O big data determina os preços dos livros da HarperCollins

HarperCollins

Os dados da editora HarperCollins falam por si: 200 anos de história, presença em 18 países, publicações em mais de 30 línguas, um catálogo digital que ultrapassa os 20.000 títulos, 10.000 novos livros editados por ano…

Eloy Sasot, diretor global da política de preços e de análise digital da companhia, está convencido de que estes números se devem a um “esforço por interpretar a mudança como uma novidade com a qual é preciso tentar inovar e conseguir oportunidades”. E foi o que demonstrou durante a sua intervenção no InnoData, o encontro da Adigital celebrado no passado dia 2 de julho em Madrid, onde expôs a aposta da HarperCollins em tirar o melhor proveito do big data.

Desde há vários anos que a companhia tinha consciência de que o meio editorial iria sofrer uma mudança “dramática” e que o boom do livro digital estava cada vez mais próximo. Em vez de ficar de braços cruzados, a HarperCollins começou desde o primeiro instante a perguntar-se como poderia explorar o novo modelo. “Para tal, juntámos diferentes disciplinas que, combinadas de forma eficaz, ajudam a criar valor: o conhecimento do negócio, a informática e as matemáticas”, assinalou Sasot.

Com base nessa premissa, a HarperCollins soube adaptar a sua estratégia, articulada em torno da gestão de dois ativos fundamentais: os dados e as pessoas.

Gestão dos dados

Sasot afirmou que, graças a uma análise inteligente dos dados recolhidos com recurso a diferentes ferramentas, agora a sua companhia pode estabelecer os preços dos livros de uma maneira muito dinâmica, à semelhança do que fazem as companhias aéreas com os bilhetes de avião. Assim, agora, o mesmo livro poder ter um valor diferente dependendo da época em que nos encontramos ou de outros fatores: “O nosso método é compreender o contexto e oferecer soluções flexíveis.”

 

Gestão das pessoas

Porém, o diretor reconheceu que não pode haver êxito se a vertente humana não estiver preparada para aceitar uma transformação: “Ao fim e ao cabo, falamos de uma gestão da mudança e as empresas são construídas pelas pessoas.” Com isto em mente, a HarperCollins colocou em marcha uma estratégia baseada nos seguintes pontos:

-          A configuração de três equipas em contacto constante para tirar o melhor proveito do big data: Gestão de Dados, Análise de Dados e business partners ou integradores.

-          A escolha das pessoas adequadas, através de uma seleção interna ou externa, para liderar as três equipas do ponto anterior. Além disso, fez-se questão que esses profissionais tivessem uma “boa atitude” e que “inspirassem e desejassem inspirar.”

-          O enfoque nos objetivos. Aqui, é importante que toda a companhia entenda o que se está a passar e porque estão a fazer as coisas, e para isso é preciso explicar tudo a todos os departamentos com o objetivo de que vejam o valor do big data e o saibam explicar aos seus colegas e até mesmo aos autores dos livros.

-          O apoio da direção. No caso da HarperCollins, Sasot reconheceu que tinha uma vantagem porque o CEO global é físico e já trabalhou como consultor: “Isto fez com que nos custasse menos fazê-lo ver o valor dos dados e mostrar-lhe até onde podíamos chegar através de uma gestão inteligente dos mesmos.”

Sasot resumiu toda esta estratégia numa única frase: “Gerir dados não é apenas uma ciência, é também uma arte.” Em suma, trata-se de administrar de forma inteligente a informação recolhida com o objetivo de detetar e aproveitar oportunidades, tomar decisões de forma mais rápida e certeira, estar preparado para saber reagir perante qualquer mudança e ter flexibilidade para mudar a forma de fazer as coisas.

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