Os robôs invadem a sala de aula

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De forma tímida, no início, a tecnologia irrompeu, provocando uma mudança de paradigma nos métodos de aprendizagem. Os quadros interativos, os projetores ou os portáteis vieram para ficar e fazer parte das vidas dos novos nativos digitais. No entanto, a revolução digital providenciou o contexto adequado e concentra o seu foco nas vantagens plausíveis que a robótica educativa apresenta no ensino, desde a Educação Infantil. A introdução espontânea à programação na primeira etapa educativa dá a conhecer uma nova linguagem que, fruto da observação, apresenta desafios tão relevantes como a iniciação ao pensamento computacional ou o fomento da capacidade de resolução de problemas através de estratégias centradas no raciocínio lógico e analítico e no pensamento crítico.

As tecnologias estão a mudar a educação e o debate social está nas instituições, no corpo docente e nas famílias. A área da educação, graças aos novos sistemas de Inteligência Artificial, conta com a capacidade de contribuir para a personalização da aprendizagem e assim pôr cobro às desigualdades que possam surgir nas aulas. É o que acredita um grupo de 24 académicos e investigadores que, com o aval da Universidade de Stanford, publicaram o primeiro estudo sob o tema Artificial Intelligence and Life in 2030 com o objetivo de promover o debate social, analisar o panorama atual e vaticinar que tendências – como a realidade virtual, a robótica educativa, a aprendizagem adaptativa ou os sistemas de tutoria inteligente – se consolidarão nas salas de aula dentro de apenas quinze anos.

FRONTAL NEXT RGB OKPor este motivo, a indústria educativa soube captar as novas tendências e o desenvolvimento de robôs educativos para as crianças mais pequenas, como o NEXT, que surgiram como método inicial, mais do que para aprender robótica, para aprender através da robótica. Trata-se de um pequeno robô com comandos muito simples que, acompanhado por um programa educativo, faz uma introdução à programação direcional através da resolução de pequenos desafios baseados na revisão dos conteúdos curriculares que se trabalham na aula. O projeto do NEXT, uma aposta inovadora do grupo editorial Edelvives, traduz-se numa realidade tangível em que é já protagonista em cerca de 10 000 aulas do Ensino Infantil de várias escolas em Espanha.

Posto isto, talvez surja uma pergunta. Pode uma criança que mal sabe ler programar um robô para que realize sequências básicas? A resposta é afirmativa. As competências cognitivas que se desenvolvem com esta nova forma de aprender dão lugar à aprendizagem precoce de novos conceitos. Deste modo, orientados pelos professores, refletem, antecipam, experimentam e comprovam para finalmente realizar uma sequência ordenada de passos para que o NEXT se dirija ao local escolhido.

TICO ROBOT2No entanto, a introdução de outro tipo de robôs com capacidades linguísticas e de interação, como o Tico, demonstra como a robótica social é uma ferramenta de ajuda e de apoio dentro da sala de aula. Este humanoide, que concebemos com uma aparência simpática, tem trabalhado em centros educativos como aliado dos professores, conseguindo aumentar consideravelmente a atenção e a criatividade dos alunos. Mas foi também concebido para ser uma ferramenta útil para ajudar ao diagnóstico de transtornos de linguagem ou a deteção do TDAH (Transtorno de Défice de Atenção e Hiperatividade). Através de uma série de testes e questionários, o Tico consegue abstrair os pequenos das perguntas entediantes, ao mesmo tempo que cria um vínculo afetivo que ajudará a enriquecer as suas capacidades motoras, sensoriais e sociais.

Poderíamos dizer que as salas de aula estão a incubar uma geração que não se admirará que o seu colega seja um robô ou que, por exemplo, utilize o método científico para gerar novas hipóteses no seu quotidiano. Uma geração STEM (Science, Technology, Engineering and Mathematics) que, enquanto brinca, interioriza conceitos tecnológicos e que, a cada passo que dá em frente, escreve o livro branco da inovação. Precisamos de ferramentas tecnológicas que ponham cobro ao fosso das desigualdades nas salas de aula e, apesar de haver quem não acredite, precisamos de robôs que enfrentem o individualismo na educação e que funcionem como uma aposta num humanismo cada vez mais necessário.


Celestino Álvarez Martínez
CEO Adele Robots.

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