Ler é viver muitas vezes: reflexões em torno da Festa da Leitura

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O último Festival Ibero-Americano de Literatura Infantil e juvenil celebrado pela Fundação Santillana foi dedicado na íntegra à leitura como fator essencial no desenvolvimento da personalidade e do caráter dos mais jovens.

As crianças formam-se com as leituras que fazem, mas também pelo que não leem. Escritores, editores, ilustradores, professores e bibliotecários partilham desta máxima e oferecem experiências inovadoras nas suas áreas de trabalho, tais como projetos inovadores em bibliotecas, a implementação dos mediadores ou “encantadores” de leitura ou o favorecimento da leitura digital como uma ferramenta eficaz e rápida para despertar o hábito da leitura nas crianças.

O festival foi uma grande oportunidade para que diversos especialistas de índole variada, mas todos com uma ligação ao mundo do livro, nos deixassem reflexões interessantes acerca da leitura e da visão atual que existe em relação a ela.

FiestaLectura_03Florencia Corrionero, diretora do Centro de Desenvolvimento Sociocultural da Fundação Germán Sánchez Ruipérez, em Peñaranda de Bracamonte, Salamanca: “A leitura social implica um ambiente virtual que permite criar uma comunidade para facilitar a comunicação e o diálogo.” “Quando chegarmos ao livro digital, como tal, mudaremos os nossos rituais de leitura porque passamos a ler para partilhar e, por isso, a leitura social está assegurada.”

Sebastián García Mouret, YouTuber e criador do canal El Coleccionista de Mundos: “Mais do que contar para uma câmara de que fala um livro, o importante é saber transmitir porque devemos ler esse livro. Ser um “BookTuber” exige, além dos conhecimentos técnicos, algo que é, provavelmente, o mais importante: uma paixão pela leitura.”

Javier Cercas, escritor: “Não somos nós, os escritores, que fazemos os livros, são os leitores que os fazem. Um livro é uma partitura e é o leitor que a interpreta.”

Elena P. Jiménez-Pérez, professora do Departamento de Didática da Língua e da Literatura na Faculdade de Ciências da Educação da Universidade de Granada: “Ler prolonga a vida até dois anos mais.” “O hábito da leitura favorece o êxito profissional.”

María Fernanda Heredia, escritora, ilustradora e designer gráfica equatoriana: “Ler é viver muitas vezes.” “Por vezes, o mercado exige obras que não têm qualidade literária.”

Maite Carranza, escritora e argumentista: “As qualidades que um bom livro deve ter são: emocionar, entreter, fazer pensar e provocar.”

Inés Miret, sócia fundadora da NETURITY, especializada em projetos digitais na área da leitura, do livro e das bibliotecas: “O livro digital ainda está na sua primeira infância.” “Sabemos distinguir onde está a verdadeira inovação dentro do oportunismo do universo digital?”

Francis Ballesteros, diretor de projetos da Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes:”A leitura sempre foi uma atividade íntima que, às vezes, se partilha. É preciso ver de que modo a tecnologia pode promover novas formas de partilhar o ato da leitura.”

School kids lying on floor and reading a book in library

Fernando J. Lopez, professor, escritor e dramaturgo: “Se não lermos, não podemos ter uma sociedade que convive.”

Roberto Rey, diretor do CEIP San Gil. Cuéllar, Segóvia. Centro reconhecido com selo de reconhecimento ”¡leo TIC!”: “A biblioteca escolar deve ser vista como o centro nevrálgico da escola.”

Lorenzo Soto, coordenador das atividades e projetos com jovens leitores da Fundação Germán Sánchez Ruipérez: “Precisamos de bibliotecários ativos e inovadores para que as bibliotecas comecem a estar colonizadas pela vontade dos seus vizinhos.”

Clara Brudnik, diretora executiva da Fundação Democracia e Desenvolvimento e Diretora da Fundação Pablo Neruda, Chile: “Se fizermos com que as pessoas leiam, vamos democratizar o mundo.”

Mar Sancho, diretora geral de políticas culturais do Gabinete de Cultura e Turismo, Junta de Castela e Leão: “Na era digital, produziu-se um incremento quotidiano tanto da leitura como da escrita. Lemos constantemente mensagens de correio eletrónico, mensagens instantâneas, notícias, opiniões… Lemos ao acordar e lemos mesmo antes de dormir. Lemos no dia-a-dia e em qualquer lugar, muito mais do que alguma vez lemos. Porém, toda esta ‘literatura’ digital é tão breve como efémera. Existe para ser lida e apagada logo a seguir. E, neste contexto, o que acontece com a leitura permanente, com os livros?”


Silvia Perlado Pérez

Coordenadora de Programas Educativos da Fundação Santillana

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