Comics para educar

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São cada vez mais os professores que se sentem incentivados a introduzir a banda desenhada nas aulas. Muitos alunos consideram este formato muito fácil de entender porque o conteúdo é apresentado de forma sequencial, através de vinhetas com imagens e texto, sendo muito mais simples compreender o decorrer da história.

Este formato promove tanto a alfabetização tradicional como a visual, uma vez que estamos perante uma forma de expressão que se concentra em imagens que se associam a textos. Além disso, a leitura e a própria criação de banda desenhadas na aula ajudam a melhorar as capacidades narrativas e de síntese dos alunos.

Se, além disso, tivermos em conta o valor fundamental que a imagem adquire para entender corretamente a sociedade e a cultura atual, é muito importante ensinar os alunos a compreender e a interpretar os quadrinhos como suporte para textos e como base para entender de forma adequada a informação que vão encontrar nos livros. Tudo isto lhes permitirá desfrutar da leitura e, assim sendo, transformar-se em leitores assíduos.

Por outras palavras, a utilização da banda desenhada como recurso educativo pode transformar-se numa grande competência para fomentar o gosto pela leitura, já que o uso de imagens atrativas e sugestivas faz com que a interpretação dos textos narrativos seja mais simples.

Por exemplo, em idades mais precoces, a banda desenhada permite a aprendizagem de sequências de imagens que potenciam a compreensão da causa e efeito e, além disso, desenvolve a socialização através de uma atividade tão lúdica como a leitura de histórias em quadrinhos. Por outro lado, em idades mais avançadas, favorece a capacidade de sequenciação argumentativa, não só orientada para a leitura mas também para a criação e para o desenvolvimento da imaginação.

Posto isto, resta-nos ficar a conhecer as melhores bandas desenhadas para fazer uso deste recurso na sala de aula e saber com que ferramentas contamos para que as crianças realizem as suas próprias criações, seja na aula ou em casa.

A seleção das bandas desenhadas mais apropriadas dependerá sempre de uma análise prévia do professor ou do encarregado de educação, considerando a sua adequação ao nível de leitura do aluno, à sua idade e ao tema que se vai trabalhar. A avaliação destes fatores determinará o êxito desta experiência de leitura.

Atualmente, há cada vez mais autores que criam as suas obras com um enfoque prioritariamente pedagógico. Dentro deste âmbito, encontramos um exemplo na Colección Científicos criada por Jordi Bayarri, que em cada fascículo nos apresenta a biografia de alguns dos cientistas mais importantes da História da Humanidade: Darwin, Galileu, Newton…

Darwin, de Jordi Bayarri

Outros autores, muito vinculados ao género da novela gráfica, tendem a dar um enfoque cultural, social e histórico às suas obras, o que lhes confere um indiscutível valor didático. Dentro deste grupo, poderíamos incluir muitíssimos nomes, de entre os quais gostaria de destacar Art Spiegelman, Marjane Satrapi, Craig Thompson, Guy Delisle, Joe Sacco, Jiro Taniguchi… ou os espanhóis Paco Roca, Carlos Giménez, Miguel Gallardo, Alfonso Zapico, Cristina Durán…

Por outro lado, não podemos esquecer a capacidade pedagógica de clássicos da banda desenhada tão importantes como Bill Watterson (com Calvin & Hobbes), o próprio Quino (cuja Mafalda está celebrando o seu aniversário), Charles Schulz (com o carismático Snoopy), Caloi (com Clemente), Fontanarrosa e até mesmo Liniers (com Macanudo). E não podemos esquecer-nos, obviamente, do imprescindível Hergé. Isto é apenas uma pequena seleção pessoal que não faz mais do que abrir a porta a outros possíveis autores e obras onde certamente poderemos encontrar muitos outros elementos de um inegável valor didático.

Outro exemplo do potencial pedagógico deste género é o seu uso cada vez mais extenso dentro de manuais escolares e outros materiais educativos para explicar conceitos que podem ser expostos de uma forma sequencial. Este recurso é empregado, por exemplo, no ensino de línguas para representar diálogos que podem surgir em situações reais ou fictícias:

Richmond

E se através do formato de banda desenhada se torna mais simples e mais motivador para os alunos entender os conceitos, também é um recurso de utilização muito fácil para demonstrar as suas capacidades narrativas. Portanto, a criação de histórias em quadrinhos na aula permite ao aluno potenciar as suas capacidades para investigar e analisar um tema, organizar os seus pensamentos ou os factos para depois os representar de forma sequencial e combinar texto e imagem para os representar em formato de banda desenhada.

A tecnologia facilita o desenvolvimento deste tipo de projetos na sala de aula. Algumas das ferramentas mais usadas neste tipo de atividades são:

  • Pixton Ferramenta online que oferece uma série de modelos que permitem criar as sequências com quadrinhos, fundos, elementos decorativos, balões ou personagens predefinidas. Disponível numa versão gratuita e noutra paga, que é mais completa.
  • Toondoo Outra ferramenta online que, mediante cadastro prévio, permite criar histórias em quadrinhos sobre qualquer tema que se esteja trabalhando na aula. Muito semelhante à anterior, com a diferença de que permite variar a expressão do rosto ou da posição do corpo das personagens predefinidas. Acesso gratuito.
  • Bitstrips Outra ferramenta online que permite desenhar quadrinhos e construir histórias de uma forma simples. Oferece a possibilidade de aplicar controles e filtros uma vez criada a banda desenhada. Acesso gratuito.

 

Algumas destas ferramentas contam já com uma versão para celular, mas existem também aplicações criadas exclusivamente para este fim, como por exemplo:

  • Comic Book! Aplicação para iOS e para Android que permite criar histórias em quadrinhos através de fotografias tiradas com o celular. Podemos selecionar quadrinhos, filtros e balões para desenvolver a história. Tudo por um preço de 1,50 euros, aproximadamente.
  • Comic Strip It! Com esta aplicação, é possível criar histórias em quadrinhos através de imagens da galeria ou de fotos tiradas com o celular. Os quadrinhos podem ser ampliados ou encolhidos, colocados em posições diferentes e ainda se podem configurar com elementos e filtros próprios da app. Dispõe de uma versão Lite e de outra paga (0,99 euros).

Após tudo isto, e para concluir, gostaria de insistir na repercussão que a banda desenhada pode ter nos processos de ensino e de aprendizagem. A mais importante é talvez a mais evidente: fomentar os hábitos de leitura entre os alunos, criando bases para os transformar em leitores assíduos. No entanto, há outros motivos de grande valor que fazem da banda desenhada um recurso fundamental:

  • Facilita a interpretação e a compreensão da informação.
  • Fomenta a capacidade de abstração e a imaginação.
  • Desenvolve e potencia os esquemas espácio-temporais, graças à sequencialidade do que é representado.
  • Inicia os alunos na alfabetização visual, estabelecendo contacto com conceitos relacionados com a arte.
  • Desperta o interesse pela escrita e potencia as capacidades narrativas.

David García

Chefe de projetos de Mobilidade da Santillana Negócios Digitais

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