A solução inovadora (I): Investir muito em I+D garante uma maior competitividade?

17052012
Visto 7.174 veces

De uma perspetiva geral, a inovação pode ser definida como o resultado final que se obtém ao responder a uma determinada necessidade com uma possível solução. A novidade pode recair na “necessidade” ou então na “solução”, ou pode também se desencadear graças ao “casamento perfeito” entre uma necessidade e uma solução preexistentes. Em qualquer caso, a inovação bem-sucedida só o é mediante a criação de valor que seja capaz de produzir. Isto significa que a sua validade não está espartilhada em termos dos seus resultados financeiros – volume de lucros – uma vez que a sua contribuição se pode materializar de diversas formas: o bem-estar social que traz, o fortalecimento de uma cultura empresarial, a revalorização de uma marca ou o impacto positivo que tem no meio ambiente.

Mas, antes que a inovação pura possa surgir, é preciso lançar uma semente, o que foi definido como uma oportunidade. A oportunidade é o estado mais embrionário de uma inovação, é a hipótese de partida que é preciso avaliar para tentar medir o valor que será capaz de gerar. Para uma empresa farmacêutica como a Merck, uma oportunidade consistiria em obter um princípio químico que permita controlar o nível de açúcar no sangue. Para a ABC-Disney, uma oportunidade seria uma nova ideia para uma série dramática ou um reality show fantástico para o horário nobre.

Ao longo da última década, têm sido feitas investigações em profundidade para averiguar quais são as chaves para se conseguir acelerar o ritmo de inovação dentro de uma organização, independentemente do seu setor de atividade. E uma das principais teorias consistia em medir o volume de investimento que é feito em I+D+i como fator de ímpeto. Mas, por outro lado, a verdade é que, se só observarmos um ranking de empresas limitado ao volume de investimento realizado nesta área, não conseguiremos obter o panorama completo. Seria necessário acompanhar esse ranking com outro adicional onde se pudesse comparar os ganhos diretos decorrentes do investimento em I+D, ou perceber se esse volume maior de investimento na inovação foi uma alavanca empírica para fazer com que a gestão financeira da companhia se tornasse mais eficiente.

 

Top 20 con las empresas que más gastaron en I+D en 2009 y 2010.

A Booz&Company anda há vários anos a analisar este cenário concreto e, graças a um inquérito a nível mundial feito a mais de 1000 especialistas nesta matéria, tanto do setor público e do setor privado como do mundo académico e científico,chegaram a três conclusões fundamentais:

  1. Não existe uma correlação direta entre um alto volume de investimento e o output final que se obtém em termos puramente económicos. Isto indica que o segredo não está em gastar muito, mas em ter um modelo ideal para gerir o investimento de forma eficiente.
  2. O alinhamento cultural da organização e o potencial do seu capital humano é um fator fundamental.
  3. Uma que a companhia estabeleça internamente uma política e uma cultura orientada para a inovação constante e para a experimentação, é vital incluir o consumidor no processo de inovação.

 

Para conseguir implementar com sucesso o alinhamento cultural que é exigido, especialmente em empresas bem estabelecidas e com uma longa história, as recomendações, fruto dos resultados do inquérito já mencionado, foram estas, por ordem de consenso:

  1. Definir a missão de oferecer uma experiência única ao usuário como uma prioridade no negócio.
  2. “Sentir” paixão e orgulho pelos produtos e serviços que a companhia oferece.
  3. Respeito pelo conhecimento e pelo talento do capital humano.
  4. Cultura de colaboração e de transversalidade entre funções, departamentos e localizações geográficas dos centros de trabalho.
  5. Abertura a novas ideias procedentes de qualquer uma das partes interessadas: consumidores, fornecedores, concorrentes, outras indústrias e os próprios funcionários.
  6. Sentimento de pertença da parte dos funcionários por qualquer tipo de contribuição que faça dentro de um processo de inovação e desenvolvimento.
  7. Tolerância ao fracasso no contexto do próprio processo de inovação.

 

Na segunda parte deste post, tenciono dar destaque às recomendações entre o ponto 3 e o ponto 6. Isto porque, aqui, a denominada inovação aberta apoiada em comunidades colaborativas para gerar novas ideias assume um papel relevante. Como veremos, é mais eficiente para ganhar competitividade gerar conhecimento útil através do aproveitamento do maior número possível de trabalhadores altamente qualificados. Limitar a extração de valor ao conhecimento e à participação de executivos resulta numa perda de eficácia quando se pode integrar as chefias intermédias e todos os técnicos seniores e até mesmo juniores no processo do negócio.

Justifico este argumento com base nos resultados de múltiplos estudos demográficos que analisam a produtividade da força laboral europeia, demonstrando que os maiores contributos em termos de inovação aplicada proveem de funcionários com idades compreendidas entre os 30 e os 45 anos. Este elemento “quente” é uma chave empírica para o crescimento que é preciso potenciar nas médias e grandes empresas, sobretudo no target dos 30 anos, uma vez que a faixa etária dos executivos está fixada, em média, acima dos 40 anos e, abaixo desse limite, há o risco de perder motivação e talento na composição da força de trabalho devido a regras organizativas demasiado rígidas. A inovação aberta pode ser aproveitada como uma ponte para a flexibilização dessas fronteiras hierárquicas.

 

Alberto González
Knowledge Manager. Prisa Digital

Deixe uma resposta

MENU
Leer entrada anterior
tecnologmagica
Tecnologia mágica

A versatilidade e facilidade de conexão de um dispositivo com o iPad permitem realizar atuações como que a mostramos hoje....

Cerrar