A liderança feminina é compatível com a conciliação?

B

Esta foi uma das grandes perguntas que foram colocadas no fórum organizado pela Mutua Madrileña e pelo Cinco Días na sede do jornal diário.

Este Programa de Liderança Feminina é uma iniciativa da Mutua que conseguiu reunir na passada quarta-feira, dia 25 de novembro, seis mulheres com um cargo fulcral nas suas respetivas empresas. O debate, moderada pela diretora do Huffington Post, Montserrat Domínguez, contou com a presença de Almudena Román, Diretora do ING Direct Espanha, Ana Alonso, Diretora do departamento de Grandes Empresas e Partners da Microsoft Ibérica, Inma Shara, maestrina, María Luisa de Contes, Secretária-Geral e dos Conselhos do Grupo Renault em Espanha, e María José Aguiló, sócia responsável da KPMG Advogados em Espanha.

Na conversa, enalteceu-se a capacidade de diálogo e as numerosas iniciativas que as empresas estão a levar a cabo para eliminar as diferenças que ainda hoje em dia continuam a incomodar-nos. A Mutua reiterou o seu objetivo: chegar aos 50% de mulheres em cargos de gestão e de direção. Os projetos de que se falou continuam a tentar promover o talento de uma forma objetiva, eliminando o obstáculo que representa para muitas mulheres conciliar a vida pessoal e a vida profissional.

Equality concept

Entre as propostas que foram nomeadas, falou-se da Rede de Mulheres da Renault, uma associação interna que promove a mudança em todas as estruturas da empresa. María Luisa é uma das 4600 mulheres que trabalham para mudar as coisas a partir de dentro com iniciativas importantes que acabam por se refletir nos modelos de automóveis que fabricam. Através de um inquérito, elas definiram qual seria o seu carro ideal, um resultado que deu origem a um novo lema empresarial: “Hoje, fazemos carros para todos.”

A ideia que lançou Almudena Román, do ING, aplica um ponto de vista diferente: o talento. Com este fundamento, o banco que dirige apoia-se em três ferramentas fundamentais: um sistema de identificação de talento com critérios objetivos, um sistema de determinação e avaliação de objetivos que alarga a visão de liderança, e flexibilidade no momento de compatibilizar todos os projetos de vida dos seus trabalhadores. Uma forma de trabalhar que, de acordo com a diretora, “beneficia homens e mulheres”.

C

A pergunta fulcral ficou bem clara: a liderança é compatível com a conciliação? Para a maestrina Inma Shara, é uma questão de fomentar sensibilidades, “porque a mudança está nas atitudes, em aplicar modelos de liderança em que se coloque a tónica na pessoa”. Na Microsoft, Ana falou da necessidade de a mulher ter uma postura bem clara no momento de enfrentar uma mudança, da importância de ter uma base de suporte que lhe dê tranquilidade e “que não exija que sacrifiquemos o nosso projeto pessoal”.

María José Aguiló, da KPMG, foi categórica: “Não é uma opção renunciar à diversidade.” Por este motivo, na sua empresa, continuam a adotar medidas claras para identificar talento feminino e, sobretudo, para que as mulheres não abram mão da sua oportunidade de chegar ao topo. O problema continua bem presente, já que, no caso desta área, menos de 15% das mulheres chegam a sócias.

Time

As polémicas quotas de mulheres encerraram um colóquio que insistiu na importância de reafirmar a igualdade a partir das próprias empresas, a todos os níveis e sobretudo a partir da própria direção. Opiniões de toda a ordem para manifestar a necessidade de legislar definitivamente um sistema de quotas equitativo; comparações com um país vizinho como a França, que já as aplica, e pontos de vista opostos a favor da objetivação do talento para evitar “catalogar as pessoas”.

A “liderança feminina” como frase motivacional para abrir um debate que precisa de muitos outros debates. Perguntas, respostas e uma intenção: a igualdade. Inma Shara foi uma das encarregadas de encerrar uma conversa no mínimo necessária. Fê-lo como se fosse um dos concertos que dirige habitualmente, com muita harmonia, transmitindo a vontade de liderar a cada um dos presentes com as seguintes palavras: “No palco, brilhamos todos.”


Katy Lema
SEO Editorial, EL PAÍS

Deixe uma resposta

MENU
Leer entrada anterior
NegraYCriminal_850
Fala sobre o medo? Ouve o medo?

Num filme de intriga, suspense ou terror, os espetadores são expostos à sugestão através das imagens e dos sons que...

Cerrar