Mandamentos da comunicação não hostil

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Vivemos no período mais comunicativo da História. Nunca tinha sido possível que tanta gente pudesse comunicar de forma tão rápida e contínua. A era digital proporcionou a cada um de nós um verdadeiro altifalante: o nosso telemóvel. Com este dispositivo, podemos publicar mensagens na Internet a qualquer momento, mostrando a nossa opinião, a nossa forma de ver as coisas ou as nossas reações, tal como nos vêm à cabeça, sem pensar muito. No entanto, como é lógico, este altifalante precisa de certas regras que assegurem um uso ético do mesmo e que facilitem a comunicação baseada no respeito entre interlocutores. Infelizmente, o que costumamos ver é que este altifalante serve de arma de arremesso nas redes sociais, onde os utilizadores recorrem a maus modos e formas de expressão pouco amistosas, mal-educadas e dolorosas que, normalmente, não utilizariam ao falar cara a cara com o interlocutor.

É evidente que é preciso travar este tipo de atitudes e, claro, devemos começar por nós próprios. Para isso, nasceu, em Itália, no início de 2017, o Parole Ostili,um projeto com a intenção de difundir uma corrente otimista na comunicação na Internet e que está a ser trabalhado desde então. Para isso, foi elaborado “O Manifesto da Comunicação Hostil“. Estes mandamentos reúnem um ideal de premissas a ter em conta para manter um comportamento correto nas redes sociais. Os autores recomendam imprimi-lo e tê-lo à vista para nos irmos lembrando destas recomendações que se propõem e também para que sejamos conscientes de que o que fazemos nas redes sociais não fica apenas nas redes sociais e que cada opinião, ação ou comportamento acompanha-nos no futuro como parte da nossa marca digital.

O Parole Ostili convidou-nos a juntarmo-nos ao projeto, assinando o manifesto da comunicação não hostil como símbolo de compromisso pessoal. O projeto já se estendeu às escolas (até ao momento, apenas as italianas), já que as crianças são a base do projeto educativo que pode travar futuros comportamentos desadequados na comunicação digital. É preciso ensinar aos alunos desde tenras idades como hão de se desenvolver de maneira respeitosa na Internet, mas também é preciso praticar o exemplo e ter sempre presentes os pontos do manifesto:

1.- Virtual é real.

Só digo e escrevo na Internet as coisas que tenho a coragem de dizer em pessoa.

2.- Somos o que comunicamos.

As palavras que escolho relatam a pessoa que sou: representam-me.

3.- As palavras dão forma ao pensamento.

Demoro todo o tempo necessário para expressar o meu pensamento da melhor forma possível.

4.- Antes de falar, é preciso escutar.

Ninguém tem sempre razão e eu também não. Ouço com honestidade e abertura.

5.- As palavras são uma ponte.

Escolho as palavras para compreender, fazer-me perceber e aproximar-me dos outros.

6.- As palavras têm consequências.

Sei que cada uma das minhas palavras pode ter consequências, grandes ou pequenas.

7.- Partilhar é uma responsabilidade.

Partilho textos e imagens só depois de os ler, valorizar e perceber.

8.- As ideias podem ser discutidas. As pessoas devem respeitar-se.

Não transformo quem tem ideias que não partilho num inimigo que tenho de eliminar.

9.- Os insultos não são argumentos.

Não aceito insultos nem agressividade, nem sequer a favor da minha tese.

10.- O silêncio também comunica.

Quando a melhor opção é calar, calo-me.

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