O empreendedorismo é uma moda ou veio para ficar?

Emprendedores

Empreendedores, start-ups, capital semente, rondas de financiamento… Estes são conceitos que têm ganhado força nos últimos anos. Seja por causa da crise e da falta de emprego que levaram as pessoas a criar os seus próprios negócios como forma de autoemprego ou por causa da aproximação da cultura americana à Europa, o empreendedorismo tornou-se uma realidade incontornável em todo o mundo.

Mas… quem são os empreendedores?

Antes de abordarmos a questão de o empreendedorismo ser um fenómeno passageiro ou não, é importante desmistificar um pouco a palavra que se tornou moda nos últimos anos. O empreendedor não é apenas o jovem de 22 anos que se junta com os amigos para desenvolver um algoritmo que mude o mundo, mas sim qualquer empresário ou pessoa que decida colocar em marcha um projeto e levá-lo a bom termo. Da pessoa que abre uma frutaria ou uma loja online ao Mark Zuckerberg, somos todos empreendedores.

Nos últimos anos, o empreendedorismo ficou tão na moda que se tornou um conceito que vemos a toda a hora e em todo o lugar. Os jovens (principalmente a geração dos millennials) têm cada vez mais formação e não apreciam que lhes digam o que têm de fazer ou que coloquem entraves à sua progressão, pelo que são cada vez mais os que escolhem criar o seu próprio negócio e trabalhar 80 horas por semana para eles mesmos em vez de trabalhar 40 horas para os “outros”.

Então, nascemos ou tornamo-nos empreendedores?

Trata-se de uma pergunta que gera muito debate entre os próprios empreendedores. Por um lado, temos a corrente que defende que o gene do empreendedorismo é algo que se tem desde que se nasce ou não se tem de todo. Por outro lado, outras pessoas (entre as quais me incluo) defendem que um empreendedor se faz ao longo da sua vida e através das experiências que vai vivendo.

No meu caso, descobri que o meu sonho era dirigir a minha própria empresa quando tinha 23 anos, depois de ter dedicado parte da minha (curta) vida profissional a trabalhar para terceiros e perceber que me esperava um futuro para o qual não estava preparado. Nesse momento, decidi mudar de rumo, complementar a minha formação académica com um Mestrado em Criação de Empresas e Iniciativa Empreendedora na Universidade Carlos III de Madrid e pôr em marcha o meu próprio projeto: Pack to Spain.

Terei tomado a decisão certa ao fazer um mestrado em criação de empresas antes de lançar o meu próprio projeto? Algumas pessoas dirão que não, mas eu estou totalmente convencido de que foi. É verdade que um mestrado ou um curso não são garantia de sucesso, mas ajudam a estruturar as ideias e a esclarecer conceitos. Graças a essa formação, aprendi a identificar oportunidades onde antes não as via, a analisá-las de vários pontos de vista que anteriormente ignorava e a pensar em ideias de negócio para aproveitar essas oportunidades de uma perspetiva diferente.

De facto, durante o meu mestrado, pude constatar que mais de 50% da turma era composta por estudantes de outras nacionalidades que se tinham deparado com vários problemas para encontrar alojamento em Espanha e passar por todos os trâmites para se instalarem. A oportunidade surgiu mesmo diante do meu nariz e, graças a isso, decidi pôr em marcha Pack to Spain, uma empresa que se dedica precisamente a ajudar os estudantes estrangeiros que vêm para Espanha.

Pack to Spain

Dispomos de apoios suficientes para empreender?

Nos últimos anos, pudemos ver como os governos e as instituições educativas se têm adaptado, aos poucos, à tendência atual da criação de empresas. Temos vindo a observar que tanto as instituições públicas como as privadas dão mais apoio aos empreendedores através da introdução de benefícios fiscais nas etapas iniciais, programas de formação, ajudas económicas e eventos que promovem o avanço desta cultura.

Universidades e escolas de gestão de empresas de todo o mundo estão a criar programas específicos para apoiar os empreendedores, como o Arthur Rock Center for Entrepreneurship da Universidade de Harvard, o Entrepreneurship MBA da London Business School, o EmprendeUC3M da Universidade Carlos III de Madrid ou o Entrepreneurship do Instituto de Empresa.

Além destes programas de formação, empresas como a Google estão a apoiar os empreendedores através da criação dos “Google Campus”, espaços de coworking disponíveis em diferentes cidades em todo o mundo nos quais se oferecem palestras e workshops para empreendedores. Atualmente, existem em cidades como Londres, São Paulo ou Madrid, entre muitas outras.

O empreendedorismo veio para ficar

Se, além destes programas de formação, tivermos em conta os fundos de capital de riscos e as aceleradoras de empresas que estão a surgir em todo o mundo, podemos constatar que a cultura do empreendedorismo ainda agora entrou nas nossas vidas. É verdade que ainda temos um longo caminho por percorrer, mas estamos a avançar na direção certa.

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Alejandro Luengo González

Empreendedor e Fundador da Pack to Spain

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