Na Santillana, joga-se xadrez de uma forma um pouco diferente

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Jogar uma partida de xadrez implica pensar, planificar e ter também uma centelha de imaginação. Imaginemos, por exemplo, um tabuleiro de xadrez em que todas as peças de ambos os adversários são brancas. Surgem automaticamente várias questões. Quem começa? Como sabemos quais são as nossas peças? No entanto, uma vez decidido que abre a partida, observamos que o jogo flui naturalmente até meio, quando começa a tornar-se difícil lembrar a quem pertence cada peça. Esta atividade baseia-se na obra “White Chess Set”, de Yoko Ono. A artista apresentou a sua criação numa galeria londrina em 1966. Todos os elementos do conjunto (tabuleiro, peças, as 64 casas e até as cadeiras) eram brancos. Yoko Ono queria transmitir ao mundo uma mensagem de paz. Acreditava que, a meio da partida, os adversários ficariam confusos e teriam de chegar a um acordo pacífico. Esta é uma das formas de utilizar o xadrez, dando-lhe um sentido educativo.

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Há uns dias, apresentámos o novo programa de SET VEINTIUNO, Aprender con Ajedrez (Aprender com o Xadrez), que utiliza este jogo como ferramenta educativa. Foi o culminar de um programa desenvolvido pela Santillana I+D+i e uma equipa de especialistas na didática do xadrez, começando pelo diretor da obra, Leontxo García, conhecido conferencista, apresentador, comentador e jornalista especializado em xadrez no EL PAÍS. Leontxo recrutou para esta aventura aqueles a quem chama os seus pesos pesados: Esteban Jaureguiar, o coordenador da obra, que dirige a partir do ministério da educação do Uruguai o programa “Ajedrez para la convivencia” (“Xadrez para a Convivência”); Alejandro Oliva, especialista argentino na matéria; Marta Amigó, espanhola e coordenadora do projeto que introduziu o xadrez no horário letivo de mais de 300 escolas catalãs; Carlos Martínez, psicólogo da Federação Espanhola de Xadrez (FEDA), leciona o xadrez nas aulas de Língua; Manuel Azuaga, fundador da associação Ajedrez Social da Andaluzia, e Lorena García, coordenadora do programa “Educando personitas, no campeones” (“Educar Pequenas Pessoas, Não Campeões”) do Governo das Illas Canárias.

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Desse trabalho partilhado surgiu uma obra muito diferente de tudo o que já vimos na área do xadrez educativo. Como diz o coordenador, “há cinco dimensões do indivíduo contempladas nesta obra – Homo Narrans, Homo Ludens, Homo Faber, Homo Sapiens e Homo Sentiens – que se materializam em cinco componentes diferenciadoras em relação aos outros produtos no mercado”.

Homo Narrans: cada um dos 22 projetos é acompanhado por uma narrativa, um relato sobre uma personagem histórica de relevo, que nos convida a embarcar numa aventura em que temos o xadrezismo e questões transversais de diferentes disciplinas escolares, o que mantém o interesse vivo e convida ao jogo. E é aqui que aparece a segunda dimensão, o Homo Ludens, um jogador que vai produzindo os seus conhecimentos a partir dos acontecimentos lúdicos. Na obra, estimula-se a criatividade a partir da pergunta, que é o que sustenta todo o processo construtivo do Homo Sapiens. O Homo Faber aparece nas questões transversais, como as matemáticas, as ciências e as artes, de uma forma integrada com o relato.

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Finalmente, o projeto ficaria incompleto se não apostássemos na questão dos relacionamentos e das emoções. A secção reflexionamos (refletimos) aborda os nossos sentimentos e os sentimentos da personagem, e surgem outras questões como a ética e cidadania e a cultura universal: o Homo Sentiens.

Quanto aos valores que o xadrez pode inculcar nas crianças do século XXI, encontramos:

  • Inculcar nas crianças a cultura do esforço.
  • Saber prever as consequências dos seus atos.
  • Ficar recetivo à autocrítica.
  • Maior resistência à frustração.
  • Caminhar rumo a um pensamento mais flexível.

Todo este trabalho, Aprender con Ajedrez, ficou consolidado numa obra escolar para crianças com mais de oito anos, composta por três volumes para o aluno, fichas para o professor e uma página de Internet com materiais suplementares e de apoio.

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Por outro lado, queremos agradecer o trabalho de edição de Isabel Molina que, perante um leque tão amplo de autores, soube integrar todos os seus saberes e construir uma obra linear e enriquecedora.


Cristina de la Haza Gan

Santillana Inovação

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