A curiosa história digital de uma avó e sua neta

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Entre Teresa Leibar e Andrea de Vivar, há um fosso geracional de 56 anos; Teresa é uma alegre aposentada com 84 anos e Andrea, a sua neta, tem 28 anos. Ambas utilizam a tecnologia nas suas vidas. No caso de Andrea, essa utilização é plena, pois a sua geração pertence a esta revolução digital que estamos vivendo, ela cresceu e trabalha com ela. Teresa, impressionada com as novas tecnologias, decidiu juntar-se a esta corrente digital porque não a quer perder e, por isso, tem um blogue, comunica por Skype e a sua rede social predileta é o Twitter. Elas nos contaram como vivem o seu dia-a-dia com as novas tecnologias, mostrando como o fosso digital, por vezes menor do que muitos creem, pode ser reduzido quando há meios e interesse suficientes.

Teresa Leibar

Teresa e Andrea, vocês se recordam do vosso primeiro contacto com o mundo digital?

Andrea: “Na verdade, me lembro muito bem, foi quando fui estudar para os Estados Unidos e criei a minha primeira conta de e-mail, que ainda tenho mas não uso muito. No colégio, nunca tive aulas de informática e foi a descoberta de um novo mundo para mim, mas, quando regressei a casa, já não podia viver sem ele. Comprámos o nosso primeiro computador em 2000, portanto, não foi assim há tanto tempo como isso.”

Teresa: “No início, me limitava a ver os meus filhos e netos colados aos seus monitores. Há uns anos, dois dos meus filhos me deram este computador que tanto me entretém. E agora, aqui estou eu teclando e cometendo muitos erros, mas já consigo resolvê-los porque perdi o medo que tinha da tela.”

Andrea, devido ao seu trabalho, você tem um contacto habitual com as novas tecnologias?

“Sou jornalista e, atualmente, trabalho numa agência, no departamento de Marketing Online, no qual faço a gestão de contas no Facebook, no Twitter, no Pinterest, no Instagram e no YouTube.”

Contudo e no seu caso, Teresa, foi você mesma quem buscou o contacto com o mundo digital em que vivemos, devido ao enorme interesse que ele lhe desperta:

“Tenho uma curiosidade enorme em aprender tudo o que este meio incrível que é a Internet tem para me ensinar. Mas uma autodidata com a minha idade não chega muito longe. Acho que é uma maravilhosa janela para o mundo e, para mais, acessível até aos aposentados.”

Percebi que algo tinha mudado quando a minha avó me adicionou ao Facebook dela

Teresa, você pertence a uma geração veterana em tudo menos no recente mundo digital que nos rodeia. Como é o seu dia-a-dia na Internet?

“A minha experiência na Internet é muito limitada. De manhã, começo por ler os e-mails dos meus amigos e família, que são bastante numerosos. Às vezes, são novidades, mas na maioria das vezes, recebo fotos, vídeos e notícias em cadeia. Alguns são muito bonitos e esses eu reenvio para as pessoas que creio que vão achar interessante, mas também recebo muitos mails idiotas que apago logo. Também leio os jornais online e assim, juntamente com a rádio que estou sempre ouvindo, fico informada. Ah, e uso muito a Internet para pesquisar informação de todo o tipo, como instruções para plantar uma planta que não conheço, onde encontrar algo que preciso perto de casa, o horário de uma loja…”

Andrea de Vivar

Apesar do que você diz, vejo que percebe mais de Internet do que pensa, ou pelo menos é uma usuária assídua. A rede mudou a sua maneira de se relacionar com os outros?

“Tenho muitos amigos estrangeiros: franceses, belgas, ingleses, alemães… São muito modernos e mais jovens do que eu, pelo que me mandam muitas coisas e isso me motiva a ficar muito atualizada. Bom, eles e também os meus amigos e familiares espanhóis, que me enviam e-mails interessantes.”

Andrea, no seu caso, que uso você faz das redes sociais?

“No que toca às redes sociais de uso pessoal, tenho conta no Facebook, no Twitter e no Pinterest. Normalmente, acedo às redes e ao meu e-mail pessoal com o meu Blackberry. Me ligo a eles várias vezes por dia. Utilizo mais o Facebook para me manter em contacto com as minhas amigas, subir imagens e espreitar, enquanto no Twitter costumo ler mais os comentários das pessoas e, às vezes, faço um retweet.”

A sua avó é sua amiga no Facebook ou você tem vergonha que os seus amigos a vejam na sua página?

“É claro que a minha avó Teresa está na minha lista de amigos. O nosso contacto por esse meio não é muito grande, mas de vez em quando identifico a minha avó num vídeo ou numa imagem.”

