O Fenómeno Pinterest

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Quando éramos jovens, a maior parte de nós tinha a pasta da escola forrada de fotografias através das quais se pretendia

mostrar os nossos gostos ou interesses de adolescente. O mesmo acontecia com as paredes do nosso quarto e até mesmo, por vezes, na nossa própria roupa, que enfeitávamos com remendos ou crachás de ídolos, sobretudo do mundo da música.

O que pode parecer-nos apenas recordações do passado é a filosofia de uma nova rede social que se encontra em rápida ascensão e que tenta preencher os pequenos espaços deixados pelas grandes redes sociais consolidadas como o Facebook ou o Twitter.

O que é o Pinterest, afinal?

Imagem do

O Pinterest é uma rede social que nasceu nos Estados Unidos em 2011 e cuja particularidade é mostrar de uma forma fácil, flexível e extremamente visual, recorrendo sobretudo a fotografias, os interesses de cada um dos seus usuários, através de painéis que esta rede batizou de pinboards. Ou seja, para além das características sociais habituais e comuns das outras redes sociais, apresenta o conceito quase adolescente de mostrar constantemente, através de imagens, os gostos e interesses de cada usuário.

Outras redes como o Posterous ou o Tumblr podem ser consideradas precursoras do Pinterest, na medida em que há uma orientação para o chamado microblogging ou Thumblelog. Mas a diferença apresentada por esta nova rede é o facto de os usuários seguirem correntes contínuas de conteúdos (sobretudo produtos de consumo) sobre um determinado tema, através das quais se pode aceder à página onde se encontrou a imagem, o que nos permite chegar ao objeto de interesse que temos estado a seguir.

Após este ir e vir de recomendações é segredo mais apertado de sua monetização. Pinterest conta com os serviços de uma empresa chamada SkimLinks, que automaticamente verifica cada link de site, diferenciando aqueles que vá para sites de comércio eletrônico e atribui um código de identificação para cada venda, que a rede social é responsável por alegando sua porcentagem.

Existem outras redes com um formato semelhante ao do Pinterest, como o ffffound! e o Fancy. Ambas as redes partilham a ideia de trocar imagens publicadas pelos usuários. A primeira move-se sobretudo no mundo do design e da moda, enquanto a segunda apresenta diretamente um vínculo comercial, com montra de ofertas e a promoção de rankings dos usuários mais ativos.

Gosto ou não gosto?

Como todas as novas apostas que prezem no mundo da Internet, o Pinterest conta com opiniões a favor e contra. Como disse Salvador Dalí: “O importante é que falem de nós, mesmo que seja mal”. Entre as vantagens apontadas pelos defensores da rede está o facto de ser fácil, flexível, visual e viciante. Esta última vantagem baseia-se no ato, entre o egocêntrico e o “bisbilhoteiro”, de estar sempre a par dos gostos das outras pessoas e de ter os outros a admirar os nossos gostos. Mas isto já estava na base das outras redes sociais. A facilidade de utilização e a flexibilidade de poder seguir os temas de uma pessoa sem a necessidade de seguir essa pessoa, unidas à rapidez com que se faz pin it (publicar) ou repin (uma função parecida com o retweet ou o “gosto” do Facebook) de qualquer ligação ou fotografia, isso sim é realmente digno de destaque.

Outra das vantagens mais visíveis e um possível modelo de negócio é que todos estes pinboards são, no fundo, recomendações que se fazem entre particulares transformadas em anúncios e que podem revelar-se um benefício aliciante, sobretudo para empresas de consumo que podem publicar imagens dos seus produtos diretamente nos temas apropriados para a sua promoção. Os pequenos negócios são os mais beneficiados pelo social commerce, ao obterem um veículo publicitário barato e que permite à empresa entrar em contacto direto com o cliente através do produto.

Infográfico: Pinterest a nova aposta do Social Commerce

Entre os seus detratores, as razões são bem mais fatalistas, como por exemplo: “Precisamos mesmo de outra rede social nas nossas vidas? Que rede vai desaparecer se esta for bem-sucedida, já que é óbvio que não temos tempo para gerir mais uma rede?”

Quanto ao possível êxito comercial da rede, as opiniões mais pessimistas preveem que este modelo de negócio interessará apenas as empresas de produtos de consumo e que as restantes não encontrarão qualquer benefício. Também se teme que a interface seja invadida pela incomodativa publicidade, destruindo assim uma das características mais próprias do Pinterest, a clareza e simplicidade com que se apresenta ao usuário.

Funciona realmente?

