“Sabemos que as redes sociais são uma mais-valia fundamental para promover a colaboração dos cidadãos”

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Um novo programa de investigação chega à grelha da RTVE, “Desaparecidos”, na senda do histórico programa “¿Quién sabe dónde?”, dirigido por Paco Lobatón na década de 90, ele que volta a assumir o leme deste projeto produzido pela RTVE em colaboração com a PRISA Vídeo e a REDacción7.

Conversámos com a sua apresentadora, a conhecida jornalista Silvia Intxaurrondo, para que ela nos fale mais sobre a estreia de “Desaparecidos”.

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P.- O que significa recuperar um formato de tanto êxito e tão mítico como “¿Quién sabe dónde?”, 20 anos depois?

R.- Para mim, representa assumir uma grande responsabilidade e um grande desafio. Em “¿Quién sabe dónde?”, resolveram-se 70% dos casos. Além disso, criou-se uma ampla consciência social em relação a uma realidade até então totalmente desconhecida e que continua presente 20 anos depois.

P.- Assume o legado de Paco Lobatón como cara visível do programa, ao passo que ele fica na direção do mesmo. Por outro lado, trabalhou com Iñaki Gabilondo no programa “Hoy por Hoy” da Cadena SER e em Noticias de Cuatro. O que significa para si colaborar com figuras tão consagradas do jornalismo?

R.- Sinto-me uma privilegiada. É um verdadeiro luxo e uma grande oportunidade trabalhar neste ofício sob a orientação de dois grandes mestres.

P.- Neste momento em que deixamos a nossa pegada digital em todo o lado, em que partilhamos tudo o que fazemos nas redes sociais e em que andamos sempre de telemóvel na mão, é assim tão fácil uma pessoa se perca?

R.- Perder-se e desaparecer não é propriamente a mesma coisa. No que diz respeito aos desaparecimentos, os dados são inegáveis. Segundo o Ministério do Interior, existem atualmente 4.164 buscas ativas.

P.- No programa histórico, puderam-se ver casos de pessoas que, mais do que se perder, esconderam-se do seu passado ou da sua família. Acha que aparecerá gente assim no vosso programa? A seu ver, o que leva uma pessoa que aparentemente não tem qualquer motivo legal para se esconder a desaparecer sem deixar rasto?

R.- As causas são infinitas, mas não gratuitas e, por isso, não o descarto. A história do “foi comprar cigarros e já não voltou” está ultrapassada. Há sempre motivos, ainda que inicialmente não se saiba quais são. Em qualquer caso, o programa prevê uma “lista reservada” para as pessoas que não queiram ser encontradas.

P.- Sabemos que “Desaparecidos” vai contar com a ajuda do Centro Nacional de Desaparecidos. Com quem mais vão contar para vos ajudar nas vossas pesquisas? Qual é o processo habitual para encontrar uma pessoa que não dê sinais de vida há muito tempo?

R.- Somos essencialmente uma equipa de investigação jornalística. O CNDES colabora connosco na verificação dos casos e das possíveis pistas.

P.- Na década de noventa, alguns detratores classificaram erradamente como “reality show” o programa original, “¿Quién sabe dónde?”, quando na realidade se tratava de um serviço público. Como se pode contrariar estas opiniões negativas para deixar bem claro que, na verdade, se está a fazer jornalismo de investigação?

R.- Tanto quanto me lembro, essa designação nunca foi associada ao programa “¿Quién sabe dónde?”. Convido todos os telespetadores a verem “Desaparecidos” e a tirarem as suas próprias conclusões.

P.- “Pós-verdade” e “fake news” são dois dos termos que mais se ouvem nos meios de comunicação. Na sua opinião, que impacto acha que tem este tipo de coisas na profissão de jornalista?

R.- Não há qualquer dúvida que boa parte das notícias falsas ou manipuladas prejudicam a credibilidade jornalística. E sabemos que as redes sociais são uma mais-valia fundamental para promover a colaboração dos cidadãos. A equipa de “Desaparecidos” compromete-se a trabalhar sempre de forma rigorosa.

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