Habemus projeto final

Old typewriter
Visto 3.456 veces

Escuela de Periodismo UAM-EL PAÍS

 

O 27º curso da Escola de Jornalismo UAM-EL PAÍS acaba de sair do forno e os alunos já foram incorporados nos diversos meios da PRISA para completarem a sua formação com um ano de atividades práticas. Porém, antes de terminarem o ano letivo, esperava-os a reta final, um projeto jornalístico de grande complexidade e envergadura para o qual os alunos divididos em três grupos podiam escolher entre o suporte digital, papel ou rádio, apesar de muitas peças dos restantes suportes também poderem ser adaptadas e publicadas na Internet. É um mês de intenso trabalho de pesquisa de temas, fontes, enfoques, documentos, investigação, entrevistas, reportagem e análise, de fazer, refazer e voltar a fazer, sob a supervisão atenta dos professores, mas com muita autonomia. Este é o resultado.

España marcha atrás

Todos os anos, os professores de jornalismo digital pedem aos alunos que selecionem um tema da atualidade, relevante e de amplo espetro à volta do qual girará todo o projeto, o que permite abordar o assunto de uma perspetiva social, cultural, económica… Como resultado, os trabalhos finais, que se realizam primeiro na página de Internet da escola e que são depois publicados em ELPAÍS.com, são o reflexo fiel das inquietudes, fenómenos e problemas de uma sociedade em mutação. Neles, pode se ver não só a evolução do país e do que o rodeia ano a ano, mas também da tecnologia, das ferramentas, do design e da narrativa web.

mapa_interactivoAs monografias são também um compêndio de tudo o que aprenderam sobre como escrever e trabalhar para a Internet. Os alunos mostram todos os seus conhecimentos multimédia com fotogalerias, áudios, vídeos, infografias e gráficos. Também os incentivamos a procurar na rede ferramentas que lhes permitam contar o que querem e como querem. Um exemplo deste ano: o fosso entre comunidades autónomas.

Iniciámos os projetos em 2007, ano em que a disciplina de jornalismo digital ganhou muito peso até se tornar uma matéria obrigatória, com a imigração como tema central, fruto de uma Espanha rica, recetora de mão-de-obra e preocupada com os pequenos barcos em que chegavam, a convivência e os direitos dos recém-chegados. A monografia A nova Espanha, um puzzle contou com cinco vídeos feitos pelos alunos, um gráfico com os números chave e uma secção de participação. Naquele ano, a escola trabalhou com o Dreamweaver e optou-se por montar o trabalho em Flash, enquanto nos anos posteriores se usaram os diferentes programas de edição desenvolvidos primeiro pela Prisacom e depois pela equipe técnica do EL PAÍS, que são idênticos aos que usamos na redação.

Após a imigração, continuámos com uma Espanha triunfal, a dos Campeões, com os êxitos esportivos e o despontar em muitos outros campos como referente, mas sem esquecer outros aspetos, como o consumo de drogas, no qual também somos líderes. O especial está cheio de curiosidades, como o facto de um espanhol ser o ser humano mais rápido em cálculo mental. No ano seguinte, os alunos apostaram num tema extemporâneo e que se revelou ser uma manobra muito inteligente: já que não podemos ter acesso às grandes personalidades, contemos a história desconhecida dos que estão por trás do seu êxito, como o alfaiate de Obama, o guitarrista de Leonard Cohen ou o treinador de Gasol. Intitulou-se Nos Bastidores.

Em 2010, aproveitando uma visita dos alunos às instituições europeias, a monografia foi dedicada ao ano do voluntariado europeu. Em Quem se Voluntaria?, os alunos tomaram o pulso ao chamado terceiro setor e perguntavam-se, por exemplo, como seria um dia sem voluntários. Em 2011, os alunos optaram por se centrar num dos aspetos da crise que menos tinha sido abordado até à altura: o seu impacto na cultura. Em Crise, Ideias, Ação!, os alunos foram além do lamento pela falta de recursos e procuraram as iniciativas novas que estão florescendo com pouco dinheiro e com muita criatividade. No ano seguinte, imersos na falta de pulso da União Europeia, os alunos retrataram a Europarada, com fenómenos como os separatismos, a ascensão dos movimentos de extrema-direita e o resgate das economias da periferia.

E chegamos a 2013 e à Espanha em Marcha-Atrás, uma monografia em que o grupo de jornalismo digital, composto por 13 alunos, traçou uma ambiciosa e completa radiografia de um país em retrocesso, com uma classe média minguante, atormentada pelo desemprego e pela perda de mão-de-obra jovem e muito capacitada, e que assiste à diminuição dos seus direitos e da qualidade e número de serviços públicos a que tem acesso.

PortadaA peça central ou de abertura do especial analisa o impacto da crise na classe média, acompanhado de uma infografia elaborada pelos próprios alunos, um vídeo que sumariza todo o trabalho e outro sobre como veem os espanhóis o seu país. As suas 54 peças, entre reportagens, álbuns, vídeos, áudios e gráficos, estão estruturadas por blocos que vão desde a educação à saúde, a economia, a justiça, a precariedade laboral, os cortes na ciência, o consumo, o esporte, a cultura… com espaço até para o humor (Os Sete Eufemismos que a Crise Pariu) ou o vídeo (Uma Start-up É Algo Doce, Não?). Destacamos, só para citar algumas peças, apesar de todas serem muito cuidadas e trabalhadas, uma entrevista a Margarita Salas, outra a Juan Mayorga, a conversa entre um emigrante da década de setenta e uma jovem de agora, a análise das mudanças nos hábitos de consumo e um olhar dramático sobre os cidadãos que jamais imaginaram dar por eles na miséria.

Todos os anos, dizemos aos alunos que fizeram o melhor projeto digital e é verdade, pois todos os anos eles se superam e nos surpreendem com a sua dedicação, capacidade de trabalho e originalidade. O que nos trará o projeto de 2014?

Victoria Torres, Manuel Morales, Álvaro Pérez e Elsa Granda, jornalistas do EL PAÍS e professores da Escola de Jornalismo UAM/ELPAIS

Deixe uma resposta

MENU
Leer entrada anterior
.Library
‘Out of Print’. Quem matou o livro?

O mundo dos livros está sofrendo um tremor de terra em câmara lenta: bibliotecas vazias, livrarias encerradas, escritores que já...

Cerrar