“Os leitores continuam amando as boas revistas e os livros em papel”

mar_abad

A Yorokobu viu a luz no seu formato em papel em novembro de 2009, dois meses depois da publicação do primeiro post na sua versão online. A legenda que sublinha o título é um verdadeiro convite aos leitores: “Take a walk on the slow side”. Face à velocidade frenética a que o mundo se move atualmente, esta revista aposta em suprimir a pressa e prestar atenção aos detalhes. Mar Abad, a sua redatora-chefe, sublinha a importância de ter prazer na leitura, seja em que formato for.

Que sinergias se estabelecem entre a edição digital da Yorokobu e a sua versão impressa?

O blogue e a revista são totalmente complementares. Na Internet, há uma atualização constante dos conteúdos porque é um espaço permanente de informação e de comunicação com os nossos leitores. A revista, por sua vez, implica o fator de novidade de cada vez que é publicada (uma vez por mês) e satisfaz a faceta sensorial que as publicações em tela ainda não têm. No papel, podemos usufruir mais do design, do toque das páginas, do cheiro da tinta e de uma leitura calma.

Uma poderia existir sem a outra? Porquê?

Sim. Há muitos exemplos de meios que são publicados apenas em papel ou apenas na Internet. O Mongolia é um grande exemplo que vai contra a retórica atual da morte do papel. Nasceu e está crescendo como um jornal exclusivamente impresso. Nós preferimos utilizar ambos os suportes porque chegamos a mais pessoas e cobrimos mais momentos de leitura.

Que características devem ter os conteúdos mais adequados para cada uma das edições?

Não acredito numa fórmula única. Em geral, a Internet é muito mais adequada para a atualidade e para as notícias de última hora, mas o papel ainda costuma ser mais cómodo para muitas pessoas nas leituras longas. A reflexão e a análise são imprescindíveis em ambos os formatos :)

O futuro das revistas passa por manter um equilíbrio entre as estratégias on/off? Ou será que uma delas acabará se impondo?

Também não acredito numa só resposta para essa pergunta :-) Haverá publicações que sobreviverão apenas em papel, publicações que estarão apenas no meio digital e publicações que combinarão ambos os suportes. Dependerá do público a que se dirigirem, das fontes de receitas que tiverem, da qualidade do produto… Um novo meio não tem obrigatoriamente de matar outro mais antigo. As publicações digitais estão deixando os jornais em papel sem sentido, mas os leitores continuam amando as boas revistas e os livros. Um formato novo matar outro é uma tragédia. O ideal é que haja cada vez mais formatos, mais meios e mais pluralidade.

José Ángel Plaza
Equipe de Transformação da PRISA

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