Você domina o idioma do século XXI?

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Programación

Existem 7.000 línguas em todo o mundo. Qual é a sua? O mandarim, falado por 1.026 milhões de pessoas, o inglês (508 milhões), o hindi (380 milhões) ou talvez o espanhol (528 milhões)? O que está prestes a ler talvez o surpreenda: para dominar o idioma mais partilhado em 2014, você deve aprender a linguagem de programação.

Em Espanha, há gerações que tentamos colocar-nos ao nível de outros países na aprendizagem de línguas estrangeiras: inglês, alemão e, mais recentemente, chinês ou russo. Após décadas de resultados desiguais (como afirmou de forma dramática Ana Botella, a prefeita de Madrid, no seu popular discurso em Buenos Aires), as metas e as questões estão começando a mudar: Dependerá o futuro dos nossos filhos da aprendizagem precoce da linguagem de programação?

Neste contexto, a revista Wired afirma que as plataformas de educação e recursos na Internet, muitos deles não regulados e gratuitos, podem “colmatar o vazio educativo nestes primeiros anos de transição, em que as tecnologias de hardware de código aberto e a impressão em 3D deverão também melhorar drasticamente”. Contudo, países como a Inglaterra e a Nova Zelândia preveem já incluir o estudo do software no programa oficial já no próximo ano letivo.

Que conhecimentos, competências e capacidades desenvolvem os alunos enquanto aprendem programação e robótica nas aulas? Os membros do Laboratório de Meios do MIT foram os primeiros a investigar as formas de incorporar a conceção e a construção de artefactos robóticos na aprendizagem dos estudantes e as vantagens disso nas comunidades rurais.

Taller de robótica educativa con LEGO en Mar del PLataEm 2001, iniciou-se na Bahia (Brasil) uma importante iniciativa de programação e robótica educativa que envolveu mais de 500 colégios e 250.000 alunos. Em 2002, 650 escolas secundárias mexicanas se juntaram ao projeto. Ao mesmo tempo, na Argentina, foi levado a cabo um projeto-piloto com mais de 6.000 alunos e dois grupos de trabalho divididos entre os que seguiam o currículo normal e os que incluíam a robótica educativa. Este programa chegou a conclusões relevantes: o nível de melhoria no grupo de programação e robótica foi de 88,5%, ao passo que, no primeiro grupo, foi de 37,2%. Além disso, 95% dos alunos do grupo experimental aprendeu a escrever corretamente, ao passo que no outro grupo essa percentagem se ficou pelos 48%.

Além das experiências já mencionadas na Argentina, no México e no Brasil, conhecem-se outras experiências de sucesso no Peru, na Costa Rica, no Panamá e no Chile. E no que diz respeito aos países asiáticos, especialmente a Coreia, eles levam já anos empregando a robótica educativa. Na Espanha, não há consenso. Algumas comunidades autónomas como Navarra tornaram já a sua intenção de incorporar essa aprendizagem como parte das Matemáticas do 4º e do 5º do ensino básico a partir do ano letivo de 2014/2015.

Mas como levar a programação e a robótica para a escola? Qual é o desafio para o professorado? Estarão as nossas escolas preparadas tecnologicamente para enfrentar este desafio? Tudo isto se perguntava recentemente um grupo de professores da Inevery Crea a pedido de Elena Sevillano, jornalista do EL PAÍS.

Por seu lado, Juan Quemada Vives, professor catedrático na ETSI de Telecomunicações da Universidade Politécnica de Madrid e Diretor da Cátedra Telefónica-UPM, refere numa entrevista que a programação, até agora, tem sido considerada algo “muito técnico e reservado a profissionais”, mas num futuro não muito longínquo, aprender a programar “vai se transformar numa necessidade tão básica como ler e escrever.” No decurso do Café Crea, Juan Quemada falará também do evento Hack4Teens, um workshop infantil organizado recentemente em Madrid no contexto do Hack4Good – evento dedicado a construir aplicações tecnológicas para resolver necessidades sociais – celebrado no MediaLab Prado.

A necessidade de especialistas tecnológicos está crescendo em todo o mundo, mas nem sequer os Estados Unidos da América estão preparados para fazer frente a este desafio. A falta de estímulo, alimentada pelo sistema educativo, é dominante. Em 1999, 25% dos alunos do ensino secundário tinham optado por pelo menos uma aula de ciência computacional; paradoxalmente, essa percentagem desceu para 19% em 2009. Os docentes de algumas escolas espanholas, norte-americanas e da América Latina tomaram as rédeas da situação enquanto o sistema está reagindo, assumindo a título pessoal, em muitos casos, os custos da compra do material necessário.

Imagen creada en entorno Alice.

Marisa Conde, docente da Argentina, José Luis Lombardero (professor no IES Madrid Sur) e Antonio Ruiz (docente do CEIP Miguel de Cervantes, de Leganés, Madrid), são alguns dos Dom Quixote do código. Antonio e os seus alunos de 6º ano do ensino básico não hesitaram em aceitar, há umas horas, o nosso desafio de uma hackathon com a ferramenta Scratch.

Estamos perante um debate que transcende o bilinguismo digital e que se estende ao estímulo do pensamento lógico, ao empreendedorismo e à conceção da mudança. Esta é a linha que segue a ThinkBit, uma associação de voluntariado universitária que trabalha para aproximar a robótica e a programação em idades precoces dos menores de bairros com um elevado nível de tensões sociais. 

Sim, é A Hora do Código. A qualquer momento, baterá à porta esta “iniciativa internacional que tem como objetivo fomentar o gosto pela programação, promover a sua aprendizagem no sistema educativo ou fora dele, e enriquecer a parte da programação que muitos docentes já trabalham”. Nunca é tarde para escrevermos a nossa primeira linha de código com o que aprenderemos no curso gratuito de Introdução à Programação da Universidade de Stanford. Nem é tarde para descobrirmos os segredos e o top de ferramentas para dar os primeiros passos na robótica. E, para comunicarmos com as nossas criações enquanto dominamos as subtilezas do código, podemos sempre recorrer à mítica Klaatu barada nikto.

Isabel Andrade

Santillana Negocios Digitales

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