A digitalização da televisão: como se faz

Live blogs, Televisión y redes sociales
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Um canal de informação televisivo não é mais apenas um canal. Deve assumir que tem à sua frente um público ativo, que procura a notícia de última hora online e a discute nas redes sociais no mesmo minuto. É por isso que a integração cada vez maior do meio digital no televisivo tem de ser encarada como algo natural – mas ainda não é o que acontece.

Se determinado acontecimento é um breaking news à escala dos atentados terroristas de Paris, o canal de informação não pode parar de lhe dar cobertura a partir do momento em que a notícia é dada. E a forma mais rápida de o fazer em antena é através do que está a ser publicado online – sejam meios de informação credíveis, sejam reações da audiência. Isto quer dizer que o paradigma da informação mudou. Já nenhum jornalista pode ficar à espera que a agência de notícias lhe traga a última atualização ou imagens de um acontecimento. A importância das agências não está em causa, mas é afetada pela facto de muitas fontes já comunicarem diretamente com a audiência e desta ter voz digital.

O que é que isto implica? Esta operação é mais difícil de concretizar do que enunciar, pois tem, à partida, dois tipos de requisitos: 1. implica equipas treinadas para trabalhar sob pressão, durante horas seguidas, na verificação da informação e sua publicação, de forma rápida, em duas plataformas: a televisiva e a digital; 2. implica soluções gráficas prontas a usar para integração do digital num ecrã de televisão – parte decisiva esta, que ainda está por fazer.

Na prática, além de arranjar as melhores imagens streaming do local do acontecimento, da rápida deslocação de uma equipa de reportagem, do enquadramento e informações que o pivot vai dando, do ticker de última hora e leads, dos updates feitos pelo jornalista que está a recolher informações publicadas online, dos convidados especializados que vão surgindo em antena… Além disto tudo, durante um acontecimento breaking news, um canal de notícias tem também de fazer aparecer tweets e posts no ecrã do televisor e fazer análise em cima disso.

Como é que isto se faz? Existem várias soluções gráficas no mercado, certificadas, que, além de levarem rapidamente para o ecrã o conteúdo social, analisam também em tempo real os meta-dados dessas redes sociais. No que às notícias diz respeito, o Twitter é a melhor ferramenta para se obter informações sobre o que se passa em breaking news e como a audiência está a reagir à notícia.

Durante três dias, o site e o canal TVI24 acompanharam os desenvolvimentos do atentado terrorista ao jornal «Charlie Hebdo», ao minuto, num Live Blog incorporado na homepage e com o tema em destaque permanente em antena. Os Live Blogs são feitos por uma equipa de jornalistas com domínio do assunto e grande know-how no meio digital – uma combinação que deve ser aproveitada para a pesquisa e seleção do conteúdo das redes sociais que se pretende levar para antena. Na prática, isto significa incluir o Live Blog no ecrã de televisão.

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Para que a integração do digital num canal de televisão possa tirar partido do trabalho que está a ser feito no online, é importante definir o que é um Live Blog.

  1. Quando as redes sociais reagem a quente a um acontecimento noticioso que ainda decorre no tempo, a melhor opção é publicar um Live Blog para acompanhamento ao minuto do assunto. Como os jornalistas digitais trabalham com uma ferramenta de medição de audiências em real time, conhecem bem a audiência e sabem também antecipar os acontecimentos de agenda que, pelo seu impacto e relevância, vão captar a atenção dos consumidores de informação, justificando este tipo de acompanhamento.
  1. Ao contrário das redes sociais, que usam um algoritmo para selecionar ou destacar informação nos murais dos utilizadores, o Live Blog obedece às regras da notícia e ordena de forma cronológica o acontecimento e os desenvolvimentos que se lhe seguiram.
  1. A credibilidade do Live Blog mede-se pelas fontes da informação que os jornalistas selecionam. Deve ser dada prioridade às fontes oficiais ou diretamente relacionadas com o acontecimento, às fontes recolhidas no local pelos nossos repórteres, aos jornalistas de meios de informação credíveis no terreno (que divulgam informação nas redes sociais, por exemplo) e, finalmente, aos media locais ou agências noticiosas in loco. Se seguirmos esta cartilha, evitamos o erro e damos credibilidade ao nosso trabalho. Para os jornalistas que fazem a cobertura de acontecimentos breaking news, é obrigatória a destreza em redes sociais, seja no domínio das formas de pesquisar, seja na utilização das ferramentas disponíveis.
  1. O Live Blog é uma ferramenta de publicação rápida de informação. Por exemplo, na TVI24 esta plataforma tem o nome de “timeline de última hora”. O conteúdo noticioso pode surgir nas mais diferentes formas gráficas: texto, tweet ou post, foto, vídeo, desenho, áudio, sondagem, live stream, etc.

Numa altura em que a digitalização da televisão, no sentido em que é preciso aproveitar o social media e levá-lo para dentro do ecrã, está na ordem do dia, estes são aspetos decisivos para se acrescentar valor-notícia a um canal de informação televisivo, num quadro breaking news.

Paula Oliveira

Editora tvi24.pt

3 Comentarios

  • avatar susana 17 novembro, 2015

    Muy bueno, me ha parecido muy interesante este post
    Me surge una cuestión de la que no se habla en la forma de trabajo: Teniendo en cuenta que un canal de noticias se considera una fuente “fidedigna” ¿Sería prioritario o no el contrastar las informaciones de redes sociales antes de hacerse eco?
    Gracias.

  • avatar marthaonline 28 janeiro, 2015

    Excelente post!

  • avatar paulo albergaria 28 janeiro, 2015

    Gostei muito obrigado.
    Julgo que o ponto 3 será o de maior fricção.
    A credibilidade do live blog dependerá não só da confirmação das fontes e dos factos, muitas vezes ultrapassados pela velocidade dos acontecimentos e de alguma “histeria digital”.Mas também da confirmação e posterior analise destes por parte estação de Tv, que o suporta o live blog como uma espécie guarda avançada.

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