Com a idade, há muitas portas físicas e mentais que se fecham e estas novas tecnologias nos mostram um mundo necessário para termos mais vitalidade.

E você, Teresa, como usa as redes sociais?

“O Facebook cada vez me interessa menos, acho que é limitado e que tem pouca informação interessante, mas tive a alegria de reencontrar uma amiga passado sessenta anos e isso é muito positivo.”

Que outra rede social utiliza?

“Estou encantada com o Twitter, é muito vivo e extremamente atual. Lá, fico a par de todas as notícias. Também leio blogues interessantes. Adoro El Comidista!”

Você tem contacto com a sua família através das redes sociais?

“Tenho mais contacto no Facebook com os meus filhos e netos e vejo as fotografias que a Andrea posta. A verdade é que a Internet me ajuda a ficar mais perto da minha família. O meu marido e eu vivemos em Fuengirola e todos os meus filhos vivem em Madrid. Tenho muitas saudades deles, mas, com a Internet, sinto que estão mais próximos.”

Então, para você, a Internet também é uma ajuda para manter o vínculo familiar.

“Uso o Skype para falar com eles, sobretudo com o meu neto mais novo, que tem 12 e está crescendo rápido. Assim, não sinto que estou perdendo o crescimento dele.”

Andrea, como jornalista, que tipo de intervenção você tem na Internet?

“Na agência em que trabalho, temos vários blogues nos quais escrevo quase diariamente.”

E você, Teresa? Você se interessa pelo mundo do blogging?

“Na Semana Santa, criei um blogue sobre plantas e flores, mas tenho andado muito ocupada e só publiquei um post. Já tenho o segundo em mente, a ver como me safo com as fotos.”

Andrea, você comentou que costuma usar o seu smartphone para estar sempre conectada Que outros dispositivos costuma usar?

“Os clientes que giro no meu trabalho estão relacionados com o turismo e acedo aos seus perfis usando um computador e, raramente, o iPad. Para gerir a informação, utilizo o Hootsuite, que acho muito útil para gerir contas diferentes.”

Teresa, que dispositivos você costuma usar?

“Uso um computador portátil que os meus filhos de ofereceram e que tenho instalado na sala de estar. Uso o celular sobretudo para emergências e ando sempre com ele no carro para poder pedir ajuda no caso de ter uma avaria ou um problema. Isso me faz sentir muito segura.”

O que acham que podem ensinar uma à outra em questões digitais?

Andrea: “Percebi que algo tinha mudado quando a minha avó me adicionou ao Facebook dela. Ela me ensinou algo que, para mim, é muito importante: seja qual for a nossa idade, podemos sempre superar os desafios. Para mim, as novas tecnologias são intuitivas. Suponho que seja mais difícil para a minha avó e, por isso, ela tem ainda mais mérito. Creio que, mais do que ensinar, a gente se completa; eu, como as uso tanto a nível pessoal como profissional, talvez tenha sempre pressa em terminar o que estou fazendo, ela encara tudo com mais calma, como um hobby.”

Teresa: “Tecnicamente, tendo em conta preparação e hábito diário da Andrea, não lhe ensino nada. Pensando na minha experiência ‘não digital’, diria que as minhas respostas não são tão apressadas, são mais meditadas. Mas também é verdade que tenho muito tempo livre.”

Por último, o que recomendariam a outras avós, filhas ou netas na sua relação quotidiana com as novas tecnologias?

Andrea: “Em primeiro lugar, queria deixar claro que ter a nossa avó como amiga ou fã nas nossas redes sociais não tem nada de mal. Compreendo que haja pessoas que não gostem da ideia de ter os pais nas redes, mas não é nada de negativo, assim também podemos manter contacto com eles, caso vivam longe, e podemos conhecer-nos melhor mutuamente. Se não tivesse adicionado a minha avó ao meu Facebook ou ao meu Twitter, nunca teria sabido que tenho uma avozinha ‘cibernética’ e, para mim, isso é maravilhoso, espantoso mesmo. Creio que manter o contacto com a nossa família é uma coisa fundamental e as redes sociais são mais uma maneira de fazer isso.”

Teresa: “Aconselharia as avós a não hesitarem em experimentar, porque vão abrir as portas para todo um mundo, com todas as respostas a todas as suas dúvidas. Com a idade, há muitas portas físicas e mentais que se fecham e estas novas tecnologias nos mostram um mundo necessário para termos mais vitalidade e compreender melhor a juventude.”

Miguel Ángel Corcobado
PRISA Digital

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