Jalisco impulsiona-se com talento techie

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“O talento é o novo petróleo, em Jalisco”, afirmava há semanas Cindy Blanco, diretora da Startup Guadalajara, uma organização que se dedica a apoiar os empreendedores da área da tecnologia na região. Tendo em conta que, nesta região, há pelo menos 15 grandes operações tecnológicas e 1200 start-ups, segundo dados do Governo de Jalisco, não é de estranhar que, por isso, tanto empresários como o governo local se tenham concentrado em atrair os jovens especializados no setor da tecnologia à Expo Guadalajara, onde, nesta primeira semana de abril, se realizou uma série de eventos que, sem dúvida, irão potenciar o talento e o empreendedorismo dos mais de 30 mil jovens que vão aderir a esta singular proposta de inovação. É uma iniciativa necessária, porque o Governo de Jalisco estima que, em 2025, a procura de engenheiros nesta indústria seja 250% maior.

Um destes eventos, que na verdade engloba todos os outros, é Talent Land, que procura incentivar a inovação e, ao mesmo tempo, criar redes que permitam às empresas e aos jovens talentos encontrar-se em projetos que impulsionem o crescimento tecnológico do México. Entre estas companhias, encontram-se gigantes como a Google, a Amazon, a Adobe, a Cisco, a IBM, a Microsoft, a Bosch, a Cabify e a Uber. Algumas delas têm já operações em Jalisco, ao passo que outras se deslocam de propósito à feira precisamente para encontrar o talento que circula pela região. Várias destas companhias e instituições já lançaram desafios prévios para motivar os participantes no evento. Estes desafios pretendem que os jovens desenvolvam um projeto tecnológico que tenha o potencial de ter um impacto positivo na vida de cinco milhões de mexicanos no espaço de cinco anos, com enfoque nas problemáticas da energia, da agricultura, da saúde, da educação e da pobreza. Os vencedores deste desafio receberão um prémio monetário de cem mil pesos, uma quantia assinalável para começar a pôr em prática as boas ideias.

JaliscoTalentLand

Talent Land conta com espaços para programadores, especialistas em robótica e drones, empreendedores, criativos, assim como impulsionadores da realidade virtual e do blockchain e, claro está, com oradores de primeira linha como Chema Alonso, chief data officer da Telefónica; Kevin Mitnick, o hacker mais famoso do mundo; Simone Giertz, que combina a dupla função de YouTuber e inventora; María Teresa Arnal, diretora executiva da Google México; e a robô Sophia, uma criação da Hanson Robotics, desenvolvida com inteligência artificial e que alcançou o feito de ser o primeiro autómato a receber a cidadania de um país, a Arábia Saudita.

Talent Network, o universo que identifica e une o talento para o acompanhar no seu desenvolvimento e ligá-lo a empresas, profissionais e instituições do país, ao longo dos 365 dias do ano, impulsiona o evento Talent Land, ondeconfluem diversos ecossistemas onde se pode partilhar o conhecimento: Talent Woman, o espaço em que se dá impulso à inspiração e talentos concretos das mulheres que inovam; Talent Hackathon, onde se reúnem as mentes que se propõem a mudar o mundo com as suas ideias, apresentando-se como a melhor oportunidade para formar equipas e pôr à prova a sua capacidade de criar tecnologia; Talent Executive, que integra a experiência, os negócios e a capacidade disruptiva na inovação da tecnologia que provém de todas as indústrias, universidades e governos, e que propõe mesmo uma fábrica de novos empregos; Talent Capital, o lugar onde investidores versados partilham a experiência de investir em capitais de risco; Talent Kids, onde se fazem crescer as ideias das crianças através do incentivo à sua criatividade e curiosidade, e Talent Education, um fórum de especialização e atualização para docentes do ensino secundário e superior em áreas tecnológicas.

Como prova da frescura e do target jovem a que está destinado, em Talent Land, o talento distribui-se por seis “territórios temáticos”, apresentados como um jogo de conquista: Startup Land, onde se encontra o incentivo para os empreendedores; Iron Land, destinado aos criadores de robôs e drones; Creative Land, onde as mentes dedicadas ao design, à música ou ao marketing desenvolvem a sua imaginação sem limites; Game Land, para o mundo dos jogos de vídeo; Future Land, onde se vira a atenção para a inovação de gadgets, software e serviços; e Developer Land, o lar das pessoas que fazem com que tudo isto seja possível: criadores de software, hackers e programadores.

Jalisco_elpaisContuFuturo

Paralelamente a este evento e também na Expo Guadalajara terão lugar as palestras da iniciativa EL PAÍS con tu futuro, que foi outra vez este ano ao México com a sua versão mais tech, onde o EL PAÍS, em colaboração com a Santillana, marca presença neste importante evento, motivado pelo auge desta indústria na região de Jalisco, com apresentações de 15 minutos enfocadas no setor tecnológico que fomentam o encontro entre especialistas em inovação e jovens mexicanos que frequentam o ensino secundário.

As conferências contam com profissionais que triunfaram em Silicon Valley e na Europa e que pretendem inspirar os jovens e ajudá-los a compreender melhor o mundo que os espera. Entre eles, encontra-se David Cuartielles, cofundador da Arduino, uma empresa dedicada à criação de hardware livre, que assinalou que, na última década, a existência dos produtos sem licença permitiu que mais gente tivesse acesso à tecnologia em países como o México.

Outro orador, o diretor de Retina, Guillermo Sánchez Vega, enfocou a sua palestra na polémica de os robôs substituírem os humanos no mercado de trabalho como um dos temores que não permite que o homem confie plenamente nas possibilidades da inteligência artificial e que, por esse motivo, refreia o seu crescimento.

Por sua vez, o diretor executivo do Centro Jalisco, Cuco Vega, afirma que o fracasso é um dos melhores impulsos para alcançar o êxito, uma vez que as “quedas” trazem experiência.

Mulheres de talento como Elsa Treviño,diretora executiva da Toro Ventures, conta como trabalhou árdua e persistentemente no seu percurso, desde Monterrey até chegar por fim a Silicon Valley, e afirma que foram necessárias mais de 10 mil horas de trabalho empenhado. Neste sentido, Ángel Hernández, gestor de negócios da Fetch Robotics, deu este conselho aos jovens: “Não fiquem parados, têm de se mexer para descobrir o que querem fazer.”

Outros oradores que marcaram presença foram: Paola Santana, cofundadora da Matternet, uma firma dedicada ao fabrico de drones para fazer entregas, que afirmou que, nas regiões menos desenvolvidas, levar a cabo um projeto tecnológico custa 10 vezes mais do que noutros sítios, mas que tem um impacto 10 vezes maior; Carlos Olivos, diretor de Comunicação da Uber para o México; Mónica Quiroz, especialista em mercado da Whatsapp; Rosa Jiménez Cano, jornalista especializada em tecnologia no EL PAÍS; Daniel Uribe, diretor executivo do Genobank; Hernando Ortega, investigador de robótica da UNAM; e Soledad Antelada, especialista em cibersegurança.

JaliscoRobomathChallenge

Outro evento que se junta a toda esta confluência coletiva de talento em Jalisco é o Robomath Challenge, um dos maiores eventos de ciência e tecnologia do México e que se trata de uma competição entre alunos que põem à prova os seus conhecimentos de robótica e de matemática. O fator importante é que os responsáveis políticos desta região estão a tomar consciência da importância da cultura maker e estão a incentivar o ensino da programação e da robótica desde muito cedo.

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