Do leitor ao utilizador: novos meios com novos desafios

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Os meios de comunicação social tradicionais estão a arregaçar as mangas e estão a habituar-se a instalar as suas páginas – neste caso digitais – no ecossistema da Internet. Uns com mais êxito e outros a fazer experiências de tentativa e erro para ver onde se encaixam melhor num mundo tão mutável e, sobretudo, tão complicado de monetizar. No entanto, uma das propostas que estão a funcionar relativamente bem é a criação de outros meios nativos, que partilham do espírito da publicação mãe, mas que estão claramente destinados a outro tipo de leitor, aquele a que agora chamamos ‘utilizador’ e que é preciso convencer, cativar e quase apaixonar todos os dias, através dos conteúdos.

Na PRISA, grupo editor de diversos meios de comunicação (generalistas, políticos, de negócios, desportivos, culturais, de lazer…) que oferecem há décadas informação e jornalismo, estão agora a surgir estas novas publicações que encaixam como uma luva na atual procura do utilizador digital e que sabem como reforçar a oferta informativa dos meios tradicionais.

Para ficarmos a conhecer melhor estas propostas, pedimos aos seus responsáveis que nos contem em primeira mão como são os seus projetos, para que foram criados e qual a sua aposta a nível de conteúdos, entre outras coisas, e aqui estão as suas respostas:

HuffPotsLogo

El Huffington Post

Primeira edição: junho de 2012.

Trata-se do primeiro meio nativo propriamente dito que a PRISA incorporou e é a versão em castelhano de outro dos primeiros meios de comunicação social nativos dos Estados Unidos, The Huffington Post, criado por Arianna Huffington, no qual a PRISA tem uma participação de 50%. O Huffpost tem temáticas variadas que vão desde a economia e a política até aos conteúdos virais e às tendências tecnológicas.

Montserrat Domínguez, diretora:

“O que torna El Huffington Post diferente? A paixão por narrar a atualidade de uma forma diferente. Com uma linguagem fresca e próxima. Com pluralidade de vozes: no ‘El Huff’, não escrevem apenas os jornalistas e ‘os suspeitos do costume’, mas também, através dos nossos blogues, estudantes e reformados, artistas e funcionários, ativistas e techies… Com uma redação jovem e comprometida com a função social do jornalismo, com o rigor e o critério e, ao mesmo tempo, suficientemente audaz para experimentar novos formatos multimédia. Ah, e sem perder nunca o sentido de humor.”

• Conteúdo relacionado no blogue: 12 coisas que aprendemos no El Huffington Post este ano.

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Elcomidista

El Comidista

Primeira edição: como blogue em 2010 e como página em junho de 2015.

Começou por ser um blogue culinário integrado na página de Internet do El País mas, a pouco e pouco, graças à sua linguagem acessível e irónica, tornou-se uma referência da cultura gastronómica pop. Devido ao seu êxito, acaba de se transformar num website com conteúdos totalmente renovados.

Mikel López Iturriaga, diretor

“El Comidista é uma página de Internet que fala sobre comida de todos os pontos de vista. Destaca-se pelo tom descontraído e pelo humor, sem perder o rigor jornalístico e o sentido prático. O nosso público compreende os interessados em cozinhar e comer melhor. Usamos o vídeo e abusamos da participação. Objetivo final: conquistar o planeta.”

• Conteúdo relacionado no blogue: Mikel Iturriaga: “O mundo digital é a última esperança para a comida caseira”.

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Verne

Verne

Primeira edição: setembro de 2014

Aposta do EL PAÍS que explora a Internet para descobrir e criar histórias surpreendentes que possam ser dinamizadas nas redes sociais. Generalista e dirigido a um público jovem e utilizador de tecnologias móveis. Os conteúdos são variados, mas sempre com a surpresa como prisma para enfocar a realidade e utilizando todos os formatos necessários para abordar de maneira diferente os temas mais comentados do momento.

Delia Rodríguez, diretora

Verne é a página do El País com os conteúdos que adoramos partilhar nas redes sociais. Ou seja, criamos conteúdos virais, mas sólidos e de qualidade. Chama-se assim porque a Internet recorda-nos a época dos exploradores e das leituras de infância, quando tudo era surpreendente, e queremos provocar essa emoção nos nossos leitores”.

