Como podem a neurociência e as TIC ajudar as necessidades educativas especiais?

Little girls playing on a tablet computing device
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NeuroeducaciónComo comunidade digital de aprendizagem, na Inevery Crea sentimos necessidade de estar mais perto dos nossos companheiros de viagem, e seguindo este impulso, organizamos encontros para nos “desvirtualizar”. Estes espaços chamam-se Café Crea e permitem-nos trocar experiências com especialistas externos e usuários sobre temas de inovação educativa. A aprendizagem aumentada, edugaming ou redes sociales na educação foram protagonistas em ocasiões anteriores desta conversa.

Desta vez, fazemos eco de dados que influenciam o nosso quotidiano, embora frequentemente não estejamos conscientes disso. Todos os anos, 20% das crianças escolarizadas recebe um diagnóstico de dificuldades de aprendizagem: dislexia, TDA (Transtorno do Déficit de Atenção) e TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção por Hiperatividade), autismo, incapacidades funcionais ou elevadas capacidades, entre outras.

Hoje,  quinta-feira dia 27 de fevereiro, debateremos numa nova edição do Café Crea o potencial das TIC e da neurociência para propiciar uma melhoria da educação, em especial perante alterações da aprendizagem. Especialistas do tema permitir-nos-ão estabelecer pontes entre a educação, as TIC e a neurociência. Convidamo-lo a participar na conversa, presencialmente ou através da Internet, a partir das 19:00 (hora espanhola).

Até lá, gostaríamos de partilhar alguns dados que analisaremos a fundo no encontro.

Neuroeducação, TIC e Necessidades Educativas Especiais: o que demonstram as investigações?

Tratam-se de casos isolados, ou são identificadas cada vez mais crianças com alterações no processo de aprendizagem? É correto culpar as novas tecnologias pelas dificuldades? O que acontece quando não são detectadas a tempo? A Internet está realmente mudando o nosso cérebro?

Os sujeitos com dislexia constituem 10% da população mundial e cerca de 2 a 8% das crianças escolarizadas. No documentário “Palabras al viento”, se reconhecem situações quotidianas que nos podem ajudar a identificar os seus sintomas.

Por outro lado, se estima que entre 5 e 7% da população infantojuvenil padece de TDAH, o que equivale a uma ou duas crianças por aula. Mais de 80% das crianças continuarão apresentando problemas na adolescência e entre 30-65% na idade adulta. Este clip de animação conta a história de Pablo, uma criança de 7 anos a quem foi diagnosticado TDAH.

No caso do autismo, deixamos de identificar um caso em cada 2.500 jovens até aos 25 anos, e passamos a aceitar que esses problemas afetam uma em cada 170 ou 250 crianças. Segundo a OMS, o autismo afeta 21 em cada 10.000 crianças e tem maior prevalência em rapazes. O desenhista Miquel Gallardo realizou a curta-metragem baseada na sua banda desenhada “El viaje de María” (produzido pela Fundação Orange), um mergulho no mundo da sua filha adolescente autista que combate mitos e preconceitos com energia, cor e criatividade.

As atuais investigações sobre o conceito de inteligências múltiplas acreditam que o número de crianças com talento e elevada capacidade pode representar 10% da população mundial. Entre 98% e 99% das pessoas que as têm vivem toda a vida sem descobrir o seu potencial. O documentário galardoado no Festival de Cinema de Málaga com o prêmio do público, “Superdotados: al este de la campana de Gauss” dá visibilidade ao que aparentemente é uma contradição: uma inteligência acima do habitual não garante o êxito escolar nem profissional se não for apoiada.

Os pais, docentes e alunos se sentem informados e acompanhados após o dianóstico? O que pode a neuroeducação oferecer ao ensino inclusivo?

A grande maioria dos alunos resolve as dificuldades numa escola normal com tratamento adequado, enquanto uma minoria das ajudas educativas especializadas requer, pela sua maior complexidade, a existência de meios, centros e serviços que garantam a correta evolução das crianças.

A atriz e realizadora Susanna Barranco reflete desde a maternidade sobre a incapacidade funcional num itinerário que abrange a escolarização até à idade adulta, através do documentário “El silencio de Jonc”.  Jonc é o que dança melhor na apresentação do filme e é seu filho.

O professor da sala de Jonc mostra a importância de contar com um diagnóstico preciso como instrumento para que a criança progrida na sua aprendizagem, colocando em primeiro plano as muitas capacidades que tem, em vez dos potenciais obstáculos. Neste contexto, o docente e catedrático de Fisiologia Humana Francisco Mora Teruel, que fará parte do grupo de oradores do Café Crea de hoje, faz notar o seguinte no artigo “La neuroeducación demuestra que emoción y conocimiento van juntos”, publicado no blog Ayuda al estudiante (El PAÍS):

“…a neuroeducação aborda o conhecimento dos alicerces básicos de como aprender, memorizar e ensinar. E como fazê-lo melhor em todo o espetro de aquisição de conhecimento e dos vários ingredientes que o constituem. Elucidando assim os meandros da individualidade e das funções sociais complexas, o rendimento mental, o desafio cerebral da Internet e redes sociais, ou como ser um mestre ou professor excelente”. 

No seu livro “Neuroeducación” (Alianza), Mora apresenta a figura do neuroeducador como um especialista a meio caminho entre médico e profissional de educação, capaz de ser um consultor para docentes, pais e alunos nas ações de orientação escolar e familiar, tanto se forem apresentadas dificuldades como se se procurem padrões de otimização da aprendizagem. Na entrevista concedida a “Para todos La 2”, explica quais seriam os benefícios para a escola de contar com um profissional com este perfil:

Em muitos casos, as novas tecnologias permitem desenvolver iniciativas individuais e empresariais que compensem as carências do sistema educativo. Os criadores de Pictoaplicaciones oferecem uma série de aplicações orientadas para as crianças com dificuldades de comunicação oral que muitos professores, como Rosa Aparicio no seu blog “iPads y autismo”, recomendam a pais e educadores para encurtar a curva de aprendizagem dos seus estudantes. As TIC já não são apenas um objetivo curricular nas escolas espanholas, também fazem parte do conjunto de ferramentas transversais que docentes e alunos incorporam com mais rapidez na metodologia do ensino inclusivo.

Quer participar na conversa sobre o futuro da educação? Toda a informação em Inevery Crea e no hashtag  #cafecrea. Assista ao streaming.

Isabel Andrade

Santillana Negocios Digitales

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