A América Latina, a grande oportunidade para “monetizar”

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Após uma temporada de relativa estagnação, as transações eletrónicas na América Latina apresentaram uma notável recuperação nos últimos anos, com um crescimento superior a 150%. Para esta região, chegou o momento de “monetizar” ou fazer render os serviços de Internet, segundo o mais recente relatório da empresa de pesquisa Tendencias Digitales.

De acordo com o estudo da empresa latino-americana, dos dez tipos de utilização da rede que cresceram mais de 50%, considerando a penetração dos mesmos durante o último ano, metade é de caráter transacional: reservas de turismo, com um incremento de 152%; trâmites governamentais (134%); vendas pela Internet (102%), operações bancárias (60%) e compras pela Internet (50%). (Ver infografia, padrão de utilização da Internet).


Quanto ao comércio eletrónico propriamente dito, destaca-se a compra de bilhetes para eventos, assim como a aquisição de bilhetes de avião, roupa, computadores, acessórios informáticos, livros e telefones celulares. É também de notar que as compras em sites de desconto (modelo Groupon) apresentaram uma atrativa percentagem de 32% de utilização entre os consultados.

Chile, Venezuela, Colômbia e Peru são os países que registaram o maior crescimento a nível de transações. Porém, a recuperação beneficia toda a região, sendo de notar que, enquanto o número de utilizadores de Internet aumentou 50%, durante os últimos três anos, as transações eletrónicas aumentaram mais de 150%, movimentando atualmente quase 30 mil milhões de dólares.

A possibilidade de tirar um proveito efetivo do tráfego e dos serviços de Internet começa a ser real, “devido a uma maior maturidade da infraestrutura tecnológica e à existência de uma massa crítica de mercado, cada vez mais habituada aos meios digitais”, explica o diretor da Tendencias Digitales, Carlos Jiménez, ao Toyoutome Blog.

O grau de amadurecimento fica também patente no facto de 71% dos compradores entrevistados não concordarem com a afirmação de que “comprar na Internet não é seguro”, ao passo que 69% dos inquiridos disseram estar de acordo com a ideia de que “a partir do momento em que fazemos compras pela Internet, apercebemo-nos das suas grandes vantagens”.

O próximo passo compete à oferta

Segundo as medições da Tendencias Digitales, a penetração da Internet na região é atualmente de 37%, chegando a 219 milhões de utilizadores, sendo que a tendência é transformar-se num meio maioritário, sobretudo graças às redes sociais, como comentámos na nota “Internet é social na América Latina”. (Ver infografia, O Estado da Internet na América Latina).

Ainda que, no que concerne o número de internautas, o Brasil, a Argentina e o México se destaquem como os mercados mais sólidos da região, o Chile, a Argentina e a Venezuela destacam-se como mercados particularmente interessados, ao liderar o chamado Ranking de Utilização da Internet.

Este indicador da Tendencias Digitales tem em conta não só a penetração a nível da população mas também a intensidade, a diversidade e a complexidade da utilização, o nível de transações e o consumo de conteúdos locais para obter uma visão mais global do amadurecimento digital da região. Segundo este ranking, segue-se o Uruguai e a Costa Rica como os países com uma utilização mais notável da Internet.

Quanto aos perfis, o internauta latino-americano é, regra geral, um usuário jovem, na sua maioria com menos de 25 anos, observando-se um ligeiro predomínio de homens. No caso dos consumidores, aumenta a média etária e a participação masculina. Além disso, constata-se um perfil socioeconómico mais elevado; no entanto, prevê-se que este tenderá a nivelar com a maior adoção do comércio eletrónico.

Para Jiménez, a tarefa dos usuários no que toca a transações está já adiantada, dada a penetração e disposição dos utilizadores. “Agora, o próximo passo terá de ser dado pela oferta, pelas empresas e pelo estado”, afirma.

De facto, os principais obstáculos do comércio eletrónico, associados à desconfiança quanto aos métodos de pagamento e às compras à distância, têm diminuído com o passar do tempo. Daí que, para o analista, o futuro do comércio eletrónico esteja ligado ao desenvolvimento dos meios de pagamento eletrónico que compensem a baixa penetração bancária – e de cartões de crédito – na região, e a uma realidade jurídica favorável.

“Estes dois fatores acabariam por dar o empurrão que falta a muitos empresários para que levem a sério os meios digitais”, afirma Jiménez. O analista destaca que as vantagens da rede não se limitam às vendas online. “A Internet permite às empresas venderem mais, mas também lhes permite prestarem melhores serviços, conhecer o seu mercado, aumentar a eficiência dos seus processos e diminuir as despesas”, enumera.

Tendencias Digitales oferece no seu site uma infografia completa sobre Os Latino-americanos na Internet.

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