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Planeta futuro

Planeta Futuro

Primeira edição: janeiro de 2014

Secção digital dentro do El País, criada com a colaboração da Fundação de Bill e Melinda Gates. O seu objetivo primordial é levar à discussão pública assuntos que costumam ser ignorados, como os avanços na investigação sobre doenças já esquecidas no Ocidente que matam milhões de pessoas todos os anos, ou a pobreza extrema que prevalece em muitos cantos do mundo.

Pablo Linde, redator

“Planeta Futuro nasceu para dar voz às pessoas esquecidas do mundo. Colocamos o nosso enfoque nos temas que giram em torno do desenvolvimento dos povos, da sua luta contra a desigualdade, pelos direitos, a justiça social, a melhoria das condições de vida e a sobrevivência. A nossa abordagem afasta-se da tradicional perspetiva paternalista que as zonas ricas do mundo têm demonstrado com frequência. Para tal, usamos todas as ferramentas que a Internet nos oferece: as galerias de fotos são essenciais no nosso trabalho, tratamos temas em profundidade com novas narrativas (como os primeiros mil dias na vida de uma criança), combinamos vídeos, gráficos e elementos interativos para contar histórias que raramente têm lugar noutros meios de comunicação social.”

• Conteúdo relacionado no blogue: Planeta Futuro: um outro olhar sobre a mudança social.

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 materia

Materia

Primeira edição: julho de 2012, como parte do El País desde setembro de 2014

Secção de Ciência do El País que surge através de um acordo com o website com o mesmo nome, que é atualmente líder em informação científica em espanhol. Os conteúdos de Materia são complementados com vídeos, galerias de fotos, análises e estudos especiais com o propósito de que as notícias tenham um valor educativo e não uma vida efémera.

Patricia Fernández de Lis, diretora

“O lema de Materia é “lê, pensa, partilha”. Para nós, não são palavras ocas. Acreditamos na informação científica rigorosa e de qualidade, mas também divertida e estimulante, e queremos que todos os leitores do EL PAÍS leiam, pensem e partilhem as histórias que publicamos. O nosso objetivo é simples: que os leitores do EL PAÍS se apaixonem pela ciência e partilhem as nossas histórias com a mesma paixão com que os cientistas as produzem e com que nós as escrevemos. Em Materia, encontra notícias sobre física, espaço, robótica, meio ambiente, biologia ou investigação na área da saúde mas, acima de tudo, paixão por saber mais.”

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SmartLife

Smart Life

Primeira edição: junho de 2014

Fruto do acordo entre Cinco Días e ADSLZone, que se iniciou como um processo de cocriação entre as equipas de ambas as empresas para oferecer as novidades tecnológicas que surgem no mundo digital e que sejam aplicáveis ao estilo de vida dos leitores. Foi um projeto pioneiro, na medida em que foi a primeira página responsive da PRISA.

Gonzalo Teubal, chefe de produto digital do Cinco Días

“Para uma vida inteligente”. É esse o lema que escolhemos para um site que queríamos que desse resposta desde o primeiro dia a uma necessidade que tínhamos identificado nos nossos utilizadores: conhecer as últimas novidades em tecnologia aplicada à vida quotidiana. A rapidez em transmiti-las e o conhecimento profundo das necessidades dos leitores permitiu que nos tornássemos uma referência entre os meios do setor e, o que é mais importante, começar a gerar receitas de forma regular e em crescimento. SmartLife implicou também abrir a porta a um novo modelo de colaboração em que todos ficamos a ganhar.”

• Conteúdo relacionado no blogue: SmartLife: inovação e colaboração no Cinco Días

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Icon

ICON

Primeira edição: novembro de 2013

Versão espanhola e primeira internacionalização da publicação editada por Mondadori em Itália desde 2011. Impulsionada pela PRISA Revistas, está disponível em papel com o jornal El País na primeira quinta-feira de cada mês. Além disso, tem uma versão web e apps móveis com conteúdos enriquecidos. Procura mostrar de uma perspetiva masculina as tendências de estilo, cultura e moda atuais.

Lucas Arraut, diretor.

“A edição online de ICON – El País pegou no conceito de uma ‘página para homens’ e desenvolveu-o para criar espaço para todo o tipo de temas que possam ser vistos de um ponto de vista masculino: moda, cultura, política… Tudo o que possa interessar a um homem culto, inquieto, entre os 25 e os 45 anos, com um formato adaptado aos conteúdos: vídeos, galerias, listas, textos. Com um tráfego que vem aumentando há meses, a página da ICON não está pensada para cativar leitores. É uma página pensada para captar o seu interesse.”

