Encontrar uma agulha num palheiro digital

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Se existe um deus audiovisual hoje em dia, chama-se YouTube, mas a haver um guru que saiba filtrar as mais de 300 horas de vídeo que são carregadas por minuto para esta plataforma será a Storyful.

Esta companhia, fundada por Mark Little em 2010, estabeleceu-se como a agência de notícias imprescindível no mundo digital, sendo capaz de silenciar o ruído social que provocam, entre outros, os mais de 500 milhões de tweets que são publicados por dia em todo o mundo.

Parece um pouco selvático ser capaz de caminhar por esta selva social mas, para a Storyful, adquirida pela News Corporation em 2013, tudo é possível graças ao fact check: uma forma de encaixar o Big Data sem se desmarcar das leis ditadas por Kapuscinsky.

Tornar-se uma tendência é mais fácil graças a eles, que se encarregam de fornecer conteúdos a grandes meios de comunicação social e empresas de todo o mundo com uma premissa clara: ser viral. Um trabalho de seleção e visão de futuro reforçada por verdadeiros profissionais da triagem.

Como o fazem?

É muito simples, procuram e encontram. Para tal, uma equipa distribuída por escritórios em todo o mundo (Hong Kong, Nova Iorque, Dublin, Sidney e Filadélfia) dedica-se a explorar a Internet para encontrar a origem do tráfego. Uma vez verificada a autenticidade do autor do conteúdo, localizam geograficamente os factos, confirmam se tudo faz sentido, adquirem a licença do vídeo em questão e colocam-no à disposição de todos os que dele quiserem tirar partido. Para fazer parte do êxito, basta subscrever os serviços deles.

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Os próprios definem-se como a potência na terra para gerar biliões de visitas a todos os meios de comunicação social e marcas que o desejem. Está claro que a Storyful foi criada para se aliar aos criadores dos conteúdos que vão ser movimentados e com uma licença única: dar cara aos utilizadores que os geram e tirar partido deles. Há um lema claro por trás da sua marca: ‘encontrar histórias enquanto os outros partilham conteúdos’.

Fabricar visitas

Se há algo que a Storyful pode oferecer ao seu projeto são visitas. É isso que se depreende dos seus casos de êxito, entre eles ‘Emotional Baby’, um vídeo que a própria empresa fez crescer até alcançar os 50 milhões de visualizações. Tudo graças aos partners que decidiram contactar com a companhia e partilhar a licença que os próprios tinham conseguido após vasculhar a Internet com um olfato bem apurado. Um final feliz que se junta a uma realidade mais do que contundente: dois biliões de visitas nos vídeos do YouTube que estão sob a alçada da Storyful.

Estamos a habituar-nos a contar notícias que refletem a conversa social, falamos do que é dito no Twitter, mas a Storyful vai mais além. Eles encarregam-se de atiçar a chama das visitas graças a ferramentas como o Trendswire, e fazem-no com um modelo de negócio apoiado pelo gigante da comunicação fundado por Rupert Murdoch.

A Storyful mantém a intensidade e o interesse através da criatividade que as suas histórias geram nas redes sociais, construindo primeiros impactos e gerando segundas partes virais. Procuram em lugares onde as pessoas falam, como no Firechat, e veneram os reis da distribuição, como o WhatsApp ou o Snapchat. Têm perfeita noção de que são o presente por defeito, porque ‘nada vai ser igual dentro de dois anos’.

Aliados de referência

O gigante da Internet lançou este mês de junho o Google News Lab, o seu projeto de referência para jornalistas, no qual se destacam várias ferramentas úteis no processo digital de elaboração de notícias que existe hoje em dia. Neste processo de aproximação dos génios da tecnologia e os meios de comunicação social, encontra-se a Storyful, um filtro com capacidade para processar a infinita quantidade de dados que geramos constantemente.

• Firechat

Uma das alianças mais importantes que a Storyful levou a cabo teve lugar em março de 2015 com a aplicação de troca de mensagens Firechat: uma iniciativa para pôr em contacto o utilizador que gera conteúdos e o que os procura ou precisa deles. O Firechat permite enviar mensagens sem ter cobertura nem tarifa de dados em eventos importantes e onde surge uma revolução, torna-se no veículo de expressão dos seus protagonistas. Com o objetivo de canalizar todo esse poder, aliaram-se à Storyful, para que os recetores dessa informação recebam os dados mais fiáveis em direto.

• YouTube Newswire

Para que fiquemos com uma ideia do poder desta agência, só temos de mencionar o recente comunicado do YouTube e a sua aposta no jornalismo civil com o lançamento do YouTube Newswire. A plataforma audiovisual de referência não teve dúvidas em salientar a experiência adquirida graças à Storyful. Colaboraram em 2007 através do Citizentube e, agora, com o olhar posto no poder do utilizador para gerar e divulgar conteúdos, ambas as forças se uniram para que o YouTube seja um canal com material verificado e de utilidade para todos os que manejam a informação.

• FB Newswire

É o exemplo mais poderoso que podemos observar hoje em dia para mostrar o trabalho que a Storyful realiza na conversa social. Esta aliança que alcançou com o Facebook em 2014 surgiu para criar uma fonte de notícias sociais de referência, que conta atualmente com uma comunidade com mais de cem mil seguidores e que partilha conteúdos verificados a partir da rede social. Estes podem ser utilizados pelos jornalistas e pelas redações que deles precisem.

Na época do tempo real, a Storyful tornou-se o melhor aliado dos meios de comunicação social para canalizar todo o seu potencial informativo.


Katy Lema
SEO Editorial en EL PAÍS

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