“Já ajudamos 300 pessoas a mudar a sua forma de ver a vida”

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Querer é poder. Pablo González-Pola se deu conta de que não havia um lugar na Internet onde encontrar um projeto social com o qual colaborar. Ele e os seus sócios decidiram criar o HelpUP, uma rede social que agrega, por um lado, projetos solidários de diferentes ONG, e por outro, voluntários que querem oferecer o seu tempo e partilhar a sua experiência interagindo com outros membros da plataforma. O início de uma startup é sempre difícil, ainda mais quando se trata de uma com uma componente social, mas Pablo González-Pola, cofundador do HelpUs, tem a certeza de que, pouco a pouco, projeto a projeto, se pode mudar o mundo. As utopias são possíveis.

 

P- As redes sociais se multiplicaram nos últimos anos. Existem de todo o tipo e são cada vez mais especializadas. O HelpUP tem um componente que o torna diferente e especial: põe em contato voluntários com projetos de entidades sociais. É uma forma de aproximar a cooperação e o voluntariado à sociedade. Como surgiu a idéia?

A idéia surgiu em finais de 2012 quando, entre vários amigos, decidimos nos unir para colaborar em algum projeto social. Colaborar pontualmente, sem compromissos. O problema foi que não encontrávamos nada. Havia redes sociais para partilhar fotos, para fofocar, para partilhar informação. Até para trocar remédios! Mas não havia um local onde encontrar e partilhar um projeto social. Por isso, nos dedicamos a isso, pouco a pouco, combinando os nossos trabalhos com brainstormings depois do trabalho e nos fins de semana: fazendo estudos de mercado, analisado a possível concorrência e realizando milhares de planos econômicos.

helpup2P- O que marca a diferença entre o HelpUP e outras plataformas de apoio social existentes? O que vos torna especiais?

A diferença, sobretudo, é a componente de rede social que lhe queremos dar, que estamos integrando pouco a pouco. Hoje, para além de encontrar e se registrar num projeto social, já pode comentar esse projeto, se faz tenções de ir ou se foi para conhecer outros voluntários inscritos ou para manter contato através do HelpUP com as pessoas com quem viveu a experiência de voluntariado.

É algo que fazemos pouco a pouco, a pedido dos usuários. É o que pretendemos, que seja algo muito participativo.

Há dois pontos que nos diferenciam de todos: por um lado, a internacionalidade. Não só há ONG ou fundações espanholas que sobre os seus projetos internacionais, como também outras que nos contatam diretamente a partir dos países onde recebem os voluntários para subirem os seus próprios projetos sem mediações. Isso dota a página de uma internacionalidade incrível. Em menos de seis meses, temos 160 organizações de 20 países diferentes. Agora, traduzimos a página para inglês a pedido de organizações de língua inglesa.

Outro ponto que nos diferencia é que somos uma empresa. Não dependemos de nenhum órgão governamental nem de nenhum instituição que nos diga por onde temos de ir o que nos possa cortar os subsídios. Também não dependemos de nenhuma empresa que queira limpar o seu nome, nem somos uma fundação, em que tudo se move lentamente. Somos uma microempresa que não para de inovar à velocidade do mercado sem ter de dar explicações a ninguém, o que nos dá uma agilidade que a nossa concorrência não tem.

 P- O vosso projeto empreendedor arrancou há meio ano. Qual é o balanço? Tiveram a resposta que esperavam de usuários e organizações?

Para a semana se completará meio ano desde que nos lançamos, e o balanço é muito positivo. Como já comentei, 160 organizações de 20 países diferentes subiram mais de 200 projetos para os quais enviamos quase 300 voluntários sem investir nem um euro em publicidade. É uma loucura. O volume de visitas à página não para de subir em todo o mundo ainda que, na verdade, estivéssemos muito aflitos no início.

No primeiro mês, se registraram cinco organizações e pensamos que o projeto não iria em frente. Mas em vez de nos assustarmos, decidimos dar um passo em frente e fomos para a rua para conseguir mais organizações. Hoje, os registros são feitos boca a boca.

 P – O que mais vos chamou a atenção neste período? Algum exemplo em concreto?

O que mais nos chamou a atenção durante este tempo é que não tivemos nenhum apoio nem de municípios nem de coordenadores de ONG, nem de plataformas locais de voluntariado. Na verdade, alguns deles até nos consideram concorrência. É uma situação um pouco triste, porque a nossa visão é que há lugar para todos.

No entanto, a Secretaria de Relações Exteriores do México e a da Colômbia nos enviaram um comunicado recomendado a todas as ONG dos seus países o registro no HelpUP… Situações curiosas que só acontecem na Espanha.

 helpup

P – O vosso lema é: “Vamos mudar o mundo, projeto a projeto”. Pode parecer um pouco utópico. O que já conseguiram alterar?

Sim, parece um pouco utópico. Mas eu prefiro dizer que é ambicioso. Mas por que não? Realmente, não sei se mudamos alguma coisa. Sei apenas que já ajudamos, para já, 300 pessoas a encontrar o seu projeto e a mudar a sua forma de ver a vida. Imagine o que cada uma dessas 300 pessoas, ao chegar ao seu destino, já pôde fazer para mudar o mundo. Cuidando de crianças, reconstruindo casas, ensinando…

Podemos dizer que proporcionamos uma experiência única a 300 pessoas que, por sua vez, ajudaram muitas mais.

P – Ser empreendedor já é, por si, um desafio. Se a isso acrescentarmos a temática social da vossa startup e a situação de crise que estamos vivendo, o panorama é, no mínimo, complicado. Como conseguiram financiar o vosso projeto? Contam com algum apoio institucional e/ou privado?

Por agora, o investimento foi todo nosso. Investimos todas as nossas poupanças e nos lançamos de cabeça. A verdade é que, de início, pensávamos nos autofinanciar, mas o rápido crescimento que estamos tendo nos obrigou a procurar financiamento e a nos reunirmos com investidores privados. Mas, por agora, estamos sozinhos.

 P – Quais serão os próximos passos? Como veem o HelpUP a médio prazo?

O passo seguinte será um pequeno investimento em publicidade. Ainda não fizemos, e queremos ver como funciona. Sobretudo no estrangeiro, em países de língua inglesa.

A médio prazo, temos previsto consolidar o produto, oferecer ao usuário mais sociabilidade dentro da página, desenvolvendo novas funcionalidades e criando uma aplicação que já está pensada.

 P – Se pudessem concretizar um sonho para o HelpUP, qual seria, neste momento? Do que mais precisam para dar continuidade a esta maravilhosa iniciativa?

O objetivo da página é descobrir que problemas existem na sociedade e unir as pessoas para resolvê-los, e para isso é necessária uma plataforma que chegue a todo o mundo. Tanto aos que procuram, como aos que precisam de ser encontrados.

Atualmente, para continuar potenciando a página e a internacionalização dos projetos, precisamos de um empurrão financeiro e de mais confiança por parte das instituições do Estado.

O nosso sonho seria estar completamente sobrecarregados e poder contratar gente que fique aqui conosco dia e noite.

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