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Tlife

TLIFE.guru 

Primeira edição: abril de 2015

Projeto de branded content, impulsionado pela Fábrica da PRISA Revistas e pelo banco BBVA, que pretende dirigir-se aos utilizadores que, apesar de não serem peritos em tecnologia, estão interessados em ficar ao corrente do aparecimento de novas tecnologias que tornarão as suas vidas mais fáceis.

Iñaki de la Torre, diretor

“O caso de TLIFE é realmente peculiar: é um meio de comunicação social feito à medida para uma marca, mas a presença dos seus produtos é muito escassa. E, por isso, a liberdade de publicação é quase absoluta.

Por outras palavras, a TLIFE fala-nos sobre a tecnologia para a vida quotidiana (sem explicações muito técnicas, mas sim muito funcionais) e, por acaso, trabalha sob a alçada de uma entidade (BBVA) que não vende telemóveis, tablets ou coisa que se assemelhe.

Assim, os únicos momentos em que há conteúdos dirigidos a fomentar os seus serviços (branded content) ocorrem quando vêm realmente ao caso: quando falamos de pagamentos online (mesmo que estejamos a falar de comprar bicicletas com chips), quando escrevemos sobre como foram pensadas e financiadas ideias de aplicações (mesmo que sejam de culinária) ou em artigos sobre economia doméstica.

Este caminho indireto e que não denota uma ânsia de vender acalma o utilizador / leitor e alcança, a longo prazo, melhores resultados de imagem para a marca, na minha opinião.

Porque, precisamente, o BBVA pretende com este projeto fazer ver que os seus serviços são, em simultâneo, de última geração a nível da tecnologia, mas de total usabilidade para os seus clientes.”

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ElpaisTV 

El País TV

Primeira edição: fevereiro de 2013

Espaço para vídeo e emissões em direto através de streaming e que potencia os conteúdos audiovisuais da edição digital do jornal El País. Inclui conteúdos em vídeo, tanto de produção própria como externa, fornecendo um apoio às diferentes secções do jornal. Com as emissões de vídeo em direto, pretende-se fazer a cobertura da atualidade mais imediata.

Carlos de Vega, diretor

“El País Vídeo vai tornar-se a forma mais inovadora de desfrutar dos conteúdos audiovisuais do El País. É um novo meio que apostará na informação, reforçando a aposta informativa do jornal diário. Grandes reportagens, entrevistas, programas de atualidade. Também terá como protagonistas o entretenimento, a ficção ou a experimentação com novas narrativas. Apostamos em conteúdos participativos, em formatos que nos liguem às novas gerações de utilizadores da Internet. É um passo decisivo na transformação digital do El País. Todos os ecrãs serão o nosso ecrã. Todos os nossos conteúdos serão uma viagem aberta ao mundo para a qual todos os nossos utilizadores estão convidados.”

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ElPaisSemanal_Babelia

El País Semanal y Babelia

Lançamento das aplicações: EPS em setembro de 2014 e Babelia em novembro de 2014

São dois dos suplementos com mais tradição do jornal El País e que atraem uma grande quantidade de leitores. A aposta da Fábrica da PRISA Revistas consiste em transferir este conteúdo para o mercado móvel atual, criando as suas aplicações. Estas estão sobretudo pensadas para os tablets, já que tiram maior partido do formato original das publicações e, além disso, enriquecem os conteúdos com vídeos e outros extras, como por exemplo a compra direta de livros através da app de Babelia.

Virginia Lavín, diretora de La Fábrica da PRISA Revistas.

“Na Fábrica, desenvolvemos em 2014 e realizamos todas as semanas as aplicações de El País Semanal e de Babelia. As duas publicações digitais foram redesenhadas com uma linguagem gráfica nativa digital inspirada no design original de cada um dos produtos em papel. O objetivo é respeitar a sua identidade e dar-lhe uma usabilidade própria das aplicações para tablets. Foi um trabalho de equipa com os responsáveis editoriais e de design de El País Semanal e de Babelia. Ambas as publicações são pagas e permitem ao El País estender o seu alcance, chegar a um público estrangeiro que, de outro modo, não teria acesso.”

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