O nosso futuro depende das vocações STEAM?

Boy looking at conical flasks in classroom

Os nativos digitais não estão interessados em construir o nosso futuro digital. Hoje, na nova edição de Café Crea, falaremos sobre os motivos para que cada vez menos jovens optem por carreiras STEAM e sobre como podemos estimular o pensamento científico e criativo na sala de aula para inverter urgentemente uma tendência que pode redundar num vazio de talento, dentro de poucos anos.

O acrônimo STEAM corresponde às inicias de Ciência, Tecnologia, Engenharia, Arte e Matemáticas. Quando integramos arte e o design na educação STEM, estamos valorizando a inovação e a criatividade. Como explica Paola Guimerans, uma das palestrantes que participarão na conversa: “Tal como a aprendizagem de disciplinas científicas e tecnológicas é importante para ser um profissional competitivo, também é importante pô-lo em contato com outras disciplinas que fomentem a resolução de problemas, a imaginação e a curiosidade.”

A escolha dos cursos formativos nesta área tem vindo a cair de ano para ano, tanto no contexto escolar como no universitário. Apesar de a CE estimar que, em 2015, serão necessários na Europa mais de 700.000 profissionais nesta área, a falta de interesse por este tipo de estudos está se dando de forma generalizada em vários países desenvolvidos, principalmente na União Europeia e nos Estados Unidos, territórios nos quais se concentram as melhor universidades, centros de investigação e desenvolvimento e algumas das empresas líderes dos diferentes setores relacionados com a área. De acordo com dados de um estudo realizado pela consultora everis em colaboração com a Generalitat, o decréscimo em Espanha é um pouco superior à média europeia, chegando a atingir os 46% na Catalunha. No caso das mulheres, o decréscimo em matrículas é ainda maior do que entre o corpo discente masculino. Na América Latina e no Caribe, por exemplo, apesar de haver um número mais elevado de mulheres inscritas no ensino universitário em relação aos homens, apenas 11% se licencia em cursos relacionados com a ciência e a tecnologia. Isso está patente nesta infografia, que representa a presença das mulheres no setor.

Webseries como Noa&Max foram criados para motivar a escolha de estudos STEM entre os jovens.

Paradoxos da vida digital; no entanto, o interesse pela ciência e pela tecnologia está aumentando e muito especialmente entre os jovens: o crescimento é de 19% no total da população nos últimos dois anos e de 40% entre os jovens dos 15 aos 24 anos no mesmo período. Então, quais são as variáveis que influenciam a falta de vocação do corpo discente? Que instrumentos ou estratégias existem para travar esta tendências?

Nos Estados Unidos, paralelamente ao crescimento do insucesso escolar em disciplinas técnicas e científicas, surge em 2008 o fenômeno da cultura maker, baseada no conceito de faça você mesmo, partilhe e empreenda. Esta cultura defende um regresso aos processos manuais utilizando ferramentas de fabrico digital de baixo custo, como por exemplo as impressoras em 3D, máquinas CNC e arquivos digitais que sejam facilmente partilhados em rede. Como nos explica Paola Guimerans: “… tendo em conta o êxito da cultura maker e a dificuldade de modificar o sistema educativo a partir do interior, tomemos como referente a educação não formal que se está gerando em redor desta cultura para impulsionar um novo modelo de educação STEM ou STEAM. Entre estes dois, pessoalmente, defendo o modelo STEAM, impulsionado a partir da Rhode Island School of Design por Jon Maeda”.

Mapa de la web StemToSteam.org, donde se muestran las iniciativas a nivel mundial que promueven este proyecto.

Mapa_STEM

No Café Crea,contaremos com Paola e com outras vozes que estão desenvolvendo uma intensa atividade para divulgar o conhecimento STEAM de uma maneira diferente e que tenta inverter rapidamente estes números. Teremos docentes de Espanha, do México e da Argentina que derrubaram as paredes da sala de aula para levar a paixão pela ciência a todos os níveis e contextos educativos e também a previsão de futuro da Start Tech, que é a organização que agrupa as empresas tecnológicas de vanguarda, sobre a procura de profissionais STEAM. Alguma dessas ofertas poderia interessar, quem sabe, aos membros do grupo “The Big Van Theory” que, formado por 16 cientistas, quase todos doutorados e investigadores no ativo em diferentes áreas do conhecimento (matemáticas, química, física, biologia…) e que são cientistas de dia e monologistas de noite. No seu livro “Si Tú Me Dices GEN Lo Dejo Todo” (La Esfera de los Libros), afirmam que: “a ciência aprende-se bem com riso”, apesar de “para um cientista não ser fácil ser engraçado”.


Café Crea: O NOSSO FUTURO DEPENDE DAS VOCAÇÕES STEAM? Quarta-feira, 25 de março, das 19:00h às 20:30h (hora espanhola) . Vaya ao streaming façendo clic neste link, e toda a informação aqui.


Isabel Andrade
Santillana Negocios Digitales

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