Chuva de estrelas no firmamento da televisão

Color television screen

Este primeiro semestre de 2013 foi particularmente ativo e luminoso. A televisão está se reinventando: sucedem-se notícias, criam-se finais, surgem novos protagonistas… Assinalo cinco clarões que desenham uma imagem no horizonte, uma imagem clara e entusiasmante.

(1)    A indústria da TV desperta

Neste semestre, multiplicaram-se os fóruns que convidavam à reflexão sobre o estado da televisão na era da Internet com títulos tão descritivos como eloquentes: FuTVra, Reinventing TV, SmarTV. Num deles, Francisco Asensi (@fasensi), responsável pelo VOD da RTVE, sentenciava: “YouTube, o meteorito que acabou com os dinossauros”.

Utilizo esta frase para resumir o derrube que se produziu na indústria de televisão. Em 2005, nascia o YouTube. Passaram oito anos, nos quais a Internet entendeu melhor onde estava o mercado do que a própria indústria televisiva. Duas consequências: a pirataria grassava e os novos fenômenos televisivos eram incorporados. Agora, a televisão aceita que algo mudou e faz a sua jogada. Todas as televisões têm a sua estratégia de Internet. A televisão alargou o seu âmbito, agora somos mais. Uns e outros.

(2) Uma direção, um modelo - Manifesto Netflix

O Netflix é uma referência em qualquer conversa sobre televisão e entretenimento do futuro. Porquê?

Abril de 2013. Reed Hastings, responsável máximo do Netflix, publicava duas coisas. Separadas, despertavam o nosso interesse; juntas, eram dinamite:

Primeiro, os seus resultados: o Netflix supera o número de subscritores da HBO nos Estados Unidos. Isto significa uma mudança de época, um ponto de viragem que marca um antes e um depois.

Segundo, os motivos que explicavam o seu ponto de vista sobre o mercado da televisão. Algo que rapidamente foi elevado a Manifesto. Uma idéia básica: a lógica do VOD contra a TV. Video on Demand contra o Video Linear. Com um programador que marca o que ver e a que horas,  é o usuário que decide ver o vídeo que quiser e quando quiser. A TV linear tem uma capacidade limitada, o VOD é infinito. Tempo limitado, espaço infinito. Como a própria vida. E isto modifica a nossa forma de aceder ao entretenimento. Disse aceder? Queria dizer entender o entretenimento.

(3)    Da audiência ao usuário – Lar Zero e Cord-Cutting

Quando se criam termos para descrever novas situações, a sua existência é inquestionável. Nominalismo puro. E ultimamente, há dois que se ouvem muito:

Zero Home o lares sem televisor. Começam a surgir os lares que não têm televisor. Começam a ser estatisticamente relevantes. O consumo de entretenimento é realizado através da Internet e dos seus dispositivos. Talvez o entendamos melhor através da analogia com os telefones. No tempo dos nossos pais, cada lar tinha um telefone, e hoje é cada indivíduo. Existem lares zero telefonicamente, e brevemente, televisivamente.

Cord Cutting. O mesmo que o anterior, mas referente a uma subscrição paga, algo que nos EUA, onde são criados estes termos, é quase universal. E explico este detalhe porque o eco amplificado pelo multiplicador da distância “atlântica” é um agoiro para a indústria da televisão paga. Este fenômeno não é exclusivo da televisão paga; é exclusivo da televisão.

E com esta mudança de realidade, é mais fácil entender o comportamento do usuário a partir de uma nova maneira de medir a televisão. Somam-se as reflexões em torno desta questão…

(4)    Histórias bem contadas – Excelente colheita de Séries de TV, a deste ano

Há anos que falamos da transferência de talento do cinema para a televisão.

Não sei se o processo já terminou, suponho que nunca restará nenhuma indústria criativa sem talento – por definição -, mas o que não existe é dúvida alguma de que na agenda do entretenimento, a televisão tem ganho pontos ao cinema. Tentemos recordar o nome dos filmes vencedores de um Óscar nos últimos três anos e comparemo-los com os seguintes êxitos deste ano: A Guerra dos Tronos, House of Cards ou Mad Men, por exemplo.

Ao contrário do cinema, a televisão introduz-se nas nossas vidas de forma reincidente, semana a semana, temporada a temporada. Convivemos com as suas personagens e as suas vidas dramatizadas incorporam-se nas nossas. Confundimos, dentro do nosso espaço mais íntimo, as suas histórias e reflexões, semelhantes a outras já abordadas, outras inéditas. A televisão tem progredido, as séries levam mais longe os códigos narrativos e pegam com êxito. É fácil ligar Mad Men, o retrato televisivo dos anos 60 de Matthew Weimer, a estética de Edward Hopper ou Walker Evans, as suas personagens, com os de Scott Fitzgerald ou Steinbeck. Não podemos deixar de associar o Kevin Spacey de David Fincher em House of Cards, com o de American Beauty de Sam Mendes, para dizermos mais coisas. Para onde nos leva A Guerra dos Tronos…?

(5)    Novas propostas, vontade de irromper com novos códigos

E para além disso, uma efervescência invulgar na indústria criativa espanhola, com vontade de dizer e fazer coisas novas. Neste primeiro semestre também assistimos à explosão de projetos de crowdfunding como El Cosmonauta; filmes feitos com orçamentos muito baixos como Nada que Celebrar; ou movimentos como LittleSecretFilms que associam diferentes criadores. E isto não se ficará por aqui. É um ponto de partida, sem dúvida alguma.

Como dizia, neste primeiro semestre de 2013… muitas luzes e um novo horizonte luminoso e entusiasmante. Que a festa continue.

Pablo Romero Sullà @romerosulla

Diretor de Conteúdos da YOMVI

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