Programa Logros e as capacidades cognitivas

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Os sistemas educativos, no geral, valorizam os estudantes que conseguem bons resultados no seu desempenho académico, ou seja, que obtêm boas classificações. No entanto, frequentemente, alguns estudantes sentem-se frustrados porque os seus esforços não se refletem nas notas que recebem nos quadros de avaliação escolares.

Não é que estes alunos não se esforcem, é provável que o façam. Pelo menos nos primeiros anos de escola, a curiosidade e a vontade de aprender mantêm o estudante bastante motivado. No entanto, quando essa motivação não é acompanhada pelo desenvolvimento de competências cognitivas, um estudante pode não melhorar a sua aprendizagem e obter notas baixas.

Se a perceção, a atenção ou a memória de um aluno não forem devidamente desenvolvidas, é muito difícil fazer com que aprenda ao ritmo esperado. Se um aluno não tiver a capacidade de raciocínio matemático necessária para comparar e ordenar números, a sua capacidade para resolver os problemas matemáticos será diminuída. Se tiver uma baixa capacidade de reconhecimento de palavras ou de dedução, não conseguirá compreender os textos que tem de ler nas diferentes disciplinas. Se não tiver uma competência espacial desenvolvida, ser-lhe-á muito difícil trabalhar com a geometria ou a geografia. E fazer mais exercícios de matemática ou ler mais livros não vai resolver o problema, porque há uma falha a nível das bases. Ou seja, além dos conteúdos, é necessário alicerçar as competências cognitivas nos estudantes.

É frequente alguns alunos, ao serem confrontados com um problema matemático, não compreenderem o que estão a ler, não saberem que operação devem utilizar para o solucionar ou não conseguirem destrinçar os dados importantes das distrações. Não é que não saibam quando é 12 + 36 ou 9 x 7, o problema é que lhes faltam as competências para utilizar esse conhecimento na resolução de um problema matemático.

E o pior é que, quanto mais se avança na escolaridade, mais evidente se torna o atraso nas competências e as dificuldades de aprendizagem são maiores. E já nem falamos do impacto que isto tem na autoestima, reforçando-se assim o círculo vicioso ao ponto de o estudante pôr em causa o seu nível de inteligência e sentir-se incapaz.

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Devido ao facto de sabermos que, em muitos casos, não se trata de um problema de inteligência (na verdade, em quase nenhum), mas sim que, por algum motivo, há um atraso numa competência, é importante saber em que ponto se encontram os alunos das nossas escolas a nível de desenvolvimento das suas capacidades cognitivas e intervir na sua evolução.

Infelizmente, os professores não foram formados para desenvolver competências cognitivas, mas sim para desenvolver a aprendizagem nas suas áreas de conhecimento. De facto, o conhecimento das capacidades está mais relacionado com o trabalho do psicopedagogo ou do psicólogo. Por isso, devemos fornecer ao docente ferramentas que o ajudem a realizar este trabalho de forma prática e concreta. Um pouco como acontece na fase pré-escolar, na qual os docentes sabem que o mais importante é o desenvolvimento das capacidades (motricidade, lateralidade, sequencialidade, classificação, etc.).

Adicionalmente, recordemos que muitos ministérios da educação e instituições internacionais avaliam os sistemas educativos e isso representa um acréscimo de pressão para a escola. Algumas dessas avaliações não têm a ver com a aprendizagem, mas com as competências de leitura e de resolução de problemas. E alguns países fazem rankings de escolas com base nesses resultados.

Por isso, a Santillana criou o programa Logros, para enfrentar esta problemática escolar e providenciar ferramentas a docentes, diretores e escolas que lhes permitam conhecer e desenvolver as capacidades cognitivas dos seus estudantes, de modo a que melhorem tanto na aprendizagem das disciplinas como nas competências de compreensão leitora e resolução de problemas por que são avaliados.

O programa Logros foi concebido numa sequência de três etapas. A primeira diagnostica as competências cognitivas e emocionais dos estudantes com a plataforma Habilmind. A segunda treina o desenvolvimento de capacidades em dois momentos, um através de uma plataforma interativa chamada Aprendizagem Eficaz e o outro através de cadernos de exercícios. E a terceira aplica essas competências na resolução de projetos colaborativos e avalia os progressos. Vejamos cada etapa ao pormenor.

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  1. Para diagnosticar as competências dos estudantes, utilizamos a plataforma Habilmind. Diagnosticam-se as capacidades a nível do raciocínio matemático, raciocínio verbal e competências de leitura. Com isto, temos um ponto de partida para iniciar o trabalho de desenvolvimento de competências.

Deste diagnóstico geram-se vários relatórios: estudante, encarregado de educação, docente e psicopedagogo. O relatório para o encarregado de educação é muito importante porque fornece informações qualitativas que permitem ao encarregado saber mais pormenores sobre o seu filho e, de acordo com o diagnóstico, oferece recomendações para o ajudar em casa. Muitas vezes, o docente não tem muita informação para dar ao encarregado de educação sobre um estudante além das suas notas. Com este relatório, o docente pode revelar mais sobre os seus alunos.

A plataforma Habilmind também tem outras ferramentas de diagnóstico: estilos de aprendizagem, escala emocional e tendências emocionais de cada aluno. Com isto, obtém-se mais informação que ajuda o docente a orientar os seus alunos. Também o encarregado de educação recebe um relatório com recomendações para desenvolver as competências emocionais do seu filho de acordo com o seu diagnóstico.

Por último, a Habilmind oferece ao docente um mapa de integração dos alunos de cada turma, o que permite detetar lideranças, rejeições e influências em cada grupo. Isto permitirá ao docente prever casos de bullying ou vitimização.

  1. Uma vez obtido um diagnóstico, o programa Logros trabalha as competências dos alunos. A neurociência já provou que o cérebro é muito plástico e que qualquer pessoa pode melhorar as suas competências em qualquer idade e desenvolver capacidades que não desenvolveu em etapas anteriores.

Já ultrapassámos a ideia de inteligência baseada no quociente intelectual que determinava o nível de inteligência de uma pessoa e o fixava de forma permanente. Atualmente, sabemos que a inteligência é dinâmica e que se pode melhorar com o estímulo adequado.

Com a plataforma Aprendizagem Eficaz, cada estudante recebe um roteiro único e personalizado para trabalhar as suas competências, concentrando-se nas menos desenvolvidas. Com um interface lúdico, o estudante trabalha de forma autónoma em pequenas sessões durante a semana para solidificar as suas competências em três módulos: competências cognitivas, compreensão leitora e matemáticas. O docente recebe informações de todos os seus alunos, de forma permanente, num painel de controlo.

Por outro lado, docente utiliza na sala de aula o caderno de exercícios para orientar os seus alunos no desenvolvimento de competências de raciocínio verbal e lógico e numérico.

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  1. Por último, a etapa de aplicação utiliza a aprendizagem feita em projetos para avaliar e evidenciar as competências adquiridas. Com um projeto colaborativo por bimestre, trimestre ou semestre (como o professor determinar), o docente poderá avaliar as competências dos seus alunos com instrumentos como a rubrica e o portefólio.

No final do ano, utilizaremos a plataforma Habilmind para determinar o nível de progresso de cada aluno, de forma a que o professor do ano seguinte tenha um panorama claro do desempenho dos estudantes no ano letivo anterior.

Durante todo o processo, o Logros oferece acompanhamento à escola e capacitação aos docentes, para que tenham as ferramentas e os conhecimentos relacionados com o desenvolvimento das capacidades cognitivas e possam prestar apoio aos seus alunos.


Luis Guillermo Bernal

Director global de Santillana Compartir

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