À procura de um modelo de negócio para os media

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O impacto da transformação digital dos meios de comunicação social tem sido rápido e intenso em comparação com outros setores. A digitalização tem alterado a cadeia de valor nos media que, após décadas de tentativa e erro para encontrar o modelo de negócio ideal e universal, conseguiram apenas chegar a uma combinação de vários modelos que proporcionam diferentes fontes de receitas.

Dosier-Evoca-Modelos-de-NegocioPepe Cerezo apresenta todas essas experiências de negócio dos meios de comunicação social num novo Dossier Evoca: Em Busca do Modelo de Negócio, onde se analisa a forma como os media têm avançado na criação e desenvolvimento de novos produtos de informação e de entretenimento, em contraste com a quebra na distribuição dos mesmos, que se encontra cada vez mais nas mãos de terceiros.

Seja o comércio eletrónico, a venda de conteúdos, os eventos, a formação ou as newsletters, qualquer nova prática é positiva, tendo em conta que a monetização é um dos seus maiores desafios no que diz respeito à sobrevivência do setor. Segundo Pepe Cerezo: “Os meios de comunicação social sobreviverão na medida em que forem capazes de ver além dos modelos de negócio tradicionais. Até agora, a falta de inovação e a aversão ao risco na procura de modelos tem empatado a transformação do negócio na sua totalidade.”

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Neste dossier, identifica-se cerca de uma centena de boas práticas que permitem ter uma visão do estado da atualidade do setor. Ainda que seja verdade que, em Espanha, existem exemplos de sucesso nos modelos identificados, os autores do dossier preferiram concentrar a análise no mercado internacional.

Com base nos casos estudados, o relatório apresenta as seguintes conclusões:

1.- Diversificação

A publicidade e os conteúdos pagos não bastam para sustentar a maioria dos media online, pelo que é importante diversificar as fontes de rendimento. Raju Narisetti, CEO da Gizmodo Media Group, assegura que os meios de comunicação social “precisam entre três e seis fontes de rendimento diferentes”, sendo que cada meio deve escolher as mais adequadas.

2.- Modelos inovadores

É preciso encontrar os modelos que melhor se adequam a cada organização e apostar na inovação tecnológica e na mudança cultural, como se tem vindo a assistir nas redações, nas áreas de negócio e no management.

3.- O negócio faz parte da mensagem

A estrutura organizativa da companhia afeta o produto e também os modelos de negócio. Nem todas as organizações servem para todos os produtos e vice-versa. Cada uma delas implica abordagens e estratégias distintas que exigem recursos e estruturas diferentes.

4.- O valor da marca

Em plena transformação do paradigma da distribuição, na qual as plataformas tecnológicas alcançaram o protagonismo, a construção de marcas reconhecíveis e credíveis torna-se um dos ativos mais importantes. Assim sendo, todo o trabalho que seja realizado a nível dos atributos da marca para melhorar o seu posicionamento é pouco.

5.- A economia da escassez: verticais e nichos

Num mundo digital em que os mercados não têm limites e são imensuráveis, a procura de nichos e públicos-alvo pouco explorados é uma necessidade para o desenvolvimento dos novos modelos de negócio. O segredo do sucesso destes modelos passa por encontrar esses nichos ou “targets” que não estejam excessivamente explorados mas que tenham dimensão suficiente para serem economicamente viáveis.

6.- Coopetição

Num mundo em que todas as companhias lutam pela atenção dos utilizadores e em que as barreiras competitivas se desvanecem, torna-se cada vez mais necessário procurar formar alianças, até mesmo com empresas potencialmente concorrentes. Neste contexto, explica-se assim o surgimento de um novo conceito, a “coopetição” (ou concorrência cooperativa), que se define como a colaboração entre competidores.

7.- Orientação para o tato

Se os dados são a matéria-prima do negócio digital, a organização no seu todo tem de estar orientada para a tomada de decisões baseadas nestes. Um dos pilares da cultura digital é integrar os dados como base do negócio em todas as áreas e departamentos.

8.- Novas métricas

A transformação dos modelos de negócio requer a introdução de novas métricas e indicadores que permitam o seu acompanhamento e avaliação. Por cada nova aposta, é preciso acrescentar a medicação posterior da sua eficiência.

9.- “Entrerprise as a Service

Uma das características da economia digital tem sido orientar o conceito de produto para um modelo de serviços, pelo que o segredo do sucesso seria os meios de comunicação social descobrirem uma maneira de se tornarem uma empresa de serviços. Não só através da matéria-prima que a informação oferece, mas também através de outras propostas que representam mais-valias, como o fornecimento de dados, a assessoria e a consultoria, a formação ou o marketing.

10.- O utilizador é quem mais ordena

Nenhum dos pontos anteriores é relevante se não tivermos em conta o utilizador, o verdadeiro protagonista dos negócios, e, como tal, há que considerá-lo. Os modelos de negócio “agressivos” na busca de audiências indiscriminadas, com estratégias como o “clickbait”, ou os formatos publicitários mais intrusivos foram uma das causas da deterioração da confiança nos media. É preciso não perder essa confiança e credibilidade que são o fundamento da informação.

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