Educação emocional: 6 motivos para que o Bart Simpson a ame

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A comunidade educativa está sempre tentando encontrar uma possível mudança de metodologia e nós na Inevery Crea demos o nosso humilde contributo tentando dar resposta a uma das exigências mais frequentes por parte de docentes, pais e alunos: falar da necessidade de incorporar urgentemente a educação emocional nas aulas.

Para tal, na última edição do debate Café Crea, celebrada no dia 28 de maio no Real Conservatório Superior de Música de Madrid, convidamos seis especialistas de perfis muito distintos para debater sobre este tema e tentamos também que houvesse um representante dos alunos. Escolhemos um bem conhecido por todas as categorias educativas, Bart Simpson. Por incompatibilidade com os seus exames, o popular aluno não pôde assistir ao debate. Posto isto, os especialistas decidiram fazer um resumo das conclusões do encontro numa lista de motivos para convencer Bart das vantagens de unir as emoções à aprendizagem:

1. Não é obrigatório estar sentado. “Necessitamos da Natureza, do movimento e do jogo para construir personalidades equilibradas e sãs. Gosto que falemos de exercício físico e não de esporte especificamente, porque é preciso insistir muito no fato de a aprendizagem se realizar, especialmente na infância, no movimento, de forma experimental, sensorial e vivencial. As crianças precisam de se mexer muito e mantê-los sentados à mesa prejudica os seus processos cognitivos, o que pode resultar mesmo em comportamentos indisciplinados.” Mireia Long, criadora do projeto Pedagogía Blanca.

Freude in der Schule

2. Se pode copiar. “As emoções não se estruturam em compartimentos estanques, mas sim em vasos comunicantes em contínua interação. Podemos navegar por elas como por grandes oceanos onde se passa de um para o outro sem saber ao certo o momento em que a mudança se opera. Da mesma maneira que o comandante de um navio pode navegar várias centenas de quilômetros sem distinguir visivelmente quando sai do Oceano Índico e entra no Pacífico. É desta forma que as emoções se relacionam entre elas, apesar de umas serem mais íntimas (por exemplo, o medo e a ansiedade) e outras mais exteriorizadas (por exemplo, a tristeza e a alegria).” Rafael Bisquerra e Ana Gea, autores de Universo de Emociones.

3. Não é preciso estudar até cair. As emoções direcionam a atenção e permitem que valorizemos outras coisas. Além disso, facilitam a mnemônica e a memória. Como a nossa memória é seletiva, a nossa mente deve ter algum critério para discriminar entre o que é relevante e deve ser memorizado e o que não deve ser: as emoções. Elas não só nos permitem recordar mais, mas também ter a sensação de que nos lembramos melhor. Também possibilitam a comunicação não verbal, ajudam na análise, na tomada de decisões e na planificação do futuro, estimulam a criatividade e favorecem o desenvolvimento normal da moralidade.Antonio Rodríguez, psicólogo, professor na Faculdade de Educação da Universidade de la Laguna e assessor acadêmico do Governo das Canárias.

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4. É preciso ouvir música na sala de aula. “A MÚSICA, entendida como a arte que vive da articulação gestual de sons (gestos e movimentos) para veicular emoções é uma ferramenta didática por si só para a aprendizagem na educação emocional no âmbito escolar.” José Antonio Torrado, moderador do debate, doutorado em História e Ciências da Música (UAM) e professor de Pedagogia do Real Conservatório Superior de Música de Madrid. 

5. Se brinca nas horas das aulas.Aludificaçãocomo ferramenta de apoio é um gerador de estímulo e incentivo ao trabalho e à aquisição de conteúdos. A principal vantagem reside no fato de criar um ambiente de aprendizagem positiva num meio em que, muitas vezes, os alunos veem a sala de aula e a escola como um suplício que os deixa de cara triste a partir da tarde de domingo e o professor praticamente como um inimigo. No meu caso, isto me permitiu mudar completamente a relação com os meus alunos e a deles com o processo de ensino e aprendizagem.”Salvador Carrión, professor do ensino básico e autor da ferramenta Class of Clans, para uso docente.

6. Ajuda você a encontrar trabalho. “A possibilidade de construir os sonhos representa um empoderamento tão forte que se traduzirá numa aprendizagem significativa do ‘sim, nós podemos’ e do ‘viva feliz’, em vez de um paradigma de ‘não é possível porque…’ e ‘você devia estudar ou fazer isto ou aquilo’. Se alcançarmos uma educação baseada no ‘é possível’ e no ‘como você gostaria que fosse?’, teremos uma educação mais emocional do que alcançaríamos com o ‘tem de ser’ e com um enfoque crítico em relação a tudo aquilo que não compreendemos ou com que não estamos de acordo ou as coisas para as quais se procura uma explicação racional.” Lucía Blanco,psicóloga, autora do livroEmprendiendo el camino rumbo a ser ejecutivo en la vida y humano en el trabajo e docente há 30 anos.

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Em conclusão, a educação emocional é algo muito sério. Em Espanha, os responsáveis políticos começam a encará-la como uma necessidade tanto pelo seu potencial educativo como pela sua capacidade de prevenir o abandono escolar e os conflitos no meio dos centros educativos. A Região Autônoma Canária foi a primeira a incluir no seu currículo para o ano letivo 2014/2015 a disciplina de “Educação Emocional e Para a Criatividade”, cujo conselheiro acadêmico foi um dos nossos palestrantes: Antonio Rodríguez. Os alunos das Canárias depressa lhe deram um diminutivo: Emocrea. Outras regiões autônomas deram já os primeiros passos na mesma direção.

Em outros países como a Argentina, a mobilização de docentes e famílias vai ainda mais longe e se estão desenvolvendo projetos para apresentar às instâncias políticas um projeto-lei. Porquê uma Lei de Educação? A esta pergunta responde Lucas J.J. Malaisi, também ele palestrante do Café Crea, psicólogo, presidente da Fundação Educação Emocional Argentina e um dos autores desse projeto-lei.

Três razões que justificam o projeto-lei:

  1. Deve ser uma estratégia sistemática: para alcançar uma verdadeira mudança a nível de comportamento na sociedade, é necessário abordar e chegar a todos os seus agentes sociais (crianças, pais e docentes) e o espaço conjuntural onde todos agem é a escola.
  2. Estratégia sustentável (permanente): Uma mudança e uma melhoria contínua não se alcançam num programa com um prazo estabelecido. É necessário um compromisso que se prolongue no tempo para o estabelecimento de hábitos salutares [em oposição a hábitos patógenos] que impulsionem capacidades instaladas em toda a sociedade.
  3. Um fundamento científico: a implementação desta estratégia precisa de um apoio científico e de um consenso entre todos os que a levarão a cabo. Além disso, é necessária a criação de observatórios para capitalizar experiências de sucesso e as transpor para as práticas quotidianas.”

Bart, colega, você tem muito valor. São os especialistas do Café Crea que o afirmam.

O “Café Crea 9 – Há ligação entre a emoção e a aprendizagem?” pode ser visto neste vídeo.

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Isabel Andrade
Santillana Negocios Digitales

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