O Top 25 das profissões digitais

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Há já bastante tempo que, se nos aproximarmos de qualquer fórum ou evento de caráter empresarial, o tema mais ouvido será sempre a transformação digital, algo que, mais do que uma abordagem, é um facto necessário, sobretudo para quem quer aproveitar as oportunidades que o mundo digital e, em última análise, a sociedade oferecem. Porém, quando se fala de transformação digital nas empresas, há que ter em conta que, para que se concretizem as mudanças adequadas, é preciso que se contratem certos perfis profissionais que deem resposta às novas necessidades que surgem com esta transformação. Perfis que podem ser formados a partir de postos já existentes e outros que terão de ser implementados de raiz.

Neste sentido, a Inesdi Digital Business School, em colaboração com a Incipy e a Indigital Advantage, realizaram o estudo Top 25 Profissões Digitais 2016, elaborado com base em 165 ofertas de trabalho de mais de 100 empresas registadas na Bolsa de Emprego da Inesdi durante o ano de 2015 e que dá uma ideia das profissões mais requisitadas no âmbito da transformação digital.

Ana Sánchez-Blanco, diretora académica da Inesdi, apresentou o estudo sublinhando que há uma maior maturidade no reconhecimento dos profissionais digitais por parte das empresas. Quer isto dizer que as organizações têm já perfeita noção de que não só é necessária uma transformação como é também preciso ter os perfis profissionais adequados para a liderar.

O estudo parte da identificação das competências profissionais do futuro, já que, dentro de 5 anos e com a chegada da inteligência artificial, um terço das competências que agora nos parecem relevantes terá mudado.

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No estudo, chega-se à conclusão de que os perfis mais próximos do Marketing Digital e das Redes Sociais são os mais requisitados pelas companhias atualmente (68%), seguidos dos especialistas em Estratégia Digital, dos Designers e dos Programadores Digitais. O Big Data e a Business Intelligence são duas das especialidades com maior crescimento em relação ao ano anterior. Por outro lado, apresentam-se 6 novas competências digitais: Growth Hacking Manager, Visual Data Scientific, Virtual Reality Architect, RTB Manager, E-recruitment Manager e Human Resources Analyst.

Como novidade em relação às edições de outros anos, o estudo oferece um relatório com a média dos salários para cada tipo de perfil, que vai dos 25.000 euros de um perfil de Content Manager aos 150.000 euros de um Digital Manager empregado numa multinacional.

Para a apresentação do estudo, a Inesdi organizou um interessante debate em torno da necessidade de novos perfis nas empresas, que contou com a participação de Sara Gallego, content marketing manager na Coca-Cola Company; Javier Hernández, Head of Ecommerce and Marketing na Iberia Express e Jaime Garrastazu, cofundador da Pompeii, uma start-up de venda online de produtos de moda, cuja plataforma de marketing principal são as redes sociais e a proximidade com o cliente.

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Javier Hernández salientou que, nas companhias que nasceram na Internet, como é o caso da Iberia Express, há a vantagem de não ser necessário convencer o CEO para lhe vender uma estratégia digital, uma vez que é precisamente isso que ele espera que aconteça na sua empresa.

Também destacou a importância do aumento de profissionais dedicados ao Big Data e dos analistas de dados, uma vez que, atualmente, é uma das ferramentas de marketing mais eficazes com que as empresas de e-commerce podem contar.

Por seu lado, Sara Gallego afirmou que a Coca-Cola está a integrar perfis profissionais digitais entre os postos tradicionais e salientou a importância desta combinação para otimizar as campanhas de marketing: “Quem vem do mundo digital tem uma noção mais apurada do que o consumidor pensa e tudo se vê de maneira diferente.

Gallego afirmou também que os perfis digitais também devem ser especializados, mas cada um na sua área: “Não se pode pensar, nesta altura do campeonato, que os funcionários dedicados ao SEO devem saber programar ou controlar o inbound marketing, isso é um erro.

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Jaime Garrastazu, cuja intervenção foi uma lufada de ar fresco, explicou como funciona uma empresa que não precisou de se transformar pois, sendo nativa digital, faz já parte do ecossistema da Internet. Esta empresa, cujos principais clientes são millennials, cria ações de marketing destinadas exclusivamente a este público e diretamente nos canais em que se movem, as redes sociais. Como curiosidade, o cofundador da Pompeii comentou que, no quadro da empresa, incluíram o perfil de artista, que complementa os restantes perfis digitais e oferece um ponto de vista diferenciador. Uma abordagem disruptiva dentro da disrupção que uma empresa deste tipo implica à partida.

Garrastazu comentou que os segredos do seu sucesso são: a marca como elo de ligação com os seus potenciais clientes, tendo em conta que os social media tomam agora o lugar da agência de comunicação tradicional; e a gestão dos dados que estes clientes geram ao interagir com a sua plataforma de vendas.

Parece-me importante destacar que Garrastazu pediu aos presentes que deixassem de tratar os influencers e os YouTubers como se fossem cromos da Internet, uma vez que estes cumprem a sua função como mais um meio económico deste mundo, onde se movem muitos clientes.

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