Devemos transformar-nos em girafas

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O que tem em comum uma girafa com ser pivô de noticiário ou cineasta autodidata, com um storytelling no Twitter ou com um ananás, um leão, a varinha mágica do Harry Potter e uma claquete, ou com uma criança programadora, youtuber e rapper? Todos despertam a curiosidade, sim, essa centelha que nos motiva a descobrir o mundo.

Comecemos pelo princípio. A curiosidade foi o tema central da quinta edição de ¡Grandes Profes!, o evento educativo que procura a motivação do docente no seu dia-a-dia, assim como reconhecer o seu trabalho nas aulas. Organizada pela Santillana, pela Fundação Atresmedia e pela Samsung, esta edição voltou a superar as expectativas, reunindo mais de 1700 professores nos cinemas Kinépolis de Madrid e mais de 5000 pessoas que acompanharam o evento via streaming e pelas redes sociais.

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Ao longo da manhã, os presentes puderam experimentar nos diferentes stands como tirar proveito da “curiosidade” como motor de aprendizagem. Nas salas, esperavam-nos especialistas nas mais diversas disciplinas: o professor catedrático e doutorado em Medicina e Neurociência Francisco Mora; o ilustrador, editor e escritor Manuel Bartual; a diretora e apresentadora de Antena 3 Notícias, Sandra Golpe; a professora e investigadora María Acaso; os pedagogos Mar Romera e Javier Bahon; a professora Mercedes Ruíz; o argumentista e realizador de cinema Javier Fesser; o estudante Antonio García, que frequenta o 5º ano e é programador; o rapper Arkano e o youtuber Stoneismyname; e os Tricicle, que encerraram o evento. Todos eles sob a orientação do apresentador, Frank Blanco.

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Para o neurocientista Francisco Mora, são as “emoções humanas” que despertam a curiosidade pela aprendizagem. Por outras palavras, “a curiosidade é ‘uma centelha de emoção’. Os docentes devem transformar-se em algo diferente, devem ser girafas. O professor que torna o ensino interessante é um grande professor.” Para Paco Mora, “um bom professor é aquele que ama o que ensina, que é capaz de abrir os olhos de quem aprende.” Até porque “o ser humano é o que a educação faz dele.”

Um testemunho mais pessoal foi dado pela jornalista e apresentadora de noticiários Sandra Golpe, que contou como a curiosidade influenciou a sua escolha de carreira: “A timidez marcou a minha vida. A curiosidade motiva-me a fazer perguntas e foi tudo graças a um professor que me disse ‘a menina pergunte!’. Foi aí que nasceu o meu gosto pela ‘arte das perguntas’.”

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O ilustrador e escritor Manuel Bartual deu uma aula relâmpago sobre como despertar a curiosidade no contexto digital graças ao Twitter, tendo-se tornado uma figura conhecida da noite para o dia. A sua história de suspense por fascículos atraiu mais de 449 mil seguidores que ficaram literalmente agarrados à inquietante história que aconteceu ao autor durante as suas férias de verão. “Para cativar com uma história, é preciso utilizar os meios indicados. A gestão do tempo e a curiosidade são fundamentais e, a partir daí, a criatividade é insaciável”, argumentou.

Para a mesa redonda, moderada pela professora María Acaso, autora de Art Thinking, cada participante levou um objeto. Ela levou um ananás, os pedagogos Javier Bahón e Mar Romera levaram um leão de peluche e a varinha mágica de Hogwarts, e a professora Mercedes Ruiz levou uma claquete. A sua intenção era despertar a curiosidade da assistência oferecendo um significado. “O ananás da María significava a surpresa, começar a aula de uma maneira diferente, sair da monotonia e despertar a curiosidade dos alunos.” Para Javier Bahón, o peluche “é a expressão pura do Rei Leão, seja na sua versão de cinema ou de teatro, é o mundo da aprendizagem e a curiosidade juntas.” A varinha de Hogwarts de Mar Romera “é a varinha mágica que coordena todas as outras”, já que os professores “tratam de tudo e, ainda por cima, com o poder da invisibilidade”, e para María Ruiz, “a claquete é um livro, um filme… É a nossa vida”.

O evento, à semelhança de edições anteriores, contou com a secção “Grandes Profes cuida dos seus professores”, em que Javier Sánchez, cofundador da Unobrain, falou sobre a “viagem da curiosidade dentro do cérebro humano como a chave que abre a comporta da aprendizagem”. Para o especialista, os alunos são “como um router, têm muita informação e muito pouco tempo para a analisar e decidir o que fazer com ela”. Como despertar a curiosidade, então? “Falando dos seus interesses com inteligência, acrescentando o componente social, com metáforas e minimizando o stress“, afirmou.

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A segunda parte começou com a participação de Antonio García, especialista em programação, participante em várias palestras da TEDTalks e aluno do quinto ano que, com apenas 10 anos, apostou no “entusiasmo como motor da curiosidade”. A sua apresentação foi uma lufada de ar fresco, um entusiasmo contagioso com frases como: “O entusiasmo das crianças dura muito, mas os professores têm de fazer com que nunca o percamos”, “Vocês são a chave do nosso sucesso” ou “Não cresçam antes de tempo”. Terminou com palavras de incentivo a todos os professores.

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O realizador de cinema Javier Fesser, conhecido por Mortadelo y Filemón e Camino, entre outros filmes, confessou que “durante muito tempo, senti-me vítima por ser autodidata, mas a curiosidade permitiu-me desenvolver a minha carreira cinematográfica”. À semelhança de todos os oradores, Fesser agradeceu o trabalho desse professor especial, o Boni, “por ser diferente. Ele incentivava as perguntas e a procura de respostas”, assegurando que “a criatividade é a resposta à curiosidade”. 

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¡Grandes Profes! continuou com a participação do rapper Arkano e do youtuber StonesMyName, para quem a curiosidade foi o que os levou a expressar-se. Arkano ofereceu um freestyle que foi apreciado por todos os professores.

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E o evento terminou com o genial grupo de teatro Tricicle que, de digressão por Madrid com Hits, trouxe gargalhadas ao auditório.

¡Grandes Profes! 2018continua com o espírito dos quatro eventos anteriores com docentes. Estrelas da comunicação, como Matías Prats, Carlos Sobera, Jandro e Roberto Brasero, assim como outros profissionais de reconhecido prestígio, como José Antonio Marina, Elsa Punset, César Bona ou David Calle são alguns dos oradores que participaram nestas jornadas de homenagem, que são também um encontro importante para a comunidade docente e um espaço para partilhar boas experiências.


Brezo García Trejo

Comunicación Corporativa, Santillana Global

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