Arqueologia digital. Da enciclopédia Larousse ao Twitter

15052012

Agora que se aproxima o Dia da Internet, resolvi deitar a mão ao disco duro e rebobinar até ao meu passado analógico. Não sou uma pessoa nostálgica, pelo que decidi limpar o pó apenas a algumas pequenas velharias. Aqui ficam elas:

 

  • Quando andava no colégio, usava a enciclopédia Larousse para fazer os trabalhos. Era o único “buscador” que havia em minha casa.
  • Só soube o que era a Internet quando andava na faculdade.
  • Passei a adolescência sem mensagens instantâneas. E sem posts, sem emoticons, sem abreviaturas…
  • As fotos não se partilhavam. Eram mostradas (o único rasto digital era o incrível número de dedadas com que ficavam), fazíamos cópias e até as enviávamos, mas por correio (o normal).
  • Tive o meu primeiro computador ligado à rede, em casa, quando tinha já 24 anos! Mas só podia usar a Internet a partir das seis da tarde ou ficaria na falência, claro.
  • Tinha 25 ou 26 anos quando fiz as minhas primeiras compras online. Primeiro, fiquei empolgada com o eBay. E, depois, comprei uma viagem, claro.

 

Vivi até ter cerca de 30 anos habituada a esperar em longas filas para comprar um ingresso para o cinema ou para o teatro. Ler o jornal logo de manhã sem ter de sair de casa parecia um luxo. Se queria consultar o saldo da minha conta, tinha de ir ao banco. Comunicar a partir do estrangeiro ou para o estrangeiro implicava gastar muito dinheiro ou ter conversas telegráficas, do género “Está tudo bem. Eu volto a ligar”. Ah, e mostrar fotografias, só quando voltava e em papel, claro. Reservar um hotel num lugar desconhecido era quase um ato de fé cega. E, como estas, havia muitas outras coisas que faziam parte da minha rotina diária. Agora, custa imaginar o que seria preparar uma viagem sem a Internet, reservar um hotel sem ver primeiro a sua página e ler as críticas de outros usuários, ou ficar perdida numa cidade sem recorrer ao Google Maps a partir do meu celular. Já não imagino comprar um bilhete de avião ou de trem numa agência e fico aliviada por saber que, se a minha geladeira está vazia, posso sempre resolver o problema no meu sofá, à hora que eu quiser. Já não imagino passar um dia sem ler algo interessante no Twitter ou sem manter contacto com velhos conhecidos no Facebook de vez em quando e falar com os meus amigos no outro lado do oceano através do Skype. Mas, acima de tudo, já não imagino como seria o dia-a-dia sem abrir a gigantesca janela que é a Internet. Um dia sem consultar algo, sem buscar algo? Custa, não custa?

Gostava de saber como verá um nativo a sua vida digital num momento de flashback, quando tiver 40 anos. Imagino como será ter crescido com uma tela tátil ligada à Internet. Ter nascido depois da criação das redes sociais. E você? Em que medida a Internet mudou a sua vida? Comente este post, envie a sua mensagem para a nossa conta do Twitter ( @toyoutomeblog, adicionando o hahstag #DiadeInternet ) ou envie um e-mail para toyoutome@prisadigital.com. Queremos celebrar o Dia da Internet, que acontece no próximo dia 17 de maio, com as melhores histórias e episódios dos nossos usuários.

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