O CD morreu e o MP3 está agonizante. Longa vida ao streaming!

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Em 1985, “Brothers in Arms”, dos Dire Straits, foi o primeiro álbum em CD a vender 1 milhão de cópias

Todos nos lembramos de quando, nos anos 90, apareceram aqueles belos discos tão brilhantes, prateados e futuristas; eram os discos compactos (CDs), que chegaram para revolucionar a indústria da música, o primeiro passo comercial que aproximou os registos sonoros do mercado digital. De acordo com a Wikipédia, no ano de 2007, já tinham sido vendidos mais de 200 mil milhões de CDs em todo o mundo. Esta data coincide com a quebra comercial deste suporte devido à chegada de formatos digitais de compressão de áudio popularizados graças à Internet, como é o caso do MP3. Este formato foi o primeiro susto que a indústria da música sofreu, uma vez que começou a ver como a Rede tornava possível a troca de ficheiros musicais a uma escala muito menos controlável do que a cópia caseira de cassetes ou CDs. Este fenómeno provocou os primeiros confrontos judiciais contra empresas como o Napster e o AudioGalaxy devido à sua distribuição de canções entre usuários ‘demasiado popular’.

Steve Jobs apresentando o primeiro iPod em 2001

Nos últimos anos, a indústria da música começou a procurar e a partilhar os novos modelos de comercialização na Internet. E uniu esforços com os novos gigantes do universo digital para negociar a venda das suas produções musicais. A Apple foi um dos pioneiros a saber vender ficheiros de canções em formato MP3 através da sua conhecida loja, o iTunes. Arquivos musicais concebidos para serem escutados numa das melhores invenções tecnológicas da história recente, o iPod. Tratava-se de um pequeno dispositivo de bolso que apareceu em 2001 e no qual podíamos guardar a compilação discográfica da nossa vida de uma vez só. Não restam dúvidas de que foi um negócio próspero que amadureceu mais tarde nos celulares, cujo feito máximo, o smartphone, se transformou no substituto da jukebox de bolso como o iPod e dispositivos semelhantes. Numerosas lojas semelhantes ao iTunes apareceram por toda a Rede e até a Google incorporou este serviço na sua loja Google Play Music. Mas a vertiginosa história do comércio de música continua se transformando a passos de gigante e não só o MP3 matou o CD como um formato de consumo de conteúdos musicais relativamente recente quebrou todos os esquemas. Falamos da música em streaming. É um conceito que abandona a ideia de posse ou colecionismo pessoal que o consumidor de música tinha até agora através da sua compra (fosse em CD ou em MP3) para se transformar, através de uma mensalidade, no proprietário total de praticamente todo o catálogo musical vigente. Muitos veem no streaming um bom método de vendas para conseguir competir diretamente com a pirataria. Oferecer uma alta qualidade em conteúdos musicais, sem limites, em qualquer dispositivo e em qualquer lugar é, sem dúvida, uma vantagem tanto para a indústria, porque encontra aqui um bom canal de vendas para a sua produção, como para o usuário, que consegue por um preço baixo ter acesso a um sem fim títulos que, se tivesse de adquirir, lhe sairia muito caro e, além disso, seria praticamente impensável tentar sequer descarregar tal volume de uma página pirata. Assim, o potencial comprador de música de sempre transforma-se no fiel usuário de serviços de música em streaming como o Spotify, que lhe permite de certo modo guardar toda a música da qual seria incapaz de abrir mão. Atualmente, existem numerosos serviços de música em streaming: Grooveshark, Rdio ou Deezer. Já se prevê que, em breve, apareçam novos serviços semelhantes como o recém-criado iTunes Radio e o serviço que a Microsoft se está preparando para lançar através do Xbox Music.

O fundador do Spotify, Daniel Ek, durante uma apresentação em março de 2013

Um estudo recente da Nielsen confirma o estado de coisas no negócio da música. De acordo com o estudo, nos Estados Unidos, as receitas de subscrições de serviços de música em streaming aumentou 24% desde 2012. Por oposição, as vendas de canções unitárias caiu 2,3% e, como é óbvio, a venda de CDs continua em queda, neste caso alcançando um decréscimo de 14,2%. Outro indicador desta mudança na forma de consumo é o facto de as vendas do iPod da Apple terem caído 32%, tanto que o aparelho já só representa 2% das receitas da companhia, que triunfa agora com os seus produtos estrela: o iPhone, o iPad e os computadores Mac. Não restam dúvidas de que estes dados são o resultado de uma mudança significativa na forma de consumo de música digital totalmente em sintonia com o modo de consumo atual, baseado em obter todos os conteúdos com facilidade, em qualquer dispositivo e quando o usuário quiser. Hábitos de consumo que, com certeza, irão se enraizando também em indústrias de conteúdos muito semelhantes, como é o caso dos audiovisuais.

Miguel Ángel Corcobado Departamento de Transformação da PRISA

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