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O reinado da América Latina nas redes sociais

Um relatório recente da comScore, líder mundial em medição de audiências de Internet, revela que a América Latina é a região mais envolvida nas redes sociais a nível global. Para além disso, relata os últimos dados sobre o avanço da rede social Pinterest na América Latina. Para compreender o porquê desta realidade, entrevistamos Alejandro Fosk, Vice-Presidente Sénior da comScore América Latina.

As 10 respostas de:

Alejandro Fosk – Vice-Presidente Sénior da comScore América Latina

 

– A comScore publicou há uns dias o último relatório sobre redes sociais na região da América Latina. Pode se afirmar que é uma zona onde as pessoas estão muito envolvidas nas redes sociais. Porque é a América Latina tão “social”?

É algo que faz parte da nossa idiossincrasia, dos latinos. Creio que somos extremamente sociais, e as redes sociais refletem este comportamento. A América Latina se caracteriza por ter uma grande participação em redes sociais comparada com outras regiões do mundo. Por sua vez, os latinos formam a região que mais tempo consome nas redes sociais, com uma média de 7,5 horas mensais por visitante.

P – Para além da presença da América Latina nas redes sociais, também chama a atenção a quantidade de tempo nas mesmas. Acredita que estes números têm tendência para estancar, ou nota que o tempo de permanência dos internautas continua a aumentar?

Se avaliarmos o tempo médio mensal consumido por visitante no último ano, podemos observar que ainda que a tendência seja de crescimento, também é estável. Não podemos afirmar que o consumo vá aumentar mas, no entanto, o aparecimento de novas redes sociais neste cenário deixa antever que os usuários latinos podem aumentar o seu uso.

P- Um dado surpreendente é verificar como a rede social da Google, o Orkut, foi destronado pelo Facebook no Brasil. O que aconteceu? Como é que uma rede social tão poderosa não conseguiu manter e aumentar o interesse dos usuários?

Desde 2010, o Facebook assumiu a liderança de seis novos mercados na Ásia, América Latina e Europa. Não é um fenômeno novo que, no Brasil, o Orkut tenha sido ultrapassado pelo Facebook, isso também aconteceu há dois anos quando o Facebook superou o Orkut na Índia. (Ver gráfico abaixo)

P- Nesse sentido, julga que a supremacia do Facebook é intocável na Região da América Latina?

A supremacia do Facebook tem sido intocável e crescente, mas isso não significa que, no contexto de mudança no qual vivemos, não possa surgir outra rede social que tome a liderança.

P – No relatório também se procede a uma análise sobre a rede social Pinterest na América Latina, que tem tido um crescimento espetacular nos últimos quatro meses (de 158.000 usuários para mais de 1,3 milhões em quatro meses). Dos dados extraídos, surpreende que Porto Rico tenha o dobro dos minutos consumidos dos outros países. A que se deve tamanho envolvimento?

De um modo geral, pelo que nos é dado a observar, o comportamento de Porto Rico é muito semelhante ao dos Estados Unidos, e de alguma forma se “desindexa” da América Latina. Por isso, não é de estranhar que Porto Rico tenha um comportamento diferente do resto da nossa região, nesse caso.

P- Que futuro augura para o Pinterest? Acredita que entrará brevemente na tabela das redes sociais mais utilizadas na América Latina?

Tal como referimos no nosso comunicado à imprensa, o seu impressionante crescimento desde o início do ano sugere que poderia se converter rapidamente num jogador chave na cena social da América Latina. Nos Estados Unidos já está alcançando os primeiros lugares no ranking das redes sociais, e na Europa estamos assistindo a um comportamento semelhante.

P – Ainda nesse estudo, observamos que as mulheres da América Latina participam muito mais em presença e em consumo de conteúdo do que os homens, na rede social Pinterest. É uma tendência notada noutros mercados?

O Pinterest se caracteriza pelo interesse das mulheres nesta rede social de pinboards e scrapbooks em todo o mundo, e a percentagem observado é um consumo feminino de cerca de 60% versus 40% de consumo masculino.

P – Gostaríamos agora que nos contasse os seus segredos digitais. Qual foi a sua última compra online? E o seu último capricho digital? Ebook e/ou livro impresso?

Em geral, já não leio livros impressos, quase por princípio. Desde que tenho o meu iPad, uso-o praticamente para 100% do meu consumo de informação, sejam livros, revistas ou jornais. Utilizando o Flipboard ou o Zite tenho, para além disso, acesso a informação classificada de acordo com as minhas preferências.

A minha última compra online foi um Mac, mas na realidade, o maior uso de retail é quando viajo e dou uma “mesada virtual” aos meus filhos para que comprem e me façam chegar produtos onde quer que esteja hospedado. Também uso muitos os jogos e apps como pequenos prêmios para os meus filhos e, como pode imaginar, o meu iPad está infestado de aplicações que não uso…

P- Qual é a aplicação que mais utiliza no seu smartphone? Nos recomenda alguma?

Obviamente, para além da app da comScore para ver relatórios, press releases interessantes e muito mais… uso muitíssimo o Flipboard e, em geral, aplicações de comunicação como o Whatsapp, Skype, Chat do Blackberry, etc.

P- Usa mais o Twitter ou o Facebook? Qual é a sua opinião das redes sociais? Com qual se sente mais confortável? Imagina passar um dia sem lhes aceder? Nos segue?

Eu diria que gosto mais do Twitter que do Facebook. Creio que fiquei um pouco fora da tendência do Instagram, Pinterest, mas isso é basicamente porque tenho um Blackberry (já que viajo muito e o custo de roaming do iPhone é muito elevado). Claro que vos sigo :) .

 

Cristina Crisol
PRISA Digital



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