O impacto do Brexit e de Trump nos modelos pagos na imprensa

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É possível que factos como o Brexit ou a presidência de Trump tenham potenciado o modelo de paywall dos jornais? Segundo o mais recente estudo da agência evoca, “O auge dos modelos pagos”, estas mudanças sociais e políticas tiveram repercussões nos meios digitais tradicionais dos Estados Unidos da América e Reino Unido.

Os ataques de Trump à imprensa fez com que, inesperadamente, aumentassem tanto o número de assinantes como o de donativos para estes meios de comunicação. O caso mais significativo é o do The New York Times, que arrecadou 276.000 novos assinantes digitais entre outubro e novembro de 2016. Por sua vez, o Washington Post, do qual não há dados oficiais, poderá ter ultrapassado os 300.000 assinantes e a publicação ProPublica conseguiu em fevereiro deste ano arrecadar donativos no valor de 600.000 dólares, quantia que ultrapassa o total obtido ao longo de todo o ano de 2016.

rp_paywall-inversion-en-medios.pngÉ evidente que as mudanças sociopolíticas estão a acelerar algo que apresentava já uma evolução positiva, os modelos pagos dos meios de notícias. Nas palavras do próprio presidente e CEO do The New York Times, Mark Thompson: “O efeito Trump ajudou-nos, sem dúvida, mas também se dá o caso de os cidadãos se estarem a habituar, aos poucos, a pagar pelos conteúdos que recebem na Internet. É o futuro.”

Os fatores que promovem o aumento destes modelos pagos no mercado digital anglo-saxónico são, principalmente:

  1. A constante queda da publicidade impressa e o fraco crescimento da digital.
  2. O atual poder das plataformas de distribuição.
  3. O aumento dos bloqueadores de anúncios.
  4. O auge das notícias falsas.
  5. O efeito “Trump Communication Machine”.

Ou seja, à necessidade de procurar novos modelos de negócio junta-se a procura de um segmento do público de meios informativos mais seguros e de maior credibilidade. Para este tipo de leitores, estes aspetos continuam a estar ligados às marcas tradicionais.

Atualmente, convivem meios de comunicação social que estão satisfeitos com o seu modelo de paywall e outros que foram obrigados a abdicar deste sistema ou a procurar alternativas mais atrativas para o utilizador, como os pagamentos por leituras limitadas ou concretas, os chamados paywall soft ou metered. A verdade é que, com a quebra da publicidade, que se prevê que continue em queda, os modelos menos restritivos poderiam potenciar o negócio no seu conjunto, uma vez que são uma fonte adicional de receitas, permitem conhecer melhor o utilizador através dos dados e são uma ajuda contra o adblocking.

paywall trump y brexitComo se encontra então o ecossistema dos meios de comunicação social em relação ao seu financiamento? Agregadores, micropagamentos, membership, gratuidade, fake news e outros elementos que afetam os meios e que Pepe Cerezo, responsável da agência evoca, disseca e nos mostra neste interessante white paper e que o leitor pode descarregar diretamente a partir daqui.  Descargar

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