Da iogurteira à rede… Feliz Dia da Internet

20052012
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Ninguém chega ao trabalho de manhã nem liga ao seu amor ou à sua família e deseja “feliz Dia da Internet”. Também não há presentes, livros, rosas vermelhas e jantares a dois. Mas fica a pergunta: por que não celebrar o Dia da Internet? Alguém tem planos? Na página diadeinternet.org, foi publicado um guia prático no qual pode encontrar quase todos os eventos que foram organizados na Espanha, no México e na Suíça, filtrando a busca por atos oficiais, eventos online, por tema, dados geográficos ou pela idade a que os eventos se dirigidos.

Se gosta de tudo o que tenha a ver com a educação, recomendo o CaféCREA. Estreia precisamente hoje (e voltará a cada trimestre) e é organizado por Ineverycrea, a comunidade da criatividade educativa. Dolors Reig, psicóloga e editora de El Caparazón, um dos blogues em língua espanhola mais abrangentes no âmbito da inovação, da educação e da tecnologia. Reig inicia esta primeira tertúlia com o tema “Aprendizagem Aumentada”. Pode assistir ao evento no Centro de Inovação Ballestas de Madrid, às 17 horas, ou segui-lo online em streaming (www.ineverycrea.net) e colocar as suas perguntas via Twitter através do hashtag #cafecrea.

E mesmo que neste dia não haja presentes, o prometido é devido. Há uns dias, no nosso postArqueologia digital. Da enciclopédia Larousse ao Twitter”, partilhei algumas recordações que tinha no disco rígido da minha memória e prometemos publicar algumas das vossas mensagens. Pois bem, escolhemos algumas dessas histórias vindas do lado digital dos vossos corações e tentámos “embrulhá-las” o melhor possível. Esperamos que goste.

 

A minha avó faz 99 anos

Da Argentina, María Fernanda Maquieira envia a sua reflexão quase transformada em relato. O que pensa a avó dela quando vê a frenética atividade digital dos seus bisnetos?

“Do Androids dream of electric Sheep?”

Philip K. Dick, 1968.

“A minha avó faz 99 anos. Ela tem uma memória prodigiosa: conta como foi quando nevou em Buenos Aires no ano de 1918, comenta o resultado da última partida de futebol do campeonato da Primera B nacional, descreve o lugar onde os seus pais se conheceram ou até me diz quando foi a última vez que fui visitá-la ao lar. Lembra-se nitidamente do ruído das ovelhas pastando na montanha e do aroma da sfogliatella napolitana. Ainda borda naperões de organdi enquanto ouve rádio e sabe reconhecer se um tango é de Lepera ou de Manzi.

A minha avó não tem GPS, nem celular, nem computador. Não sabe o que é o Youtube, nem a Wikipédia, nem o WhatsApp. Nunca viajou de avião, nunca conversou por Skype, nunca usou um cartão de crédito, nunca leu um ebook e nem nunca precisou de Wifi.

Será que a minha avó sonha com ovelhas a preto e branco?

Quando os bisnetos a visitam, é como se fossem ao museu de paleontologia: em bicos de pés, com olhos de espanto e com medo de estragar alguma coisa. São crianças de hoje em dia, nativos digitais para quem navegar na Internet e fazer os trabalhos da escola, tirar fotos, subir vídeos, falar com os amigos, ver um filme, comprar ingressos para ver Lady Gaga, descarregar uma aplicação, jogar Angry Birds, tudo isso e muito mais, são coisas que se fazem todas ao mesmo tempo, com alguns cliques do dispositivo, com os seus dedos velozes. E enquanto eles estão com ela, a avó observa-os.

Será que os nossos filhos sonham com ovelhas em touchscreen?”

 

Depois da iogurteira, chegou o modem

Vanesa nos contou que, em casa dela, todos são early adopters de todo tipo de maquinetas. Assim, a Internet chegou a casa dela da mesma maneira que antes tinha chegado o aquecedor de leite e a iogurteira. Só que, neste caso, a Internet chegou para evoluir e ficar. Pouco depois, veio a faculdade, e Vanesa começou a passar horas pesquisando e lendo na rede. Foram tantas horas que acabou descobrindo que queria dedicar-se a esta coisa da Internet. Há cerca de oito anos, criou um blogue, “uma das melhores decisões da minha vida, algo que me ajudou imenso a me concentrar, a conhecer pessoas, a descobrir o que acontecia na Internet, a dar-me a conhecer na blogosfera… Era incrível o que aprendia e como me divertia naquela altura”. Depois, chegaram os celulares com 3G, “o que foi apenas uma continuação do que iniciei naquela época. Fiquei encantada por, finalmente, ter GPS no celular para não me perder! Nos primeiros tempos, todo o mundo ficava com inveja! Mas nada como passar da enciclopédia em papel para a world wide web…” Mas Vanesa confessa também que o Twitter mudou a sua vida.

A Internet também nos aproxima dos que nos são mais queridos quando estamos longe. @monicarabino falou disso no Twitter. Poder ver a sua família através do Skype ou fazer os trabalhos da escola com os seus sobrinhos são rotinas que se tornaram parte do seu dia-a-dia.

 

E, por fim, chegou o Google

Belén teve sorte porque a Internet chegou quando ela tinha 11 anos mas, claro, com um modem de 14,4K “tão lento que carregava as imagens de forma progressiva. Para me ligar à Internet, tinha de pagar à parte a um provedor como a Arrakis, ou cair no “lado obscuro” de Infovía.” Também se recorda das faturas e das discussões lá em casa por ter a linha ocupada. “A tarifa plana não existia. Os buscadores ainda estavam a aparecer e uns davam lugar a outros até que, finalmente, apareceu o Google. Descarregava música em formato MIDI e partilhava numa página (no Geocities). Quando apareceu o MSN Messenger 1.0, chegaram os amigos e começou a ser um encontro obrigatório todas as tardes. Hoje em dia, a maior parte das minhas comunicações e da informação que não é tratada pessoalmente é feita pela Internet. É imprescindível.”

 

Também não podemos esquecer os cibercafés. Foi assim que Enrique abriu a janela da Internet para jogar online. “Para nós, não existiam motores de busca, nem páginas. Raramente consultávamos alguma coisa, só quando precisávamos de fazer um trabalho para a escola, e havia sempre tempo para uma partidinha de estranjis. Agora, a situação mudou. Jogo muito menos e utilizo a Internet para trabalhar e procurar informação a partir de praticamente qualquer dispositivo”.

Pesquisar, ler, voltar a pesquisar. Quase todas as nossas histórias passam por lá, pela grande enciclopédia da Internet. Isto é, definitivamente, algo que merece ser celebrado.

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