de sereia

Outra opção pensada em Palo Alto para “prender” os seus usuários durante mais tempo é a criação do Facebook Games, jogos virais para jogar com os amigos na rede. E Trending Videos, onde aparecem os vídeos que circulam pela rede social e que recebem mais visualizações em tempo real. Ao estilo da opção Trending Articles, criada há vários meses e que mostra as tendências informativas de que mais se está falando na rede.

Cantos de serei nas notícias

Este último produto, que não teve muito êxito, é apenas um dos que a rede de amigos está lançando para destronar a rede de seguidores, o Twitter, da liderança da informação. Em 2011, o Facebook lançou um pacote de recursos para jornalistas chamado Facebook + Journalists. Esta iniciativa, capitaneada por Vadim Lavrusik, foi apresentada na Espanha durante o Paley Center, evento que decorreu em Madrid em abril de 2012. O objetivo deste projeto é que os mídia utilizem o Facebook como plataforma para difundir as suas notícias ao mesmo tempo que disponibilizam uma grande quantidade de conteúdo à rede social com que informar e entreter os seus usuários. O Facebook compete com o Twitter desde que a rede do passarinho azul se posicionou como líder indiscutível de distribuição de informação instantânea.

Ainda que o Facebook seja desde o início um depósito adequando para fotografias pessoais, (atualmente cerca de 300 milhões de fotos por mês), a rede viu triunfar aplicações sociais de grande agilidade, e decidiu adquirir a mais popular, o Instagram. Comprou a famosa plataforma de fãs de captar tudo através da objetiva dos seus smartphones pelo alarmante preço de 1.000 milhões de dólares. Mas, enquanto espera que o governo dos EUA valide a compra, lançou um dispositivo parecido, o Facebook Camera App, uma aplicação pela qual pagou quase 765 milhões, que também não é fichinha. A aplicação é desenvolvida à custa do Instagram e permite fazer o upload de várias imagens em simultâneo para a rede social, ainda que, por enquanto, só através de dispositivos com iOS. Segundo o próprio Zuckerberg, ambas as aplicações funcionarão de forma independente, inclusivamente da rede social, já que não estão integradas, pelo menos por enquanto.

Outro dos últimos métodos mais agressivos da rede social para procurar visitas é a mudança radical e sem aviso dos correios eletrônicos ( …@facebook.com) dos mais de 900 milhões de usuários que tem espalhados por todo o mundo. Assim, assegura que se quisermos ver as notificações tenhamos de aceder ao nosso perfil.

É mais do que evidente. Os gigantes da Internet, ou seja, as páginas ou serviços a que recorrem diariamente milhões de pessoas em todo o mundo, sabem que a sua hegemonia não está garantida, e diversificam as suas estratégias para a garantir. Todos eles ocupam agora o lugar que outros ocupavam antes, e sabem o que os espera se fraquejarem. A diferença é que agora há mais usuários e sobretudo mais formas de acesso para além do computador pessoal. Dominar a forma de acesso e sobretudo os dispositivos de acesso parece ser a chave, pelo menos no futuro próximo. Eles sabem melhor do que ninguém: tanto a tecnologia como os hábitos mudam muito, e a formiga digital de hoje pode ser o gigante tecnológico do amanhã.

Miguel Ángel Corcobado
PRISA Digital

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A busca de novos horizontes leva a empresa de Mark Zuckerberg a se introduzir noutro negócio de futuro, o dos smartphones.

Já em 2011, através de um acordo com a empresa sul-coreana HTC, lançou dois modelos com nomes muito alegres, o Chachachá e o Salsa. Ambos incorporavam um botão que permitia publicar diretamente no mural do Facebook qualquer coisa que se estivesse vendo com o dispositivo, uma foto, uma ligação web, etc. Há que acrescentar que no último Congresso Mundial de Celulares de Barcelona, o Facebook anunciou a criação da Core Mobile Web Platform, um consórcio formado por empresas tanto de fabricantes como de operadores móveis, como o Firefox e a Telefónica, cujo objetivo é comercializar dispositivos inteligentes de baixo custo.

Nesta nova aposta na mobilidade o Facebook incorporou dois engenheiros da Apple que participaram na criação do iPhone e do iPad, o que pode colocar em alerta a marca da maçã. Entre as incorporações anunciadas para o novo dispositivo, foi anunciado que terá o sistema operativo Android e aplicações baseadas no HTML5. O projeto tem o nome de código, “Buffy”, inspirado na heroína caçadora de vampiros de uma das séries de televisão mais adoradas pelos jovens nos Estados Unidos.

É uma nova aproximação à estratégia da rede social espanhola Tuenti, que já há alguns meses se lançou na aventura dos celulares, comercializando tarifas para celulares bastante competitivas. No entanto, a Tuenti não planeia fabricar o seu próprio dispositivo.

Quem que se atreveu a comercializar o seu próprio celular, já em 2009, foi a Google, que lançou para o mercado o Nexus One, um estrondoso fracasso comercial de que se espera ressarcir com o novo Nexus S, fruto de um acordo com a Samsung, cujos celulares batem recordes de venda, o que assegura uma melhor saída comercial para este dispositivo

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