Experiências de curiosidade no laboratório de jornalismo da Escola UAM-EL PAÍS

Laboratory Glassware on Table

Quando a imprensa ainda não tinha terminado o debate sobre se o papel estava morto, o consumo de notícias na Internet sentenciou o futuro da homepage e mergulhou na perplexidade os meios de comunicação social que tinham feito um grande esforço na transição digital. De repente, os leitores – agora transformados em utilizadores – deixavam bem claro que já não acorrem aos escaparates dos meios, mas que consomem a informação através das redes sociais, do correio eletrónico, de ligações partilhadas em grupos de WhatsApp ou por qualquer via que lhes seja mais cómoda e útil. E, nesse movimento disruptivo, o ensino – e a aprendizagem – do jornalismo viu-se também no centro da tempestade.

Neste contexto, a Escola de Jornalismo UAM-EL PAÍS, que mantém a mesma vocação de estar na vanguarda do jornalismo que tem desde que abriu as suas portas há quase 30 anos, deu o salto para se transformar num laboratório de novas práticas profissionais. Assumimos o espírito de que a mudança passou a ser o nosso dia-a-dia. Comprovar, experimentar, canalizar a curiosidade nata que é inerente ao jornalista para o uso de novas ferramentas para o seu trabalho e, em última análise, mergulhar na onda disruptiva que a tecnologia traz consigo.

Quando os 37 alunos do Mestrado 2014-2016 chegaram em outubro à sede da Escola, uma das primeiras coisas que receberam foi um smartphone. O mesmo para todos, com o propósito de unificar o sistema operativo e equiparar as aplicações para assim aprender os meandros do jornalismo móvel. Foi o primeiro passo. A partir desse dia, os alunos não pararam de experimentar ferramentas e fórmulas que ainda não chegaram à maioria das redações.

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Nas saídas à rua em busca de informação, uma tarefa habitual do jornalismo, no caso dos alunos, acrescentou-se a obrigação de fazer “ginástica narrativa”. Ou seja, contar o que viam em tempo real através do telemóvel e das redes sociais, escolhendo o que melhor se ajustava a cada história: textos breves, fotografias, vídeos, áudio e, sempre, contexto. Esta prática habitual permitiu-lhes ficar preparados para cobrir em direto em elpais.com as eleições autonómicas e autárquicas do dia 24 de maio, criando uma rede de informação em tempo real através do Twitter que conseguiu quatro milhões de publicações com o hashtag #EdP24M. Para a seleção dos melhores tweets, a Escola recorreu ao Curator, uma ferramenta que o Twitter tinha apresentado um mês antes.

Outro exemplo. O workshop de empreendedorismo que a Escola criou uns cursos antes foi-se desenvolvendo até ao ponto de um grupo de alunos ficar imerso, durante as aulas práticas que fazem parte do programa do mestrado, na criação de uma start-up apoiada pelo grupo PRISA.

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E, no trabalho de grupo com que cada edição do mestrado culmina a sua formação na Escola, este ano deu-se prioridade aos formatos do vídeo e do podcast. Os alunos trabalharam durante três semanas num especial sobre a mudança geracional. Sob o título #EmerGENTES, abordaram a forma como os jovens tomaram as rédeas de uma nova sociedade em que há mudanças a nível da política e da comunicação, dos modelos familiares e do consumo económico. Este especial foi impresso em suporte de papel, mas foi também publicado nas páginas elpais.com e cadenaser.com.

A nova edição do mestrado, que começa em outubro, viverá na Escola o mesmo espírito inovador.


Soledad Alcaide
Subdirectora de la Escuela de Periodismo UAM-EL PAÍS

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