Google Panda, o algoritmo que controla a qualidade dos conteúdos

Giant Panda label

Todos ou quase todos fazemos buscas no Google. É um portal de entrada para os milhões de sítios que existem na Internet. O Google funciona como uma macro-biblioteca que ordena milhões de dados para nos proporcionar resultados que se adequem às nossas necessidades. Mas como organizam esta informação? Este é um dos grandes mistérios da era digital, um algoritmo tão secreto como a fórmula da Coca-Cola.

Desde 1997, o Google tem vindo a atualizar e a melhorar este algoritmo, evoluindo de modo a poder apresentar resultados relevantes. De facto, o algoritmo é modificado várias vezes por dia, mas são mudanças tão subtis que são praticamente impercetíveis. No entanto, de vez em quando, o Google procede a uma atualização importante do seu algoritmo, tendo sido a última batizada como Google Panda.

Porquê Google Panda?

Para o Google, o motivo principal foi melhorar a qualidade dos seus resultados de pesquisa, valorizando os conteúdos de qualidade e dando autoridade aos criadores de conteúdos originais.

Desde há algum tempo que o Google se apercebia que a qualidade dos seus resultados piorava de dia para dia, devido ao crescimento de sítios pirateados e ao aumento de websites com conteúdo pouco útil ou relevante para os utilizadores. A isto acresce o auge da má utilização de estratégias SEO, cujo objetivo era gerar conteúdos para os motores de busca e não para pessoa, diminuindo assim a satisfação dos utilizadores. Além disso, houve o aparecimento do Facebook como player potencial no mercado das buscas e surgiram atritos com o Bing, devido às acusações do Google relacionadas com a cópia de conteúdos. Todos estes fatores culminaram em má publicidade para o Google, sendo que se começou a prejudicar a sua reputação e a pôr em causa a eficácia do motor de busca. Assim, o Google deitou mãos à obra para sair dessa situação.

O que é o Google Panda?

Trata-se de uma atualização do algoritmo, concebida para penalizar websites de fraca qualidade, sítios pouco úteis ou com pouco valor para os utilizadores e sítios com conteúdos plagiados. Ao mesmo tempo, esta atualização pretende proporcionar um ranking melhor nas listas do Google aos websites com conteúdos originais e de qualidade. Em suma, separar o trigo do joio.

A atualização foi batizada de “Panda update” em honra de um dos seus principais criadores, o engenheiro Navneet Panda. Foi lançada no dia 24 de fevereiro de 2011 apenas nos Estados Unidos e, no dia 14 de abril, foi implementada para todos os utilizadores de língua inglesa. A chegada a Espanha deu-se no dia 12 de agosto de 2011, quando se pôs em marcha a alteração do algoritmo na maioria dos idiomas (à exceção do chinês, japonês e coreano). Nos Estados Unidos, esta alteração afetou aproximadamente 12% das pesquisas, enquanto no resto do mundo afetou entre 6% e 9%. De fevereiro até agora, têm sido realizados pequenos ajustes no Panda para melhorá-lo e aperfeiçoá-lo.

O Panda pretende obter padrões de comportamento que indiquem se os utilizadores estão ou não satisfeitos com os websites que visitam. Para tal, recorre a indicativos como o tempo que um utilizador passa numa página (tempo de permanência), o CTR no Google, se os utilizadores chegam ao sítio e saem de lá sem verificar outras páginas (taxa de rejeição), fatores sociais como menções no Twitter ou no Facebook, ou a velocidade de carregamento das páginas. Inclusivamente, analisam se um utilizador chega a uma página através do Google e clica no botão clássico de “retroceder”.

Consequências do Google Panda

A chegada do Panda trouxe boas notícias para uns e más notícias para outros. Segundo vários inquéritos feitos a webmasters, os sítios mais “pandalizados” são websites de afiliados, e-commerce e sites de Q&A (Questions and Answers, perguntas e respostas). Além disso, 78% não recuperou da ação do Panda e apenas 5% o fez totalmente.

Fonte: seroundtable.com

Em Espanha, foi também publicado um ranking com os mais beneficiados e prejudicados pelo Panda. Existem grandes marcas que viram os seus rankings caírem até 60%, ao passo que, entre os mais beneficiados, se encontram vários jornais nacionais e websites com grande quantidade de conteúdos originais.

O Google dita as regras do jogo e continuará a evoluir para se adaptar às necessidades dos utilizadores, de modo a não perder a sua posição dominante no mercado dos motores de busca. Isto pressupõe uma incerteza constante nas estratégias SEO, mas o segredo é a adaptação rápida e eficaz às novas regras. Neste momento, o lema do Google, “Don’t be evil”, continua vigente e, recorrendo ao senso comum, é fácil chegar à conclusão de que criar conteúdos úteis, originais, de qualidade e fiáveis deixa o Google satisfeito. Se não, o Panda virá atrás de si…

Edurne Benito Antolín
Group SEO/SEM Manager, PRISA Digital

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