Inteligência Artificial, inaptidão emocional

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É possível que, devido a uma considerável e evidente falta de inteligência humana, se esteja a abrir caminho, cada vez com mais pujança, à inteligência artificial.

Temo-lo visto ultimamente por todo o lado, por exemplo, nos tão controversos algoritmos de recomendação de plataformas como o YouTube, o Facebook, o Twitter, etc. Este último altera a timeline de tweets, que deixam de estar ordenados cronologicamente para estarem organizados de acordo com um algoritmo de inteligência artificial que foi bastante criticado no hashtag #RIPTwitter.

Porém, estes algoritmos não são novidade nenhuma e são ensinados há já muitos anos em cadeiras de Inteligência Artificial e Sistemas Especialistas nas Universidades.

Entre os exemplos clássicos dos tecnicamente chamados “modelos de raciocínio”, procedimentos em que se procura simular um processo de raciocínio baseado em dados para chegar a possíveis respostas, encontramos:

  • Modelo MYCIN:  que procurava identificar bactérias que causavam infeções graves e recomendar antibióticos.
  • PROSPECTOR: procurava inferir a existência de determinados minerais nas jazidas estudadas.
  • etc, etc.

Todos se baseavam em três aspetos fundamentais:

  • Estabelecer maneiras de formalizar o conhecimento, ou seja, transformar os dados em regras, lógica, padrões, restrições, etc.
  • Definir e aplicar métodos ou inferências que permitam tomar decisões. E apesar de, inicialmente, serem regras probabilísticas, as suas sucessivas evoluções são sistemas híbridos entre lógica inferida e probabilidade.
  • Retroalimentação dos sistemas para aprender com as decisões tomadas, baseando-se no nível de êxito ou fracasso.

Estes algoritmos podem ser usados em centenas de aplicações de utilização diária e mais mundanas que nada têm de misterioso, por exemplo, para decidir o melhor trajeto no Google Maps para chegar de um sítio a outro de carro ou em transportes públicos baseando-se nos dados de distâncias GPS, ruas, trânsito, etc. Dados cada vez mais exatos. Usados em avisos de que nos fizeram uma cobrança suspeita ou duplicada no banco ou até mesmo para distribuir anúncios publicitários conforme a sua tipologia numa grelha de rádio (como se faz atualmente na PRISA Rádio).

Como é óbvio, na era da nuvem, estes serviços de Inteligência Artificial são já oferecidos na Cloud para que possam ser usados e assim enriquecer as suas próprias aplicações:

Estes serviços foram tema de debate de uma palestra muito interessante no MWC16.

Deep Blue:

A primeira grande derrota do ser humano face às máquinas aconteceu no dia 11 de maio de 1997, na série de partidas de xadrez em que Gary Kasparov (representante da humanidade) foi derrotado pela máquina da IBM, o Deep Blue. O seu algoritmo de inteligência artificial baseava-se em ponderar todas as jogadas possíveis a partir de uma posição, atribuir valores específicos aos resultados e decidir qual a melhor opção.

O que pouca gente sabe é que o Deep Blue utilizou também a estratégia de conhecimento adicional de jogar as aberturas e variantes de jogo que, historicamente, tinham conduzido a mais derrotas de Kasparov, ou seja, com as quais se sentia menos à vontade ou de que não gostava.

O Deep Blue utilizou uma estratégia emocional.

Há já algum tempo, também ficou provado que a inteligência emocional e a sua aplicação prática, como se vê neste link, é tão importante no caminho rumo ao êxito em qualquer objetivo na vida como o quociente intelectual QI.

Decisões instintivas:

O magnífico livro “Decisões Instintivas” de Gerd Gigerenzer, aborda as extraordinárias questões da inteligência do inconsciente, onde afirma, com dados comprovados, que, nos contextos imprevisíveis, os problemas complexos não requerem uma grande análise de dados e processos sofisticados, mas precisamente o contrário: a simplicidade como adaptação à incerteza.

Portanto, com estas redefinições de inteligência, continuamos a manifestar a nossa superioridade em relação às máquinas, por mais olhinhos (truques de inteligência/chantagem emocional conhecidos) que nos faça o nosso amigo Peeper: @pepper_twittbotusado no Japão para vender televisões inteligentes e 4K e com o qual tivemos a possibilidade de falar no Mobile World Congress 2016.


Gabriel Pinto
Jefe de Proyecto Técnico, PRISA Radio

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