A verdade é que, fale-se bem ou mal, o Pinterest anda nas bocas do mundo e não está a sair-se nada mal, a avaliar pelos dados de audiências que se recolheram até agora. Parece que o progresso dos seus números ultrapassa os do Google+. O crescimento desta rede ronda já os 400%. Foi lançada ainda não há um ano e já conta com 11,7 milhões de usuários mensais nos Estados Unidos, segundo os dados da consultora Comscore. É verdade que ainda lhe falta muito para chegar ao nível dos gigantes, mas não se pode negar que está a gerar muito tráfego para as páginas cujas ligações são publicadas na rede. Segundo o Shareaholic, ultrapassa os valores combinados do Google+, do YouTube, do Reddit e do LinkedIn.

O Comscore também mostra que o seu perfil maioritário são mulheres (80%) entre os 25 e os 34 anos que dedicam a esta rede, em média, quase 100 minutos mensais, fazendo-o por norma através dos seus smartphones. Apenas o Facebook (sete horas) e o Tumblr (duas horas e meia) conseguem superar esse tempo de permanência.

Infográfico: Por que devemos interessar-nos pelo Pinterest

Parece que o Pinterest encontrou um nicho de mercado e que vai continuar a crescer, pelo menos nos Estados Unidos, segundo as previsões dos gurus dos meios digitais. A sua chegada em grande à Europa ainda não está definida, uma vez que, por enquanto, só se acede à rede por convite. Nem se sabe se terá o mesmo êxito que teve no seu país de origem, mas também é possível que, antes disso, algum concorrente invejoso de tanto êxito e habituado a comprar as empresas com as quais não pode ou não sabe competir acabe por adquirir a rede e a arraste para o esquecimento, como tantas outras startups arrumadas na prateleira.

Miguel Ángel Corcobado
Prisa Digital

13 Comentarios

  • avatar Ricardo Llera 1 março, 2012

    Gracias por compartir el enlace http://goo.gl/tNZLF #GuiaPinterestGratis y… #happypinning!!!

  • avatar marthaonline 29 fevereiro, 2012
  • avatar monica 28 fevereiro, 2012

    Aqui un articulo sobre el copyright de las fotos que subes a Pintecrest

    http://socialtimes.com/pinterest-copyright_b90410

    • avatar Research Staff 28 fevereiro, 2012

      Indudablemente los derechos de las imágenes es un tema importante que observar. Es importante informarse bien y leer las condiciones y contratos antes de registrarse en cualquier lugar de la Red que vayamos a utilizar. Gracias por el enlace Mónica.

  • avatar Diego Senior 23 fevereiro, 2012

    Gracias por el artículo. Una corrección, Pinterest nació en 2009, no en 2011. Explotó en 2011, como bien lo afirman ustedes.

    Otro dato de interés que puede complementar el artículo: el enfoque femenino en cuestión de cocina, cosméticos, ropa, etc. Es una herramienta predominantemente para el mercado femenino, pero que explora ese mismo aspecto en los hombres (un tipo interesado en la cocina o en la decoración de interiores, etc)

    Aquí los datos de soporte: http://www.npr.org/blogs/alltechconsidered/2012/02/22/147222619/so-pinterest-is-a-womans-world-does-that-matter

    Un abrazo,

    Diego S

    • avatar Research Staff 23 fevereiro, 2012

      Gracias por los aportes Diego.

  • avatar Alex Ramires 23 fevereiro, 2012

    Muito interessante, parece-me que chega para ficar. Muito obrigado pela dica.

  • avatar Monica 21 fevereiro, 2012

    lo malo que estuve leyendo es que en las letras pequenas del contrato cuando te haces usuario
    es que ellos pueden vender las imagenes que se suben a su red
    y si tu subiste algo que no es tuyo por ejemplo y de ahi ellos lo venden luego el verdadero propietario de la imagen te puede demandar a ti

  • avatar marthaonline 21 fevereiro, 2012

    El link del artículo a Pinterest no funciona :-( Entré por aquí –> http://pinterest.com/

  • avatar Concha 21 fevereiro, 2012

    Mmmmm, interesante perspectiva comercial y de proyección de futuro como red social emergente la que da este artículo de Pinterest. Ya la conocía y como usuaria no me pareció algo en lo que yo no emplearía mi tiempo. Pero indiscutiblemente no la había mirado con ojos de negocio…

  • avatar Chevi Dorado 21 fevereiro, 2012

    Todavía no lo he utilizado pero me acabo de descargar este “manual” que me recomiendo un amigo. Lo traigo aquí por si interesa. Me he descargado GRATIS la Primera Guía en Español sobre #Pinterest de @ricardollera aquí http://goo.gl/tNZLF #GuiaPinterestGratis

    • avatar Research Staff 21 fevereiro, 2012

      Buen aporte Chevi, muchas gracias.

  • avatar Jesus Gallego 21 fevereiro, 2012

    Muy interesante. Tenía previsto hablar de ellea el pasado domingo en Carrusel, lo haré el próximo.

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